Peça reforça atualidade da obra de Plínio Marcos

“Homens de Papel” será encenada neste final de semana no Teatro Fábrica das Artes


Foto: Divulgação.JPG
“Homens de Papel” estreou em São Paulo no ano de 1968, período da ditadura militar

Um dos trabalhos mais famosos do dramaturgo Plínio Marcos, a peça “Homens de Papel” encerra a programação da Mostra de Alunos, realizada pelos alunos do curso de teatro do Fábrica das Artes. O espetáculo, que terá apresentações neste sábado e domingo, foi escrito em 1968, mas resume muito bem a realidade violenta e desigual de quem vive abaixo da linha da pobreza nas grandes cidades, apontou o orientador da montagem, Marcelo Porqueres.

“Infelizmente, esse ainda é um texto muito atual”, disse. “É atual porque fala de muita coisa que está em evidência hoje em dia, como abuso sexual, feminicídio, violência… O texto é forte, trata desses assuntos de forma clara, e a nossa montagem veio justamente para fazer essa discussão: como tratamos essas pessoas dentro da nossa sociedade? Porque essas pessoas são excluídas e não conseguimos trazê-las de volta?”, questiona.

A peça narra a história de um grupo de catadores de papel, vítima de um explorador que lhes compra o material pelo preço que ele mesmo determina. Os catadores começam a organizar uma greve, mas entram em conflito com uma mulher que chega à cooperativa com o marido determinada a trabalhar para cuidar da saúde de sua filha.

Para realizar a montagem, os alunos do Fábrica foram a campo e pesquisaram a vida de pessoas que passam por esse tipo de situação. “Para eles também foi um baque muito grande e eles aprenderam muito. Então, o trabalho foi além do trabalho artístico, é um exemplo de cidadania. Seria muito bom se olhássemos para esse texto e não reconhecêssemos essa sociedade, mas queremos mostrar que nesses 50 anos, infelizmente, nada mudou”.

Acontece. O espetáculo “Homens de Papel” será encenado neste sábado e domingo, a partir das 20h. Os ingressos variam de R$ 5 a R$ 20. O Fábrica das Artes fica na Rua Dr. Cícero Jones, 146, na Vila Rehder. Informações no site www.fabricadasartes.art.br

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