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ELEIÇÕES 2020

Marcos Fontes defende implantação de escolas cívico-militares em Santa Bárbara

Candidato a prefeito de Santa Bárbara d’Oeste pelo PSL sustenta modelo de ensino e se posiciona contra a “ideologia de gênero” nas instituições educacionais do município

Por André Rossi

22 out 2020 às 08:00 • Última atualização 22 out 2020 às 10:47

O candidato a prefeito de Santa Bárbara d’Oeste Marcos Fontes (PSL) defende a implantação de escolas cívico-militares na cidade e diz que vai garantir que não haja “ideologia de gênero” nas salas de aula.  

As propostas foram apresentadas durante sabatina do Grupo Liberal nesta quarta-feira (21). A entrevista foi ao ar nas rádios Clube AM 580 e FM Gold 94.7 e nas páginas do LIBERAL no Facebook e no YouTube.

Candidato falou em “exemplo” dos barbarenses durante pandemia – Foto: Marcelo Rocha / O Liberal

Marcos diz que há um “apelo grande” da população barbarense pelas escolas cívico-militares. O candidato garante que haverá “gestão compartilhada” entre os professores atuais e os militares.

“Onde foi aplicado esse modelo, deu exemplos e saltou a qualidade do ensino. Vale ressaltar que ninguém perde espaço, não é uma ação ‘olha, sai daí professores que os militares assumirão’. Não é desse jeito. Muito pelo contrário”, comentou Marcos.  

O candidato afirmou ainda que não tolerará nenhuma ideologia nas instituições de ensino. “Nós, que somos conservadores, que somos de família, não precisamos disso dentro das escolas”, disse Marcos.

Confira abaixo os principais trechos da entrevista, que pode ser assistida na íntegra no site do LIBERAL.

O senhor fala em reduzir os salários do prefeito, vice e dos secretários municipais para investir o recurso integralmente na saúde. É uma proposta que cai bem no gosto do eleitorado médio, mas qual o impacto prático disso para além da publicidade favorável à imagem do governo?
Essa proposta não é uma proposta populista, mas sim de justiça. O atual salário do prefeito em Santa Bárbara d’Oeste é maior do que o do governador. Isso fere a constituição que temos vigente no nosso País, no nosso Estado. O brasileiro como um todo e o barbarense também tem dado exemplo nesse momento de pandemia.

Nós já tínhamos algo ruim, que era a questão do desemprego em Santa Bárbara, na região como um todo, e no momento da pandemia isso ficou muito evidente. Muitos foram dispensados, outros recontratados para ganhar 50% do que ganhava outrora, mas teve que aceitar essas condições porque não deixaria a família passar por necessidade.

Foi feito por parte do cidadão o sacrifício. E a classe política não pode se ausentar também, neste momento, de dar exemplo. Então nós praticaremos justiça e com bom senso a readequação desse valor salarial. No início, reduzir em 20%. Isso gerará uma economia de pelo menos R$ 3,5 milhões que serão aplicados na saúde de Santa Bárbara d’Oeste.

Seu plano de governo, em alguns dos tópicos desenvolvidos, pontua itens positivos e negativos em cada quadro avaliado. É uma maneira de não confrontar a administração atual? E por qual razão?
Eu penso numa cidade daqui para frente. Não há como você bem governar um município jogando pedras para trás. Temos que olhar para frente, encarar os desafios que temos. Dar a mão a palmatória por tudo que já foi feito de bom na atual gestão e nas demais que passaram.

Todo prefeito, quando assume o desafio de administrar uma cidade, obviamente que ele quer acertar em tudo. Alguns acertam mais, outros erram mais, e é assim que a vida pública segue. Nós temos a consciência de que muito foi feito, mas também de que há muito a se fazer. Meu foco é com o futuro da cidade.

Seu plano de governo fala em concluir e estruturar a UBS Regional da Zona Sul, que atenderia os bairros Santa Rita de Cássia e Jardim Vista Alegre. É uma obra que originalmente foi pensada como uma UPA há cerca de 10 anos, mas não saiu do papel e houve a defesa na atual gestão para transformação em UBS. Da maneira descrita no seu plano, você entende que não caberia uma UPA naquela região?
Obviamente aquela região cresceu de forma potencial. Temos ali novos empreendimentos sociais e também empreendimentos como novos loteamentos. Isso gerou um impacto em todas as demandas, inclusive na questão da saúde.

Temos uma deficiência na questão da saúde pública. O plano inicial era termos uma UPA que não foi viável financeiramente para o município. O município ganhou uma causa de ter aquele prédio como sendo da prefeitura. Até então era do governo federal e a prefeitura não podia fazer absolutamente nada ali. Tinha que funcionar naquele modelo que foi pensado pelo governo federal.

Hoje o espaço é da prefeitura, já está recebendo investimentos e nós, como prefeito, iremos potencializar investimentos naquele local. Visto que uma das maiores demandas daquela região é a saúde públicas. As UBSs que a gente tem ali, principalmente do Jardim Vista Alegre, ficou muito pequena para atender as altas demandas que temos.

Então certamente terá uma atenção especial do nosso governo. Vamos avaliar a possibilidade sim de termos ali um pronto-atendimento.

Marcos Fontes foi sabatinado durante uma hora no estúdio da FM Gold, na sede do Grupo Liberal, nesta quarta – Foto: Marcelo Rocha / O Liberal

Você fala também em atuar junto ao governo federal e estadual para agilizar exames e procedimentos cirúrgicos que estão, na definição do seu plano, “emperrados” no município. O que você faria de diferente em relação ao chamado Zera Fila, que é o programa que existe atualmente na cidade para essa finalidade?
Existem muitos procedimentos de saúde no município que não dependem do município, dependem da liberação do Estado para que essas demandas avancem, como a cirurgia de joelho. Muitas pessoas em Santa Bárbara d’Oeste estão nessas filas, passam um “perrengue” danado esperando por anos essa cirurgia e não se avança.

A informação que eu tenho é que o governo do Estado libera uma cirurgia a cada dois meses, ou seja, seis por ano, e essa fila não para de crescer. O que precisamos é um prefeito que tenha trânsito, conhecimento com os deputados estaduais, com deputados federais e certamente tendo essa aproximação ele terá relevância junto ao governo do estado e ao federal.

Teremos pelo menos 14 deputados estaduais que são do meu partido, PSL, que atuarão certamente cobrando do governo do estado um projeto amplo para zerar essa fila. Temos pessoas em Santa Bárbara que estão há pelo menos quatro anos.

Não há como caracterizar isso se não como emperradas. Santa Bárbara não provê de representantes no Estado, em Brasília, e consequentemente as nossas demandas ficam estacionadas.

Você propõe implantar escolas cívico-militares. Por que a defesa desse modelo e de que forma a comunidade escolar participaria disso, para que não haja o mesmo cenário que se enxerga cada vez que se discute a implantação do período integral em determinada escola?
Há um apelo grande dos barbarenses, inclusive uma lista de assinaturas, em apoio a escola cívico-militar. O governo federal lançou um plano de incentivo para que se instalem em todo o Brasil e cabe aos prefeitos demonstrarem interesse. Então o meu plano de governo garante esse interesse.

Onde foi aplicado esse modelo, deu exemplos e saltou a qualidade do ensino. O que é feito quando você tem a gestão militar compartilhada com os professores que já temos atuando em Santa Bárbara? Vale ressaltar que ninguém perde espaço, não é uma ação “olha, sai daí professores que os militares assumirão”. Não é desse jeito.

Muito pelo contrário. É uma gestão compartilhada. Vale ao ensino médio. É avaliada a escola estadual com o menor desempenho no Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica). Quando a gente tem uma escola que não tem sido referência e alcançado bons números, a gente aplica esse modelo. Vamos resgatar o patriotismo que é muito bem ministrado nessas escolas.

Certamente teremos um salto importante. Eu defendo sempre que o professor em sala de aula tem que ter autonomia para dedicar seu conhecimento e para que os alunos entendam o que está sendo passado. O custo benefício é alto: pega uma escola problemática e torna-se essa escola referência.  

Candidato do PSL defende autonomia dos professores em sala de aula – Foto: Marcelo Rocha / O Liberal

Ainda no campo da educação, o seu plano menciona que vai garantir a proibição da ideologia de gênero e de banheiros coletivos nas escolas. Por que a necessidade de incluir um tópico como esse em um plano de governo, que reúne as principais ideias para uma gestão, para além da comunicação com o perfil de eleitor que você quer atingir?
É algo necessário, de extrema relevância nós praticamos essa garantia. Não toleraremos nenhuma ideologia praticada em sala de aula. A única ideologia que funciona nas escolas, seja municipal seja estadual, é a educação. A gente sabe que, não é novidade, num passado não muito distante, nós teríamos isso embutido nos planos de educação.

O próximo secretário municipal também terá esse compromisso em sintonia comigo. Nós, que somos conservadores, que somos de família, nós não precisamos disso dentro das escolas. Nós respeitamos, inclusive, todas as opções sexuais, de orientação sexual. Agora, o que a gente não pode ter é isso como uma matéria, como algo imposto nas escolas, que é o que queriam fazer.

A ideologia de gênero defende que a criança quando nasce não tem sexo. Pera aí. Ela nasceu com um órgão sexual masculino, então ela não é um menino? É totalmente contra, afronta realmente o que a gente tem como certo na nossa sociedade. As opções sexuais ao longo da vida devem ser respeitadas, mas não é algo que a gente precise trazer para o campo da educação.

Quando se refere à Guarda Civil Municipal, seu plano usa a expressão Polícia Municipal. O seu governo vai aplicar essa nomenclatura à corporação?
Temos uma lei aprovada na câmara e sancionada [promulgada] pela própria câmara. Essa alteração certamente valorizará o servidor de segurança na nossa cidade. É uma lei necessária. Tem a sintonia e a aprovação massiva dos patrulheiros.

O seu plano fala em agilidade na aplicação e instalação de redutores de velocidade em frente às escolas, templos religiosos, creches e locais de grande circulação de pedestre. Como você pode definir agilidade e redutores de velocidade nesse caso? Você fala em mais radares?
Não necessariamente. Precisamos ter medidas efetivas. A gente percebe uma demora no que tange a execução de obras e serviços que são de prioridades. Temos uma avenida muito movimentada, que faz conexão com Americana, que é a Avenida São Paulo. Tem sido palco para diversos acidentes e mortes. Algo foi feito, semáforos, mas não foi o suficiente para que a gente tivesse a redução desses números.

Eu defendo essa agilidade na questão do trânsito. Há uma insatisfação grande em relação a essa pasta no município. A população não se sente segura e uma das maiores reclamações é para que essas ações aconteçam.

Vamos reavaliar muitos pontos que hoje em Santa Bárbara tem radar. A gente vê aí radar para todo lado, 50km por hora, locais que você passou um pouquinho ali, precisa levar o filho um pouquinho depressa, passou por 5km e já está sendo multado. Então a gente precisa rever. De repente uma lombada, uma lombofaixa, e a garantia desses redutores frente a locais de grande aglomeração.

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