Teatro Municipal recebe peça que reflete sobre refugiados

Espetáculo “N”, da companhia Arte Móvel, traz discussão contemporânea para Americana nesta quinta-feira


Cerca de sete décadas e meia separam as frases “apesar de tudo, eu ainda creio na bondade humana” e “os Estados Unidos não serão um acampamento de migrantes”. Se existem discursos como o segundo, do atual presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, há um mês, é porque ainda é preciso refletir sobre o primeiro, da adolescente judia Anne Frank, antes de ser capturada e executada por nazistas na Alemanha da década de 1940. E é pela arte que a peça teatral “N”, que será apresentada nesta quinta-feira no Teatro Municipal Lulu Benencase, em Americana, busca provocar o público a pensar a aceitação do outro.

Com direção de Otavio Delaneza e apresentação da companhia Arte Móvel e do governo estadual, por meio do Proac (Programa de Ação Cultural), a peça toma como mote a trajetória de Anne e se desenvolve a partir da história de três pessoas que fogem de territórios em estado de guerra, levando consigo o que o corpo é capaz de carregar e o desejo por “humanidade”, como apresenta a sinopse. A letra “N”, além de fazer referência ao nome da jovem, simboliza todos os “Nadas, Ninguéns e Nenhuns que perambulam pelo mundo em busca do pertencimento”, explica Lays Ramires, atriz e produtora da companhia.

Foto: Carlos Petrini / Divulgação
Espetáculo “N” reflete sobre a crise dos refugiados no Teatro Municipal

Priorizando linguagens de corpo expressivo, teatro de animação e de objetos como forma de narrativa, o enredo universaliza o tema e expande a concepção sobre o que é um refugiado. “A gente fala dos refugiados que estão hoje aqui no nosso país, e a questão de que todos nós, em algum momento da nossa vida, nos sentimos refugiados. Então, quando a gente não é aceito, a gente está o tempo todo se fechando, fugindo das relações pelo medo do externo”, aponta Lays.

Comprometendo-se em dar um olhar contemporâneo a uma disfunção social milenar, a obra também é um alerta para a necessidade de ação, ressalta ela. “Os relatos de Anne são apenas um ponto de partida. A gente passa por ela, mas a gente trata principalmente da questão atual, dos refugiados hoje. Sair na rua e saber que você é responsável sim por aquela criança que está ali passando fome. Você, enquanto ser humano, precisa fazer alguma coisa, não pode ficar ali parado”, provoca.

A intenção, segundo a atriz e produtora, é fazer com que a obra não termine no apagar dos holofotes, mas continue viva nas reflexões do público. Isso é possibilitado, inclusive, por um debate que é realizado após a apresentação. Em algumas plateias, houve a presença de exilados. “A gente escolheu (como locais de apresentação) cidades que foram fundadas pelas imigrações oriundas das guerras ou cidades que receberam o maior número de refugiados até 2016”, contextualiza, ressaltando que o Brasil, apesar de ser um dos países que mais recebe essa população, é o que mais tem crimes envolvendo xenofobia, homofobia e feminicídio. “É um país ambíguo. Ele recebe, mas não acolhe”, acrescenta.

ACONTECE: A apresentação começa às 20h e a entrada é gratuita. O Teatro Municipal Lulu Benencase fica na Rua Gonçalves Dias, 696.

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