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Literatura

Obras de Fernanda Young em audiolivro

Por Agência Estado

08 mar 2020 às 07:00 • Última atualização 27 abr 2020 às 11:10

A escritora, roteirista e atriz Fernanda Young, morta em agosto do ano passado aos 49 anos, ganhará uma homenagem durante as próximas semanas: quatro dos seus principais livros serão transformados em audiolivros, narrados pelas atrizes Malu Mader, Fernanda Nobre e Marisa Orth, além de Renata Young, irmã da autora. A partir deste domingo, 8, a plataforma de audiolivros Ubook publicará uma obra dela nesse formato por semana, até o fim de março.

O primeiro será Pós-F: Para Além do Masculino e do Feminino, livro que se tornou seu principal trabalho de não ficção ao compilar textos autobiográficos e ensaios opinativos sobre a questão de gênero, que ganha locução de Malu Mader.

“Ela fala coisas muito bonitas nesse livro, coisas caras a mim, e muito do que está ali eu gostaria de ter escrito”, conta, em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, a atriz, que vinha conversando com Fernanda dias antes de sua morte para levar um de seus textos ao teatro.

Malu, que já havia gravado um audiolivro de Clarice Lispector, conta que a experiência foi bem diferente desta vez, muito mais emocionante, pelo fato de dar voz às palavras de alguém que ela conhecia. A atriz lembra que havia lido Pós-F pouco tempo após seu lançamento, em 2018, e chegou a presentear várias pessoas com o livro.

“Eu me identificava com o que estava escrito ali, e admirava a coragem dela em um momento em que todo mundo parece carecer de uma voz independente, própria, não de falar apenas para agradar”, afirmou Malu. “Estamos em um momento no qual as pessoas estão se autocensurando, e isso inibe a arte de atingir o que ela precisa. Mas a Fernanda sempre conseguiu atingir, e por isso ela merece todas as homenagens possíveis.”

Além de Pós-F, os demais títulos selecionados para essa homenagem são a coletânea de poesia Dores do Amor Romântico, narrada por Renata Young, e os romances de ficção Efeito Urano e O Pau, na voz das atrizes Fernanda Nobre e Marisa Orth, respectivamente.

“Para mim, foi um presente, uma maneira de retribuir essa declaração de amor da Fernanda”, disse a irmã da escritora, Renata Young, a quem Dores de Amor Romântico foi dedicado. “Ela tinha o hábito de ler seus poemas para mim desde pequenas, na época em que dividíamos nosso quarto.”

Para ela, Fernanda não fez concessões de nenhuma espécie em sua vida, o que se reflete na literatura: “Ela não deixava o leitor na sua zona de conforto. Ela provocava o leitor, até mesmo para sentir coisas desagradáveis às vezes.” Em um dos momentos da locução, Renata chegou a se emocionar, e decidiu manter aquele trecho sem edição no audiolivro. “Foi uma saudade boa, vivenciei uma nostalgia que me fez bem”, disse Renata.

“Foi um trabalho em conjunto com várias mulheres envolvidas que admiravam muito a Fernanda”, celebra Cristina Albuquerque, gerente de conteúdo do Ubook. Ela conta que a autora, pouco antes de morrer, já estava em contato com a plataforma para transformar suas obras em audiolivros, que seriam narrados por ela mesma.

Ela relata também que a data de publicação do primeiro audiolivro não foi escolhida por acaso. “Ela era uma mulher tão marcante e atemporal na literatura brasileira, não tinha uma data melhor do que o Dia Internacional da Mulher para o lançamento”, acrescenta Cristina.

Apesar de Fernanda não ter sido uma consumidora de audiolivros, sua agente literária, Eugênia Ribas, lembra que na série Odeio Segundas, que foi ao ar pelo GNT, a autora, além de roteirizar a trama, era a narradora em off dos episódios. “Ela sempre teve um lado radialista, locutora. Ela tinha uma grande potência vocal e sabia disso. Casar o interesse da literatura com esse talento era para ela o melhor dos mundos.”

Ribas revela que o primeiro livro que Fernanda narraria seria Tudo o que Você Não Soube. “Não só por ser curto, mas ele é como uma carta ao pai da protagonista, dizendo o que ela fez e não fez a despeito dele tê-la deixado, é um livro muito bonito e ela queria começar por esse”, conta a agente. “A literatura da Fernanda é muito verborrágica. Ganhar voz faz todo o sentido.”

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.