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Cultura

‘Um Lugar ao Sol’ agrada mais pelas tramas paralelas que pela história central

Por Márcio Maio / TV Press

20 Janeiro 2022, às 11h27 • Última atualização 20 Janeiro 2022, às 11h28

Desde que surgiu como autora principal de novelas, Lícia Manzo foi diversas vezes comparada a Manoel Carlos. Algumas vezes, pela identificação que seus personagens criam com quem assiste. Em outras, pelos diálogos bem construídos e verossímeis, que pouco apostam na fantasia comumente utilizada na dramaturgia.

Christian (Cauã Reymond) e Ravi (Juan Paiva), seu melhor amigo – Foto: Divulgação

Pois bem, em “Um Lugar ao Sol”, Lícia apresenta mais uma característica que muitas vezes chamou atenção nos colegas mais experientes: a capacidade de construir papéis femininos fortes e, em muitas tramas, ter coadjuvantes e antagonistas bem mais instigantes que os protagonistas.

De cara, quando estreou, “Um Lugar ao Sol” parecia a história de um sujeito que tomou o lugar do irmão gêmeo, enganou o grande amor de sua vida e passou a viver uma realidade completamente diferente. Agora, com mais da metade dos 107 capítulos previstos já exibidos, o que se vê não é exatamente isso. A trama de Christian, que finge ser Renato, ambos interpretados por Cauã Reymond, segue ali. Porém, está longe de ser o que mais desperta atenção no folhetim.

Na verdade, apesar do título, “Um Lugar ao Sol” se mostra bem mais interessante na hora de mostrar os dilemas e conflitos de personagens como as ex-modelos Rebeca e Ilana, vividas por Andrea Beltrão e Mariana Lima, além das irmãs da primeira, Bárbara e Nicole, papéis de Alinne Moraes e Ana Baird.

Não faltam nomes de mulheres que chamam a atenção na trama. A própria Andréia Horta, que dá vida à batalhadora chef de cuisine Lara, segue esbanjando talento, mesmo nesta fase menos energética da personagem. Muitas de suas cenas são com Marieta Severo, a pragmática Noca, uma troca que funciona e que, devido aos mistérios sobre o passado da avó da chef.

Ainda no elenco mais experiente de “Um Lugar ao Sol”, Regina Braga aparece bem menos do que merece como a psicanalista Ana Virgínia, mas nunca despercebida. O núcleo dela é outro que promete boas doses de emoção, com o drama da alcoólatra Júlia, sempre acolhida pelo filho Felipe, interpretado por Gabriel Leone. Este, convém lembrar, parece ter tido sorte ao ser liberado de “Verdades Secretas 2”, com a morte prematura do bom-vivant Gui. Afinal, é inegável que tem nas mãos um papel bem mais interessante, tanto em relação à construção quanto à importância na história.

Por outro lado, há alguns pontos que jogam contra “Um Lugar ao Sol”. Por exemplo, a falta de um bom núcleo de humor, em meio a tantos dramas e assuntos densos. Além disso, carregar um pouco mais nos vilões poderia torná-los mais atraentes. Alinne Moraes, por exemplo, coleciona bons momentos no folhetim. Mas seu auge, até agora, foi quando a descontrolada Bárbara humilhou e bateu em Luan, papel de Miguel Schmid, filho da personal trainer Érica, muito bem defendida por Fernanda de Freitas. Deu até vontade de ver mais loucuras da personagem.

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