Temáticas indígenas e feministas são debatidas em congresso na Unicamp

Intenção da 21ª edição do evento é provocar os participantes a pensarem a educação na ótica das “vozes dissonantes”


Temáticas indígenas e feministas integram a programação do Congresso de Leitura da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), que teve início ontem e segue até sexta-feira. O evento, o principal na área no Brasil e que ocorre a cada dois anos desde 1978, chega à sua 21ª edição provocando o público a pensar a leitura e a educação a partir do prisma das “vozes dissonantes”.

“São todas as vozes que de alguma maneira fazem a nossa língua oficial variar e propõem outra maneira de pensar. São as vozes, ou línguas, indígenas, africanas e afro-brasileiras. São as vozes das mulheres, das crianças, dos velhos. Vozes que vêm sendo silenciadas e invisibilizadas”, explica Alik Wunder, professora da Faculdade de Educação da Unicamp, presidente da Associação de Leitura do Brasil e coordenadora do evento.

Foto: Divulgação
 Evento ocorre a cada dois anos na universidade campineira há 40 anos com temáticas sempre atuais ao momento pelo qual o país está passando

“Resgatamos um modo de entender a leitura muito próximo de Paulo Freire, em que ela é pensada como uma leitura do mundo e não só a leitura da palavra”, afirmou Alik Wunder, em referência a um dos principais pedagogos do mundo. Além de olhar para literaturas dissonantes como a indígena e a feminista, o congresso propõe a escuta de outras formas de expressão presentes na linguagem oral, na linguagem corporal e na relação com o outro, que marcam a escrita, a relação com a palavra e nosso modo de pensar.

MULHERES NA BANCADA

As quatro conferencistas mulheres darão o tom do debate. A poetisa e cantora Déa Trancoso, do Vale do Jequitinhonha, interior de Minas Gerais, abriu o evento ontem com uma conferência poético-musical.
A formação de professores por meio da escrita biográfica será apresentada por Maria da Conceição Passeggi hoje, às 9h. Ana Godinho, filósofa portuguesa, abordará amanhã, no mesmo horário, as variações da língua na conferência “A língua vai para onde ela quiser”. E o debate sobre literatura e feminismo será trazido por Amara Moira, mulher, trans, escritora e doutora em Estudos Literários pelo Instituto de Linguagem da Unicamp, na sexta, também às 9h.

Outro destaque do evento será o debate sobre literatura indígena. Tradicionalmente passadas de geração a geração por meio da linguagem oral, essas obras trazem as narrativas das aldeias, sob o olhar de quem lá vive, para os não-indígenas. “Elas nos ensinam sobre o que é ser indígena, o que é viver na floresta, escutar a floresta e estabelecer outra relação com o mundo”, destaca a coordenadora do evento. Este debate será conduzido por Daniel Munduruku, escritor indígena e professor visitante da Faculdade de Educação.

A programação, disponível na íntegra em cole-alb.com.br/programacao, inclui ainda mesas redondas, rodas de conversa, comunicações de trabalhos acadêmicos, lançamentos de
livros e exposições.

ACONTECE: As atividades acontecem no Centro de Convenções, Casa do Lago e Faculdade de Educação, e são abertas ao público. As inscrições podem ser realizadas pelo site ou no local do evento.

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