Pinturas sacras da Basílica são danificadas por infiltrações

Várias infiltrações de água da chuva causam danos em pinturas sacras da Basílica Santo Antônio de Pádua; obras emergenciais foram iniciadas


Infiltrações de água da chuva causaram danos em ao menos três pinturas sacras da Basílica Santo Antônio de Pádua, em Americana.

Foto: Marcelo Rocha - O Liberal.JPG
As belas pinturas da Basílica apresentaram traços de deterioração por causa das infiltrações

Segundo o Condepham (Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico e Cultural de Americana), já havia sido constatada a necessidade de impermeabilização da laje do prédio em maio de 2018, enquanto o templo era administrado pelo padre Leandro Ricardo. Mas elas foram iniciadas há duas semanas, em caráter de emergência, pelo pároco Edmilson José da Silva, que assumiu a Basílica em janeiro.

“Quando fizemos uma visita, em meados do ano passado, sobre obras e mudanças que vão fazer na secretaria, eles mencionaram que na época já estava tendo essas infiltrações”, explica Deoclécio Antônio de Souza, 1º secretário do Condepham.

Como as obras foram iniciadas emergencialmente, agora é necessário que a Basílica relate oficialmente os serviços de manutenção ao conselho, explica Deoclécio. Quem vai acompanhar os serviços e regularizar a situação junto à entidade é a arquiteta Juliana Binotti, que já foi responsável por outras obras no templo.

“O padre ficou preocupado que começou a estragar as pinturas artísticas embaixo [da laje], então ele correu chamar alguém que pudesse ajudar a resolver o problema da impermeabilização. Agora, ele me chamou para que eu possa acompanhar”, explica Juliana.

Uma reunião para discutir o assunto foi realizada nesta sexta-feira, com Juliana, padre Edmilson, Deoclécio e o secretário de Cultura e Turismo, Fernando Giuliani. “Nos colocamos à disposição para orientar no que ele precisar, principalmente por ser um prédio que envolve turismo religioso”, apontou Fernando.

As obras de impermeabilização devem durar cerca de um mês e meio, segundo o pároco. “A preocupação fundamental é evitar a piora da arte sacra, daí o caráter emergencial. Tem outras infiltrações nas sacristias laterais, na abóbada, na parte externa já está soltando um beiral, resultado de infiltrações, mas o processo de manutenção começa justamente por causa disso”, afirma o reitor.

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Deoclécio Antônio de Souza, do Condepham, convocou uma reunião de emergência nesta sexta-feira para debater o caso

DANOS. No local, a reportagem constatou danos causados pela umidade em uma pintura que adorna um vitral, nas laterais de um quadro com uma passagem bíblica e uma mancha em forma circular bem no centro do quadro “Jesus e o Jovem Rico”, feito em 1967 pelo pintor italiano Pedro Gentili. Ele e seu irmão Uldorico Gentili realizaram as pinturas sacras no local entre 1961 e 1967. A Basílica é a maior do estilo neoclássico do Brasil.

“O que danificou um pouquinho foi essa parte de pintura lisa. Não há uma pintura muito decorativa nesse canto. Então, ali é passível de restauração”, explica a arquiteta responsável.

Ela ressalta, no entanto, que o restauro delas demandará mais tempo. “Vai demandar uma empresa especializada em pinturas artísticas. Não são muitas no Brasil. É um processo mais caro e nem tem orçamento disso ainda”, acrescenta.

Em nota, Padre Leandro informou que em maio de 2018 foi aprovado pelo Condepham um projeto de adaptação litúrgica que envolvia a sacristia, secretaria e o altar mor, mudanças que foram posteriormente adiadas. “Em nenhum momento foi discutido ou apresentado qualquer projeto sobre impermeabilização, até porque não se sabia dos problemas na época”, garante o religioso.

Ele ressalta que encontra-se afastado da Basílica desde janeiro, não sendo, portanto, o responsável pelas obras de manutenção da igreja desde então e que em sua gestão “jamais se furtou da responsabilidade de preservar o templo”.

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