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Cultura

Quarta temporada de ‘Stranger Things’ tem demônios e clima sombrio

Por Agência Estado

23 de maio de 2022, às 10h05 • Última atualização em 23 de maio de 2022, às 12h06

Meses após acontecimentos macabros em Hawkins, algumas coisas estão diferentes na cidade. Após tantas perdas, os moradores ainda estão vivendo o luto e tentando retomar suas vidas. Adolescentes aguardam o início da pausa de primavera e celebram jogos de final de temporada. No entanto tudo é perturbado quando uma morte misteriosa acontece. Sim, Stranger Things está de volta.

Uma das primeiras percepções ao dar play nos episódios é que a quarta temporada da série de sucesso da Netflix, cuja primeira parte estreia na próxima sexta-feira, 27, e a segunda apenas em julho, é que ela está mais sombria e mais assustadora.

Se compararmos as emoções e aventuras do início dessa jornada, quando os nossos heróis enfrentaram grandes perigos ainda crianças, percebemos, com a nova temporada, que tanto a tensão quanto as referências a filmes de terror aumentaram. Alien e Carrie, a estranha são apenas alguns deles. O clima e as referências aos anos 1980 continuam.

O universo dos filmes de terror não é novidade para os irmãos Duffer, criadores da série, que em 2015 lançaram o thriller psicológico Hidden. “Nós amamos filmes de terror”, disse Matt Duffer em entrevista ao Estadão. A relação deles com histórias assustadoras, ele conta, começou quando viram Pânico, ainda adolescentes, e logo emendaram com outros clássicos do estilo.

Essas histórias assustadoras serviram de inspiração para pensarem o grande vilão desta temporada, o aterrorizante Vecna, um demônio que vive no Mundo Invertido, que parece se alimentar dos medos e lembranças ruins das pessoas que ele mata (sim, mais mortes acontecem nesta temporada). “Nós queríamos fazer algo mais psicológico, nosso desejo não era traumatizar ninguém”, brinca Ross Duffer. A inspiração veio de filmes como A Hora do Pesadelo e It – A Coisa.

Mas não se preocupe, a quarta temporada de Stranger Things entrega tensão e medo, mas não dá grandes sustos. Então, se você é uma pessoa que não costuma ver histórias de terror por causa disso, não precisa se preocupar.

Não mais crianças: jovens adultos

Eles cresceram. Agora, mais do que na terceira temporada, quando o quarteto de amigos Mike, Will (Noah Schnapp), Dustin (Gaten Matarazzo) e Lucas (Caleb McLaughlin) e as meninas Eleven (Milly Bobby Brown) e Max (Sadie Sink) já tinham dado uma espichada, eles se tornaram, como dizem os irmãos Duffer, “jovens adultos”. Estão quase no ensino médio e, além dos perigos das ameaças do Mundo Invertido, precisam lidar com questões típicas dessa fase da vida: pertencimento a um grupo, amizade, relacionamentos.

Inicialmente, nossos heróis estão separados. Enquanto Eleven, Mike e sua família estão morando na Califórnia, a outra parte dos amigos continua em Hawkins. Na nova escola, onde é tratada como estranha, e sem seus poderes, a garota encara o bullying e não consegue se encaixar na nova cidade.

O fato dessa fase da adolescência ser tão desafiadora na vida de muitas pessoas também justifica o clima sombrio que a história assume, explorando temas como ansiedade e depressão. Vecna é um pouco de como um monstro pode representar isso, explica Matt. “É por isso que esta temporada tem tons e texturas diferentes das outras”, pontua o diretor e roteirista.

Lutando contra demônios

Vecna pode ser o maior dos inimigos a serem enfrentados, mas não é o único demônio desta temporada. Dado como morto, mas anunciado como sobrevivente no trailer, Hopper (David Harbour) enfrenta seus fantasmas internos.

Após a explosão que o teria matado, como nos fez acreditar o episódio final da terceira temporada, o policial é preso por russos. É aí que seu inferno começa. “Ele vai ter que lutar contra demônios”, diz Harbour em entrevista por vídeo ao Estadão. “Existem os de fora e os de dentro dele”, conta. Mais uma vez ele vai precisar encarar um Demogorgon para salvar sua vida.

Este ponto de vista da trama inclui também as personagens de Winona Ryder e Brett Gelman, Joyce e o conspiracionista Murray, que ganhou mais destaque nesta temporada. Os dois se unem para tentar encontrar o paradeiro do policial.

“Tinha uma razão para ele estar em seu bunker, acho que ele tinha perdido a fé na humanidade”, conta Gelman. “Agora, ele se torna parte do mundo novamente”, diz. O personagem, que surgiu na segunda temporada para ajudar a resolver a trama, foi ganhando espaço e, agora, se tornou parte do elenco fixo.

Início do fim

Quando a segunda parte da quarta temporada estrear em julho, os fãs de Stranger Things podem começar a dizer adeus à série, já que a quinta será também a última. O clima por enquanto não é de despedida, já que uma boa parte da história ainda vai ser contada.

“Ficamos emotivos pensando nisso, os atores, todos os envolvidos na série se sentem como uma família”, conta Ross. “Nós amamos escrever, contar essa história, mas não queríamos começar a nos repetir”, diz, explicando a decisão de dar fim à série na próxima temporada.

E tá tudo bem! Se depender do rumo que a quarta temporada tomou, os irmãos Duffer mostram que a série seguirá sendo um sucesso até seu encerramento e seguirá arrastando uma legião de fãs tanto no mundo real quanto no invertido.

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