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8ª temporada

‘Vai que Cola’ mantém apelo popular na grade do Multishow

Pode se dizer que programa foi um dos precursores no canal na aposta por um humor mais popular

Por Márcio Maio / TV Press

06 jan 2021 às 17:47

Depois de oito temporadas, o “Vai que Cola” se mantém firme e forte na grade do Multishow. E não faltam atributos ao programa para isso. Afinal, pode se dizer que ele foi um dos precursores no canal nessa aposta por um humor mais popular e focado na “tal” ascensão da classe “C”, assunto do qual tanto se falou nos primeiros anos da última década.

Desde a forma e o elenco ao texto, tudo parece planejado para fazer rir, sem que o telespectador precise refletir muito ou desenvolver qualquer senso crítico sobre questões políticas ou sociais.

O elenco é formado por tipos capazes de criar uma identificação com a maior parte do público – Foto: Divulgação

Nesta nova leva de 40 episódios, a ambientação muda. Enquanto a sétima temporada teve cenas em Miami, a oitava também foge do Méier, de onde vieram todos os seus personagens centrais. Agora, o grupo passa um tempo no Leblon, no apartamento de Valdomiro, papel de Paulo Gustavo, que faz uma pequena participação.

O elenco é formado por tipos capazes de criar uma identificação com a maior parte do público. Para dar vida a um típico playboy falido da Zona Sul carioca, mas cheio de pose, foi escalado Ricardo Tozzi.

O ator até tem experiência no humor, mas não parece tão à vontade quanto os colegas de cena. E muitas de suas sequências na pele do mauricinho Thomas são com Samantha Schmütz, a aspirante a “digital influencer” Jéssica, uma das principais veteranas do humorístico.

Afinal, de todos os nomes que já passaram por ali, só ela, Catarina Abdala, Marcus Majella e Cacau Protásio se mantiveram em todas as temporadas, no elenco principal.

Outro reforço que chegou nessa mudança para o Leblon foi Maurício Manfrini, que dá vida ao despachado Bebeto do Vidigal. O porteiro do edifício onde a trupe do Méier passa uma temporada aproveita bem todas as deixas para se destacar nas cenas. E faz uma boa parceria com Protásio, que encarna a fogosa Terezinha no seriado.

A partir dele, a famosa comunidade vizinha ao bairro nobre é constantemente lembrada. Seja para enaltecer sua programação de lazer ou a vista deslumbrante – que dá justamente para a Praia do Leblon.
Na ausência de Paulo Gustavo, é Majella quem mais se dá bem. O ator coloca no bolso todas as cenas das quais participa. Não à toa, já deu seus voos solos no canal fechado, na pele do histriônico Ferdinando.

Dona Jô, personagem de Catarina Abdalla, passa por uma fase mais atirada e menos mãe de família. Nesse ano, no entanto, o elenco perdeu um pouco com a falta de interação com o público.

Por conta da pandemia do novo coronavírus, a plateia, como Paulo Gustavo mesmo mencionou no primeiro episódio, é de papelão. Volta e meia, nas cenas, percebe-se o distanciamento entre os atores – e isso chega a ser dito.

As medidas de segurança, no entanto, não chegaram a prejudicar a dinâmica do seriado. Talvez por mérito da equipe de roteiro, que soube criar situações capazes de serem gravadas sem grandes problemas.

TRAMAS DIVERSAS
Como de costume, há uma história central que envolve todos os episódios, mas cada um tem sua trama. Com isso, é possível perder um capítulo, assistir ao seguinte e, depois, no streaming, procurar pelo que ficou para trás.

Apesar de não ter um compromisso com um humor mais crítico, é possível perceber certo deboche com algumas características da vida real no texto. Como, por exemplo, na maneira de se tratar a rotina de Jéssica nessa busca pela fama – uma clara referência ao constante desejo de popularidade que as redes sociais aguçam.

De qualquer forma, 2020 é um ano especial para o “Vai que Cola” por outro motivo. Na falta de produções próprias voltadas para o humor, a Globo acabou se aproveitando de programas desenvolvidos para seus canais fechados. Com isso, em dezembro, o seriado estreou na tevê aberta, mas em sua sexta temporada. O que, certamente, ampliará o seu alcance e, consequentemente, pode aumentar a procura do público por ele.

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