Zaíra traz novas influências ao público

Sem o “Dona” no título e roupas de astronauta, grupo piracicabano que se destacou no reality “SuperStar” encara mudanças e lança novo single


Quem nunca deixou de fazer algo por dinheiro? Foi pensando nas dificuldades financeiras que a banda Zaíra (a antiga Dona Zaíra), de Piracicaba, lançou na última semana o single “$$$ Dinheiro”. “Este single remete muito a fase em que o Brasil está, que estamos, aonde está faltando dinheiro para todo mundo. Partiu das vontades que temos e não conseguimos realizar por isso, mas daí existe a reflexão de que se é só isso que importa mesmo ou não”, explicou o vocalista Beibe, em entrevista com a banda na sede do LIBERAL na semana passada.

O grupo também é formado pelos músicos Rafa Virgolino (sanfona), Diego (triângulo), Rafinha (cordas), Matheus (contrabaixo) e Maicon (percussão e viola). “Todo mundo que ouve se identifica para caramba. Quem é que nunca quis estudar e se mudar para a capital? Quem é que nunca quis ter uma piscina no quintal? Mas não deu, porque faltou dinheiro, e no Brasil tem faltado dinheiro”, observa Maicon.

Foto: Lucas Jacinto - Divulgação
Banda traz influências reunidas sob produção do renomado Dudu Marote no single “$$$ Dinheiro”

Sem deixar o forró de lado, o Zaíra traz em seu novo single outras influências musicais, reunidas sob produção do renomado Dudu Marote. “É um produtor que não tem nada a ver com a música regional, tem mais a ver com a música eletrônica, sempre mexeu com pop rock, produziu Skank, Jota Quest, Pato Fu. É um cara de outro universo e entrou na nossa onda, rolou ‘uma vibe’ com ele”, lembra Beibe. A faixa é uma das quatro novas que devem integrar o próximo disco do Zaíra, previsto para 2017. O trabalho já tem projeto aprovado pelo Proac (Programa de Ação Cultural do Estado de São Paulo) e aguarda patrocínio.

O grupo consagrou-se por participar do reality show “SuperStar”, da Rede Globo, com o nome Dona Zaíra, tocando forró moderno com roupas de astronautas. Mas atualmente, não tem mais “Dona”, e o figurino também foi aposentado. “Deu vontade e a gente tirou o nome. A gente brinca que a ‘Dona’ Zaíra agora é uma mocinha, descolada”, explica Diego, com bom humor. “A mudança das roupas também foi um processo natural. A sonoridade da banda muda, e a estética toda muda junto. O show também teve mudanças, e o figurino acompanhou isso. Não foi sempre que usamos estas roupas, foi uma fase, em referência ao último disco ‘Antenas e Raízes’”, completa Beibe.

As mudanças não param por aí. Não só no novo single “$$$ Dinheiro”, como nos anteriores, é possível perceber “novos ares” na sonoridade do grupo. O vocalista conta que o grupo sempre prezou em fazer um som no qual acredita, com diversas influências. “Acho que acontece em todas as bandas, em todos os estilos. O Queen, por exemplo, era uma banda que curtia muito Led Zepellin. Daí virou uma coisa que não tem nada a ver com Led Zepellin! Nós viemos da música regional, trazemos este forró junto com o novo, mas ouvimos de tudo”.

“É tipo fazer arroz, primeiro você começa só com água e sal, depois coloca uma calabresa, e daqui a pouco já está fazendo um carreteiro!”, brinca Diego. “A gente acompanha também a mudança do mundo. Estamos em 2016, onde há uma necessidade do corpo e da velocidade diferente. Tudo é muito mais rápido, porém os grooves acentuam de um jeito diferente, hoje o negócio está mais ‘swingadão’, e acho que estamos transitando de uma forma ‘massa’”, observa Maicon. “É que nem Camões disse, ‘Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades’”, conclui Diego.

Foto: Lucas Jacinto - Divulgação
O grupo consagrou-se no reality show “SuperStar”, tocando forró moderno com roupas de astronautas

‘O músico precisa saber tocar sua própria carreira’

Há quem pense que o grupo piracicabano é composto somente por seis integrantes. Mas, ao todo, a equipe do Zaíra tem cerca de 12 integrantes. São colaboradores que atuam não só na parte musical, mas com a divulgação e distribuição do trabalho do grupo independente. “Somos de uma nova geração de músicos. Quando começamos, já havia internet, o caminho já era outro. Temos dificuldades como as de qualquer empresa. Entrei no grupo quando tínhamos três anos de banda, daí começamos a construir esta história de forma séria, com pessoas trabalhando com a gente, como nosso próprio escritório. No mundo da música, o investimento é muito alto e intangível”, lembra Diego.

Matheus ressalta que, para o músico atual, tocar bem não é o suficiente para alcançar o sucesso. “O músico precisa saber ‘tocar’ sua própria carreira. A internet democratizou muito o acesso e a produção de música. Qualquer um pode produzir seu trabalho em casa. O diferencial para conseguir alcançar alguma coisa é saber gerir a sua carreira, e saber diferenciar o trabalho dentro e fora do palco”, completa Matheus.

Diego ainda conta que a maior dificuldade nesta independência é saber diferenciar o ‘músico-empresário’ do ‘músico-artista’. “Antigamente, o cara só se preocupava com a arte, pois tinha uma agência que fazia a parte burocrática. Hoje, ele também cuida da parte burocrática, que influencia no artista, nem sempre de uma maneira boa. Na arte é preciso ser intenso, e as vezes precisamos parar de nos dedicar à arte para cuidar da parte burocrática”.

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