Tecnologia encurta distâncias em parcerias para projetos musicais

Facilidades virtuais permitiram a músico de Campinas parceria com ex-Iron Maiden e gravação entre ícones do forró


Se fosse nos anos 1990, com o acesso à rede internacional de computadores ainda engatinhando, só seria possível com caras ligações internacionais realizar a parceria que o músico campineiro Brunno Mariante conseguiu: terá Blaze Bayley, ex-vocalista do Iron Maiden, participando de um videoclipe de seu primeiro disco solo, após realizar contatos com seu empresário pela Internet. Hoje, não são apenas compartilhadas palavras por tais meios, mas até arquivos completos de gravações são transmitidos em tempos reais de estúdios para estúdios para que canções ganhem corpo.

No caso de Brunno, após as conversas virtuais com o empresário de Bayley e a percepção de que o músico era acessível, não teve dúvida: pegou um voo até Londres para continuar a conversa ao vivo. Também tinha uma ideia na cabeça, realizada em território europeu: filmou o vocalista dentro do pub londrino Underworld e juntará o material com cenas dos demais membros da banda se apresentando em um bar de Campinas. “Terão cenas, também, do Felipe Machado da banda Viper, que gravou um dos solos desta música”, revela. O vídeo reúne as partes 1 e 2 da canção “Liar” e deve ser lançado entre outubro e novembro.

Foto: Divulgação
 O guitarrista Brunno Mariante, de Campinas, fez contato via internet com o ex-vocalista do Iron Maiden, Blaze Bayley, que é inglês

O disco “Heall Or Kill” foi lançado em maio e recupera composições do vocalista que não haviam sido aproveitadas em outros projetos que integrou. Entre as influências, estão Judas Priest, Metallica, Viper e o próprio Iron Maiden.

Das guitarras para a sanfona, outra parceria permitida pelas nuvens virtuais foi de Enok Virgulino com Elba Ramalho, no primeiro disco solo de forró do ex-integrante do Trio Virgulino, que foi lançado no mês passado. Os vocais da cantora para “A Luz de Meus Olhos” pegaram uma ponte aérea por meio de megabytes no Nordeste e aterrissaram em Americana.

“Ela ficou muito doida pra gravar, mas nunca podia, por causa da correria toda. E sumiu de férias lá pela Paraíba e eu não conseguia falar com ela. Aí, depois, quando foi um dia, eu estava aqui nessa rede e aí tocou a mensagem: ‘Enok, me desculpe, eu não vi nenhuma das mensagens dessas suas. Agora que estou vendo. Vamos marcar’. Aí pronto. Mandei pra ela, ela gravou lá e mandou pra gente, no estúdio. Hoje, a tecnologia facilita a vida das pessoas”, celebra o músico, que já experimentou o outro lado da moeda, quando era necessário gastar dinheiro e tempo para um trabalho como este.

“Da outra vez que a gente gravou, eu fui na casa dela gravar com o Trio Virgulino. A Internet não tinha ainda esse poder de transportar dados assim. Eu tive que ir na casa dela. Aí a gente pegou um avião aqui, gastou com passagem aérea, táxi, tudo. Agora, nem gastei (risos). Manda pela Internet. Ela devolveu, pronto. Na outra semana, primeira coisa que ela fez: ‘Enok, já tá lá, no estúdio’”, acrescenta.

TRÊS ESTADOS

A conectividade por meio de redes sociais também permite um perfil de banda como o da Earlier, grupo de indie rock que reúne dois membros de Americana, um de Volta Redonda (RJ) e outro de Brasília. “Usamos muito um grupo que temos no WhatsApp para definir tudo, e também gravações de celular, para músicas novas”, conta Lucas Macedo, vocalista e guitarrista americanense. Dessa forma, os encontros ocorrem praticamente para ensaios e vésperas de apresentações. “Tentamos sempre nos encontrar um dia antes do show pra ensaiar. Mas, também, algumas vezes nos encontramos para produzir, mas agora tem sido menos devido aos shows”, revela.

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