Relembre a passagem do Mamonas por Americana

Banda se apresentou na sede náutica Rio Branco Esporte Clube; produtor e fãs falam exibição, que reuniu mais de 4 mil pessoas


Em novembro de 1995, o grupo Mamonas Assassinas veio para Americana para realizar um show na sede náutica do Rio Branco Esporte Clube. O evento, mais uma tradicional domingueira da cidade, mobilizou a cidade inteira na noite do dia 5 daquele mês.

Um dos responsáveis por trazer a banda para a cidade, José Luiz Meneghel, lembra que o show recebeu mais de quatro mil pessoas, e que os ingressos chegaram a ser vendidos por até R$ 80 na portaria (R$ 50 reais a mais que o valor inicial do evento). A apresentação aconteceu quatro meses antes da morte dos artistas, vítimas de um acidente aéreo.

“Estava no meu carro e ouvi no rádio a música da ‘Brasília Amarela’. Na noite anterior havíamos realizado a ‘Noite do Jegue’, também no Rio Branco, e tinha dado muito certo! Esse tipo de coisa meio brega na época era o que estava dando certo”, lembra Meneghel. Ele resume o evento como “uma loucura total”.

“O alvará do clube era 14 anos, e a ‘molecadinha’ de 10, 12 anos vinha pedir pelo amor de Deus para entrar! Dobramos o número de segurança para que tudo ocorresse da maneira mais tranquila, e não tivemos nenhum incidente naquela noite”. Um dos jovens que ficaram do lado de fora do show foi o cantor Adriano Lucas dos Santos, 31, que na época tinha 12 anos de idade.

Hoje ele é vocalista da banda Lua Nua, referência nacional entre covers de Mamonas Assassinas. Ele estava ajudando o tio a vender sucos na área externa do evento. O tio, que era amigo dos seguranças, convidou o sobrinho para entrar e assistir aos Mamonas, mas Adriano preferiu continuar ajudando nas vendas, pois pensava que em breve poderia ter outra oportunidade de ver a banda.

Foto: Adriano Lucas dos Santos / Arquivo pessoal
O grupo Mamonas Assassinas pouco antes de iniciar o show no Rio Branco, em novembro de 1995

“Naquela época eu não era fanático por eles como sou hoje. Gostava de vê-los na tevê, e fiquei bastante comovido com as imagens do acidente”, conta. Wemer Santana, 35, tinha 15 anos na época e conseguiu entrar no Rio Branco. “Na época o grupo estava no auge, e eu com alguns amigos ficamos sabendo que eles viriam”, recorda.
“O show era muita ‘zoeira’, eles eram muito brincalhões. Que pena que eles tiveram que partir cedo”, lamenta o fã que sabia cantar todas as músicas do grupo.

O produtor do show em Americana, José Luiz Meneghel, foi um dos poucos que teve a oportunidade de chegar perto dos integrantes. “O pessoal era muito profissional, apesar de ser meio extravagante. A bebida deles de camarim era isotônico e água de coco. Ninguém bebia bebida alcoólica. Realmente tudo o que eles faziam era muito espontâneo. Não atrasaram, nem nada, fizeram tudo certinho”.

Ele conta que, 15 dias antes, o empresário da banda ligou oferecendo o dobro do valor do contrato da banda, de R$ 9 mil reais, para cancelar o show em Americana. “Porque a explosão deles foi meteórica! Eles me ofereceram R$ 18 mil porque com certeza venderia por R$ 100 mil em outro lugar. Eles fizeram outros dois shows em cidades diferentes, antes de vir para Americana”, observa. Meneghel enfatiza que se o acidente não tivesse acontecido, a banda teria sido uma das atrações da Festa do Peão de Americana de 1996.

Musical estreia nesta sexta-feira em teatro de SP

Foto: Ike Levy / Divulgação
Grupo de atores levará para o palco a história dos cinco músicos de Guarulhos

“O Musical Mamonas” estreia nesta sexta-feira (11) sua temporada no Teatro Fecomércio, na Sala Raul Cortez, na capital paulista. O espetáculo de Walter Daguerre tem direção de José Possi Neto, direção musical de Miguel Briamonte, e coreografias de Vanessa Guillen.

O musical apresenta a mesma irreverência que os integrantes Bento, Dinho, Júlio, Samuel e Sergio demonstravam dentro e fora dos palcos, representados pelos atores Ruy Brissac, Adriano Tunes, Yudi Tamashiro, Elcio Bonazzi e Arthur Ienzura, todos escolhidos em audições.

O espetáculo demonstra como, na base da persistência, os artistas conseguiram driblar os maus olhos do show business e conseguiram a aceitação da mídia mesmo com essa postura divertida e músicas escrachadas.

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