Renan Inquérito festeja 2 décadas de luta pelo rap

Rapper de Nova Odessa repagina criações do início da carreira em novo projeto


Foto: Marcio Salata - Divulgação
Renan Inquérito se surpreendeu com o fato de muitas músicas antigas ainda soarem atuais

“Bumerangue” é o título do sétimo disco de Renan Inquérito, que terá sua primeira música e clipe lançados nesta sexta-feira nas plataformas digitais. E o nome do disco sintetiza a ideia do projeto, que celebra os 20 anos de carreira do rapper novaodessense.

Como se pegasse de volta bumerangues que lançou no ar anos atrás, no álbum ele traz releituras de músicas de seus três primeiros discos. E esse movimento tem tanto nuances de atemporalidade quanto de novidade. O trabalho ainda inclui inéditas.

Em relação às repaginações, ao mesmo tempo em que buscou letras de mais de dez anos que tratavam de assuntos que seguem atuais hoje, o artista buscou novas roupagens melódicas e rítmicas para faixas que ele considerou “pouco aproveitadas” em projetos anteriores.

Primeira releitura lançada, o rap “C Consegue 2.0” resume essa proposta. Ela traz uma letra toda construída com palavras começadas com a letra C e foi gravada pela primeira vez em 2004, no disco de estreia “Mais Loco Que U Barato!”.

“Ela fala de chacinas que aconteceram: Carandiru, Candelária, Carajás, Corumbiara, e hoje continuam acontecendo chacinas. Teve a de Maricá, no Rio de Janeiro, a de Osasco, em São Paulo, a dos presídios na guerra das facções, você continua tendo assassinatos de pessoas inocentes. O ‘C’ que era de Cabral, de Capitania, de capitão do mato, agora é do capitão que virou presidente. Então, ela é super atual”, afirma Renan.

Ele acrescenta que a alteração nas letras foi mínima e evidenciam a falta de capacidade do Brasil em evoluir em alguns aspectos. “Ou minhas letras têm essa capacidade enorme de atravessar o tempo e ser atuais, quase prevendo o futuro, ou é o Brasil que é um eterno déjà vu, um eterno replay de problemas sociais”.

RITMO E MELODIA. A liberdade para alterar o formato original também fica claro. “C Consegue” era uma espécie de interlúdio do primeiro álbum, uma poesia declamada para fechar o disco. “Aqui ela deixou de ser poesia, virou um trap – subgênero do rap -, tem baterias eletrônicas, vários efeitos nas vozes. Isso deixou ela atual no ponto de vista da letra, mexendo em algumas coisas e do ponto de vista musical, rítmico, trazer novos timbres, novas participações”, explica.

Convidados. O disco também ganhou participações especiais que não existiam nas versões originais. Bumerangue” vai reunir nove músicas, mas elas serão lançadas aos poucos, sem aviso prévio sobre a lista completa de faixas repaginadas.

“Não quero lançar o disco todo de uma vez como sempre fiz, quero lançar uma música por mês, afinal é um aniversário de 2.0 poxa, uma data muito especial. Não pode durar um dia só ou um mês, tem que durar o ano todo”, finaliza.

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