Peça adapta textos de Tchekhov para explorar conflitos humanos

Espetáculo investiga as relações humanas de disputa territorial e resvala no atrito como tema principal


Foto: Rogener Pavinski - Divulgação
Com encenação gratuita no Fábrica das Artes neste sábado, peça ‘Atritos’ adapta textos de Tchekhov para explorar conflitos humanos

“Só existe uma guerra hoje porque você está brigando com seu vizinho por causa do lixo na calçada”. Foi a partir dessa frase que a diretora teatral Fernanda Zancopé iniciou com a Cia Galhofas a pesquisa que gerou o espetáculo “Atritos”, que será apresentado gratuitamente neste sábado, às 19h, no Fábrica das Artes, em Americana.

Uma frase que resume a proposta principal do espetáculo, que provoca a reflexão sobre como pequenos conflitos do cotidiano levam às grandes disputas por poder, território e outras posses materiais. Uma investigação que vai do micro ao macrocosmo sob a luz de textos de Anton Tchekhov (“O Pedido de Casamento” e “O Infrator”) transportados para o interior paulista, em uma comunidade caiçara. A adaptação e tradução é de Rosyanne Trotta..

O espetáculo investiga as relações humanas de disputa territorial e resvala no atrito como tema principal. Os personagens, interpretados por Ana Carolina Brambilla Costa e Felipe Brognoni Casati, encarnam em si lutas históricas de suas classes pela posse das terras que cultivam, desdobrando o atrito em detalhes cotidianos, em um cenário de intolerância crescente que trata justamente do encontro das diferenças de interesse.

“A gente percebeu que a gente podia transitar pelo tema ‘atritos’, partindo de pequenos atritos entre eu e meu vizinho, grandes atritos entre classes sociais, até por fim chegar num atrito do terceiro ato, que é íntimo, é como eu vou agir a partir das informações que me são dadas”, explica Fernanda, que idealizou e dirige a peça. Outro dos pontos trabalhados é a quebra dos maniqueísmos. “[A peça] não separa um personagem bom e um personagem mau. É a explanação de movimentos de contradição, de que só é possível a gente reconhecer a justiça quando a gente tem uma injustiça dentro dos próprios personagens. Todos eles são justos e injustos ao mesmo tempo, variando as circunstâncias em que eles estão inseridos”, acrescenta a artista.

Por fim, um dos cernes da montagem é apontar a perturbadora condição na qual conflitos que ganham proporção ao longo do tempo são herdados de geração para geração, como se a história se repetisse. “O Tchekhov dá uma dimensão de que os textos clássicos estão discutindo as mesmas coisas desde sempre, que são essas disputas de poder”, explica a diretora.

OFICINA. O projeto é realizado através do ProAC (Programa de Ação Cultural) e também envolve a realização de uma oficina, que parte do questionamento: “O que te indigna?”. Explorando artes plásticas, escrita e expressão corporal, serão realizados exercícios de percepção do indivíduo na sociedade e investigados o que carregamos em nós de nossos ancestrais.

Acontece. O espetáculo “Atritos” será apresentado a partir das 19h deste sábado. A oficina vai ocorrer entre 9h e 12h e há um número limitado de 25 vagas. Ambos são gratuitos e vão ocorrer no Fábrica das Artes (Rua Dr. Cícero Jones, 146, Vila Rehder).

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