Teatro do absurdo encerra o festival

Último dia de apresentações ainda conta com espetáculo circense, no Parque Ecológico, voltado ao público infantil do espaço


Diferentes gêneros foram escolhidos para o fechamento da programação da 10ª Americana Mostra, promovida pela Associação Fábrica das Artes.

Enquanto no Parque Ecológico a La Cascata Cia Cômica, de São José dos Campos, vai apresentar a peça “Mãos à Obra”, às 11h, no Fábrica das Artes a Cia de 2, da mesma cidade, vai encenar “Pé na Curva”, às 20h. Os ingressos é pelo ticket cultura – o público escolhe com quanto contribuir.

Inspirada nos grandes clássicos do universo circense, La Cascata coloca em cena os palhaços Meio-Quilo (Renato Junior) e Zaca (Adriano Laureano), que são dois pedreiros que, em meio a confusões, disputas e trapalhadas, constroem um novo condomínio.

A obra opta pela linguagem não verbal, fazendo uma alusão ao cinema mudo. Esta condição promove uma série de situações cômicas, inusitadas e em determinados momentos, patéticas. O gênero é o da palhaçaria clássica, com as “claques” (tapas falsos) e “cascatas” (quedas falsas de palhaço), que são as principais fontes de pesquisa do grupo.

Foto: Divulgação
A encenação “Pé na Curva” encerra a 10ª edição do evento neste domingo, no palco da Associação Fábrica das Artes

EXISTENCIAL. Reproduzindo cenas expressionistas, diálogos nonsenses e vários elementos chocantes para denunciar a falta de soluções em que estão imersos o homem e a sociedade, a comédia teatral “Pé Na Curva” é baseada no teatro do absurdo e conta a história de Tolo e Infeliz, dois andarilhos que estão a vagar em algum lugar, em algum tempo, como os únicos sobreviventes. Do nada, através de um sonho, foram designados a uma missão, mas acabaram se perdendo. Agora tentam de todas as formas retornar o caminho que os levam ao seu destino.

“A gente queria fazer um trabalho de comédia, mas que gerasse alguma espécie de incômodo na plateia, que a plateia saísse com alguma espécie de reflexão, com perguntas”, afirma o ator Jean de Oliveira, que divide o palco com Jonas.

Ele conta que o grupo começou baseado na improvisação e em cenas nonsense e, apenas depois disso, descobriu as semelhanças com propostas de Samuel Beckett. “Esperando Godot” e “Fim de Partida” são obras do dramaturgo irlandês que influenciam “Pé Na Curva”.

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