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Entrevista

Recriação original do personagem

Quatro anos depois, Jayme Matarazzo lembra experiência de seu primeiro remake, “Haja Coração”

Por Márcio Maio / Tv Press

10 jan 2021 às 09:35

A última novela de Jayme foi “Tempo de Amar”, entre 2017 e 2018, na qual interpretou seu primeiro vilão, o inescrupuloso Fernão - Foto: Divulgação

Interpretar um personagem que já foi de outro ator é uma experiência, algumas vezes, cheia de dilemas para um ator. Sim, porque ao mesmo tempo em que pode haver a curiosidade de estudar como aquele papel já foi desempenhado antes, não ter referências prévias é uma forma de evitar que o novo trabalho soe como uma imitação do original.

Jayme Matarazzo, por exemplo, até pensou em ver algumas cenas de Guel, interpretado por Edson Celulari em “Sassaricando”, quando foi chamado para viver o injustiçado Giovanni em “Haja Coração”, remake da trama de Silvio de Abreu. Mas, por instruções da direção, abortou a ideia. No fundo, foi melhor assim, porque os personagens acabaram sendo bem diferentes nas duas tramas. “Não assisti a nenhum capítulo da versão original. Pude dar a minha leitura pura sobre essa personagem”, recorda.

Na história, Giovanni é o filho mais velho de Francesca e Guido, vividos por Marisa Orth e Werner Schünnemann. O rapaz é estudioso, sério, bom caráter e muito amigo da mãe e das três irmãs. Mas sua vida é marcada por dois traumas: o sumiço do pai na infância e a prisão injusta que lhe foi imposta, sob a acusação de ter sido o executor de uma explosão no Grand Bazzar. Tudo isso impulsionado pelo depoimento da fotógrafa Camila, interpretada por Agatha Moreira.

Mas o jovem técnico de informática se apaixona justamente pela moça, para a ira de sua ex, a advogada Bruna, papel de Fernanda Vasconcellos, que começa a fazer de tudo para separar o novo casal. “Giovanni é um personagem bem intenso, machucado por uma injustiça, mas que leva dentro de si uma pureza e a certeza de que o amor é a única forma de cura e de perdão”, valoriza Jayme.

Qual foi a sua reação ao saber do retorno de “Haja Coração”?
Jayme Matarazzo Fiquei muito contente. Foi um trabalho prazeroso, desafiante, intenso e cercado de bons amigos talentosos. Fui feliz na época e, hoje, gosto ainda mais do resultado. Assistir à novela sem estar no ritmo intenso de gravações, sem poder fazer nada para alterar o andamento e sendo espectador é bem legal também.

O que o Giovanni representa em sua trajetória profissional?
Jayme Todo personagem sempre deixa um legado enorme na nossa caminhada profissional. Para um ator, cada criação e cada projeto servem de combustível para manter a nossa máquina criativa em constante movimento. A novela tem um papel importante no meu crescimento na profissão.

Por quê?
Jayme É um personagem bem intenso, machucado por uma injustiça que o levou a dois anos de cadeia, mesmo sendo inocente. Ainda assim ele leva, dentro de si, uma pureza e uma certeza de que o amor é a única forma de cura e de perdão. Uma trama bem interessante e dinâmica. Nos divertimos bastante. Isso foi o grande legado neste projeto.

Como foi o seu trabalho de composição para “Haja Coração”?
Jayme  Na época de preparação para a novela, fiquei muito tentado a assistir à versão original, “Sassaricando”, que foi exibida entre 1987 e 1988. Eu nasci em 1985, portanto, não havia assistido nada. Mas a própria direção da novela me aconselhou a começar uma construção do zero, sem referências. E, assim, fiz. Não assisti a nenhum capítulo da versão original. Pude dar a minha leitura pura sobre essa personagem. E lembro que o trabalho de composição foi muito legal.

O que você fez?
Jayme Pesquisei bastante sobre histórias de pessoas presas injustamente e casos famosos de erros da justiça. Lembro que o mergulho no universo da feira foi muito legal. Adorava o fato de o Giovanni ser de uma família de feirantes. De toda semana ter uma enorme feira cenográfica, onde nossa missão era fazer todas as cenas em constante movimentação na barraca de frutas. Lavando, descascando laranja e atendendo a clientela. Era divertido demais. E ter Marisa Orth ao lado, todos os dias, era um privilégio. Uma energia e uma força que contagiam qualquer um.

Que aprendizados e descobertas você acumulou neste período de quarentena?
Jayme Esse período de quarentena fez com que olhássemos mais para dentro de nós mesmos. Olhar para si, rever conceitos e prioridades. Olhar para o mundo com novas percepções. Entender, de uma vez por todas, o nosso papel como indivíduos nesse planeta que habitamos e que tanto castigamos. Entender que somos muito vulneráveis, mas também somos fortes.

O que você espera do pós-pandemia?
Jayme Tento acreditar que vamos passar esse período difícil transformados e olhando para o nosso dever como sociedade de uma nova maneira. E espero que possamos sair mais fortes. Uma das poucas coisas que me deixaram feliz nesse período foi confirmar a importância da arte, do entretenimento e dos artistas em uma sociedade sadia. A arte, a tevê, a música e as lives serviram de alívio e acalanto para tantas pessoas que precisavam, também, se preocupar com a saúde mental.

Quais são seus planos profissionais para o futuro?
Jayme Em primeiro lugar, espero que esse futuro seja seguro. Podemos nos reinventar a cada dia e descobrir mil maneiras de atuar em tempos de pandemia e isolamento. Mas o delicioso da nossa profissão de ator é exatamente nossa dinâmica em grupo. É estar juntos, contando histórias e dando vida aos personagens. Espero que possamos estar juntos o mais breve possível. Mas o momento requer paciência. Que 2021 seja um ano diferente. Cheio de esperança e de amor.

Fã confesso da novela
Enquanto não volta ao batente, Jayme Matarazzo tem aproveitado para assistir aos capítulos de “Haja Coração”. E, ao que parece, seria um telespectador da novela de Daniel Ortiz mesmo se não tivesse participado do elenco. “‘Haja Coração’ é uma novela leve e alto-astral, mas que mantém uma dramaturgia intensa e histórias bem amarradas. Uma alegria enorme rever”, derrete-se o ator.

Giovanni está envolvido em vários pontos centrais de “Haja Coração”. Porém, um dos aspectos que mais instiga Matarazzo na hora de conferir suas cenas na trama é o grande conflito amoroso de seu personagem. “Giovanni é um menino obcecado por descobrir o paradeiro de seu pai, mas que esbarra em uma paixão maluca pela menina que o colocou atrás das grades”, explica.

Dádiva na quarentena
Assim que a pandemia do novo coronavírus começou, Jayme Matarazzo mudou-se para um sítio, na região da Serra da Cantareira, em São Paulo. A mudança de vida, por si só, já foi impactante. Mas ele e a esposa, a publicitária Luiza Tellechea, foram surpreendidos por uma novidade logo em seguida. “Nos descobrimos grávidos. Desde estão, o mundo ganhou novas cores, novos sonhos e dias lindos estão por vir”, deslumbra-se.

Jayme e Luiza estão há oito anos juntos e a chegada do herdeiro Antônio é esperada para breve. A vida no campo, durante esse período de quarentena, parece estar sendo uma oportunidade para desacelerar um pouco e se preparar para uma nova fase. “É um momento para estar conectado com aquilo que realmente importa nessa vida: família, amigos e natureza”, entrega.

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