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Cultura

Touro Indomável: os 40 anos do clássico de Scorsese

Por Agência Estado

22 nov 2020 às 07:38 • Última atualização 22 nov 2020 às 10:34

Em 1995, durante as festividades do centenário do cinema, o lendário ator Anthony Quinn afirmou, ao apresentar um programa para o canal ESPN dos Estados Unidos, que todo ator deveria viver na telona um boxeador. Tal a afinidade entre a sétima arte e a nobre arte. Seguindo esta sugestão, Robert De Niro pode ostentar o fato de ter sido o protagonista há exatos 40 anos de Touro Indomável, longa-metragem que conta a vida de Jake LaMotta, um campeão mundial dos pesos médios (até 72,575 quilos) entre os anos de 1949 e 1951.

Touro Indomável é apontado como a maior obra do diretor Martin Scorsese e se coloca, para muitos críticos, à frente na lista interminável de grandes filmes que têm o boxe como tema. Alguns exemplos são: Menina de Ouro (2004), Rocky, Um Lutador (1976), Luta pela Esperança (2005), O Campeão (1979), Ali (2001), Marcado pela Sarjeta (1956) e Hurricane – O Furacão (1999).

Jake LaMotta não é considerado um dos maiores boxeadores de todos os tempos, mas sua vida dentro e fora dos ringues foi repleta de polêmicas, muito bem retratadas por Scorsese, De Niro, Joe Pesci (que fez Joey, o irmão de La Motta) e Cathy Moriarty no papel de Vikki LaMotta, a primeira mulher do polêmico pugilista.

Baseado na biografia Raging Bull – My Story, escrita com Joseph Carter e Peter Savage, Touro Indomável teve oito indicações para o Oscar em 1981 e levou as estatuetas de melhor ator (De Niro) e de melhor edição (Thelma Schoonmaker).

O filme foi todo feito em preto e branco para, segundo Scorsese, manter as imagens dos filmes antigos das lutas daquela época. Uma das cenas marcantes, logo no início da produção de 2h09, é o sangue escorrendo nas cordas de um ringue.

Na pré-estreia, em Nova York, em 14 de novembro de 1980, ao final da projeção, Jake LaMotta perguntou a Vikki se ele teria sido tão ruim para ela quanto De Niro havia interpretado no filme. E ela respondeu: “Sim, você foi pior”. O filme retrata o estilo de vida explosivo de La Motta. Seu ciúme doentio da jovem esposa destruiu seu casamento e até o convívio com o irmão Joey. Decadente, foi ser uma das atrações de seu bar, após pendurar as luvas, como contador de histórias e piadas. Para viver estes momentos do final do filme, Robert De Niro teve de engordar 30 quilos (de 66 foi a 97 quilos).

A produção também destaca as seis lutas que LaMotta teve contra Sugar Ray Robinson, apontado como o maior pugilista de todos os tempos. Ele venceu uma e se orgulhava de nunca ter sido nocauteado pelo espetacular adversário.

Nascido no Bronx, em Nova York, em 1922, Giacobbe LaMotta morreu em 19 de setembro de 2017, aos 96 anos. Pouco tempo antes de morrer, o ex-lutador ainda pulava corda e socava o saco de areia. Sua carreira profissional apresentou 106 lutas, 83 vitórias, 30 nocautes, 19 derrotas e 4 empates.

Onde assistir:
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