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Parte autoral

Pedro Vasconcelos: transição entre as carreiras de ator e diretor

Diretor de sucessos da Globo, Pedro Vasconcelos busca mais autonomia ao investir em sua própria produtora

Por TV Press

15 jul 2020 às 07:58 • Última atualização 15 jul 2020 às 16:50

Pedro Vasconcelos tinha apenas 15 anos quando pisou pela primeira vez em um estúdio de tevê. Na época, deu vida ao esperto Tica, de “Top Model”. Curioso e atento, se apaixonou pelos bastidores a ponto de querer entender cada vez mais sobre as engrenagens do vídeo. Ao longo do tempo, conseguiu fazer a transição entre as carreiras de ator e diretor.

Hoje, aos 46 anos, dá um novo passo nessa relação íntima com o audiovisual ao investir em sua própria produtora, a Boa Ideia Entretenimento. Em fase de gravação e edição, o primeiro projeto da casa é a adaptação do livro “Casais Inteligentes Enriquecem Juntos”, de Gustavo Cerbasi, para o formato de série. Feita em parceria com o canal GNT, a produção tem estreia prevista para o segundo semestre.

Para Pedro, é na produtora que terá a liberdade de fazer os projetos que vem idealizando há anos e que não conseguiu emplacar – Foto: Divulgação

Natural do Rio de Janeiro, Pedro tinha uma carreira ascendente como ator, com papéis de destaque em “Fera Ferida” e “A Próxima Vítima” quando decidiu seguir por trás das câmeras. Inicialmente, sob a batuta do falecido Roberto Talma, começou a dirigir programas infantis como “Bambuluá” e “Sítio do Pica-pau Amarelo”.

Até que entrou para a equipe de diretores de “Alma Gêmea” e, pouco a pouco, conquistou espaço no setor de teledramaturgia da emissora, assinando a direção geral de sucessos como “Escrito Nas Estrelas”, “Império”, “Além do Tempo” e “Espelho da Vida”, sua estreia como diretor artístico.

Em isolamento por conta do Coronavírus, Pedro tenta “tocar” de casa todos os projetos que está envolvido. Na lista, a novela das seis “Além da Ilusão”, o filme “O Mágico Di Ó”, e o documentário “Maurício de Sousa – O Realizador de Sonhos”, sobre a vida do criador da Turma da Mônica.

As gravações da série “Casais Inteligentes Enriquecem Juntos” estavam a pleno vapor quando foram interrompidas por causa da pandemia. Qual foi o momento que você percebeu que não teria mais como continuar os trabalhos?

Pedro Vasconcelos
Desde o início de março que essa paralisação já era discutida. Em meados do mês, os casos no Brasil estavam aumentando e recebi um vídeo de uma amiga que mora na Itália. Todos ficamos muito chocados com as imagens do caos social por lá e decidimos poupar todos os profissionais envolvidos de uma possível explosão de infecções por aqui.

Aos poucos, as medidas de isolamento estão sendo afrouxadas. Você já está pronto para voltar aos estúdios?

Pedro
Ainda estou aguardando o desenrolar dos acontecimentos. É preciso definir um protocolo de segurança muito rígido para que todo mundo trabalhe de forma adequada. Conseguimos adiantar a edição de tudo o que foi gravado e estamos vendo possíveis adaptações do roteiro para a volta. Até sair uma vacina, todo cuidado é pouco.

As gravações de “Além da Ilusão”, novela na fila do horário das seis da Globo, ficaram para o ano que vem. Em qual estágio estava a pré-produção do folhetim?

Pedro
Boa parte do elenco já estava escalado e iríamos começar a fazer as viagens para definir de vez as locações e começar a preparação dos atores, que é muito necessária em novelas de época. Alessandra (Poggi, autora) continua escrevendo e entregando os capítulos e toda a equipe segue muito integrada. Segundo a Globo, voltamos com força total no primeiro semestre de 2021.

Este ano você completa duas décadas na direção. Foi difícil fazer a transição de ídolo jovem para diretor artístico?

Pedro
Fácil não foi. Mas tive o apoio de muita gente. A primeira pessoa que acreditou em mim foi o Roberto Talma. Mesmo assim, tive de batalhar uns cinco anos para integrar a primeira equipe de direção de novela, que foi em “Alma Gêmea” (2005). Aprendi muito com todos os profissionais que trabalhei. Me tornei diretor geral em 2011 e, em 2018, fiz minha primeira novela como diretor artístico. Tenho muito orgulho dessa trajetória e ainda quero ajudar a contar muitas histórias.

Você está sempre envolvido com novelas dentro da Globo. Fundar uma produtora é uma forma de trabalhar em outros formatos e garantir uma certa independência de conteúdo?

Pedro
É bem por aí. A Boa Ideia Entretenimento é a realização de um sonho muito antigo que ainda está em construção. Meu objetivo é produzir e realizar projetos que eu desenvolvi por muitos anos que não têm espaço na televisão. Projetos de cinema, teatro, conteúdo para internet e educativos. São ideias pessoais, que tem de ser feitas de forma independente das grandes empresas, sonhos que quero realizar, com times pequenos e que sonhem junto comigo. A produtora é o grande projeto da minha vida.