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Good Vibration – Vol. 1

Natiruts celebra trajetória de 25 anos com novo álbum

Tendo o clipe de “Ela” como cartão de visitas, disco evidencia parcerias nas composições com artistas brasileiros e do exterior

Por Isabella Holouka

08 jun 2021 às 07:14

A musa toda linda, da pele cor de canela que reflete o brilho do sol… e a brisa traz o som. Com 25 anos de história, Natiruts era good vibes bem antes que o termo virasse algo recorrente no pop brasileiro – ainda nos anos 1990, a banda fez a conexão pioneira do balanço revitalizante do reggae jamaicano com um Brasil cheio de ritmos envolventes e de belezas naturais.

Essa é a combinação de riquezas artísticas que o cantor Alexandre Carlo e seus companheiros renovam com “Ela”, faixa lançada no finalzinho do último mês com o mais novo álbum do grupo, “Good Vibration – Vol 1.”.

Reggae romântico, muito brasileiro mas também meio latino e meio blues, “Ela” é um cartão de visitas do disco. O clipe sedutor é estrelado pela atriz Débora Nascimento — em cenas filmadas no interior e no exterior do Museu Nacional de Brasília, famoso por suas curvas desenhadas pelo arquiteto Oscar Niemeyer. Natureza e arte se entrelaçam na levada tão suave quanto hipnótica dos Natiruts.

Composição do baiano Djaluz, “Ela” foi uma canção na qual Alexandre Carlo diz ter sentido “algo de Natiruts” e, portanto, a possibilidade de inseri-la no universo da banda. “‘Good Vibration’ é o mais colaborativo da nossa história. Como vocalista, eu queria utilizar mais meu lado de intérprete e também mostrar ao público alguns excelentes compositores de reggae que temos no país”, diz Alexandre.

Clipe sedutor da música “Ela” é estrelado pela atriz Débora Nascimento – Foto: Thaís Mallon

“Good Vibration” é um disco que se propõe a aliviar a barra pandêmica de um mundo inteiro, levando a brisa, o sol e as vibrações positivas a todos que deles necessitam, não importa onde.

“Conscientes do desastre governamental que nos assola, mesmo assim, não poderíamos deixar de sermos mais uma vez uma espécie de acalanto”, explica o cantor no Natiruts. “Poderíamos lançar esse disco em outro momento, mas decidimos falar agora de good vibrations, em oposição à falta de ética, de empatia, de organização e de responsabilidade do atual governo brasileiro. Pois sabemos que quem escuta Natiruts está esperando isso de nós.”

Mixado por Tony Maserati (que já trabalhou com Beyoncé e Ariana Grande, além de trazer algumas indicações ao Grammy na bagagem) e masterizado por Felipe Tichauer (engenheiro de som especializado em masterização, também indicado a Grammys), o volume 1 de “Good Vibration” vem para abrir os caminhos do Natiruts pelo mundo.

Capa do disco “Good Vibration – Vol 1.” – Foto: Thaís Mallon

Até 2022, um volume 2 e um documentário com toda a trajetória latina do grupo chegam para completar o pacote. Tudo no seu tempo, sem afobações, na cadência bonita do reggae, que é como o Natiruts vem pautando a sua vitoriosa caminhada desde o início, 25 anos atrás.

“É fidelidade àquilo em que se acredita que nos manteve aí, esse tempo todo”, ensina Alexandre Carlo. “A coragem de não seguir modismos para se adequar a questões mercadológicas na hora de compor as canções. Canções devem ter uma origem lúdica, espiritual. A aceitação do mercado é apenas uma consequência disso.”

Novo álbum evidencia diversidade de colaborações

Destaque entre as nove faixas do álbum, que tem seis músicas inéditas, “Rosas” é um reggae com um quê de tango e harmonias de bossa nova, no qual o Natiruts estabelece uma conexão Brasília-Barcelona com o espanhol Macaco, estrela da música latina.

“A música brasileira, as harmonias da bossa nova, sempre estiveram presentes e mescladas no nosso reggae. A participação do Macaco, trouxe esses elementos hispânicos, do violão até aquelas palmas característica da música flamenca. Foi uma fusão equilibrada que ficou perfeita”, conta Luís Maurício, baixista e fundador do Natiruts junto com Alexandre Carlo.

“É fidelidade àquilo em que se acredita que nos manteve aí, esse tempo todo”, ensina Alexandre Carlo – Foto: Thaís Mallon

Com os graves do baixo batendo nas costelas, “América vibra” junta o Natiruts à sumidade jamaicana do reggae Ziggy Marley (filho de Bob) e à atriz mexicana de origem indígena Yalitza Aparicio, que ganhou o mundo com a performance arrebatadora no filme “Roma” (2018, vencedor de três Oscars), de Alfonso Cuarón.

Canção que espanta o baixo astral sem perder a contundência, ela pode ser resumida pelos versos recitados, com muita propriedade, por Yalitza: “Não queremos ódio / nós somos amor”.

A jornada segue pela Bahia com “Reggae amor”, ao lado de Carlinhos Brown. Regue o amor, pede a música, com suas propostas lúdicas e muita positividade.

Já “Good vibration”, um samba-reggae-lounge do Natiruts com a cantora Iza, não faz diferente, pedindo suingue, alegria e som. “É a realização de um sonho gravar com o Natiruts, porque eu acompanho eles desde sempre. Acho que eles são uma referência no mundo inteiro quando falamos de reggae e música boa. Fazer parte desse projeto me deixa muito orgulhosa e ansiosa por mais parcerias como essa”, comemora Iza.

Debi Nova auxilia o grupo a potencializar o romantismo de “Que bom você de volta II”, canção sobre um muito aguardado reencontro de dois amantes, que navega nas ondas de um violão latino, de doces sopros e de harmonias vocais de bossa.

E o contingente do pop latino presente no disco se completa com o porto-riquenho Pedro Capó, que divide com o Natiruts a bossa-rap “Todo bien”, feita para espanar a tristeza com a dica de que “o que tiver que ser, será / o que importa é ver que o mundo está dançando”.

Sinônimo de good vibes no Brasil dos anos 20, o grupo fluminense Melim deixa a sua marca em “De tanto sol”, um reggae com toques funky, um bocado de provocação amorosa e um tanto de conforto para a alma.

Já em “Dia Perfeito”, quem dá o seu alô é o Planta e Raiz – grupo patrimônio do reggae brasileiro, da mesma geração do Natiruts –, que embarca no clima de amor, surfe e cabeça feita que a canção exala.

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