Vídeos com bastidores se popularizam entre bandas de Americana

Em meio às facilidades tecnológicas, criações de minidocumentários com bastidores da produção de discos têm se disseminado entre bandas de Americana


Em tempos nos quais grandes bandas como o Rolling Stones tinham seus bastidores filmados por mestres do audiovisual, como Jean-Luc Godard e Martin Scorsese, não era qualquer grupo musical que tinha o privilégio de mostrar ao mundo como é o processo de criação e gravação de suas músicas.

A logística e investimento financeiro que envolviam o transporte de caros equipamentos, equipe de gravação e articulação para divulgação do material são diferentes dos tempos atuais, nos quais celulares filmam em alta qualidade e redes sociais permitem livre publicação de conteúdo. É dessa facilidade que têm usufruído bandas de Americana para a produção e lançamento de minidocumentários e teasers dos bastidores de suas gravações.

Foto: Bianca Souza
A banda Vício fez um registro do momento dos músicos em um novo filme lançado exclusivamente na internet

“Produzir esse programa foi como tirar uma boa foto do que somos nesse momento, um belo registro que marca o início da Vicio”, afirma Gabriel Camargo, baterista da banda de rock alternativo Vicio, que criou a websérie “Meu Espaço” para divulgação de seu disco “Presente”.

A gravação ocorreu no Studio Cabrera, com a direção de Bianca Souza. Foram quatro episódios lançados semanalmente em redes sociais do grupo. No minidocumentário, filmagens da Vicio tocando novas músicas são intercaladas por conversas entre os membros, nas quais falam de diversos temas, como o tempo, ciclos da vida e o processo de produção do álbum.

“Nos dá autonomia e liberdade para produzir e também para expressar da forma que quisermos. Além de ser uma referência que eu, particularmente, gosto muito de assistir, gosto de ver as bandas em estúdio, como produziram tal disco ou música”, afirma Leonardo Cucatti, guitarrista da banda de post-rock instrumental Derrota, sobre o documentário “XXX”, que trata do processo de criação do disco que leva o mesmo nome e foi lançado no ano passado.

Nas entrevistas dos músicos, estão temas como a escolha por lançar em vinil, por inserir letra em uma das canções, explicação das metáforas que a capa do álbum carrega e influências dos membros. “Nós mesmo produzimos tudo, nos revezamos entre produzir o vídeo e as músicas, entre operar câmera e tocar. Nós mesmos nos entrevistamos, escolhemos os melhores takes. Enfim, tudo no melhor estilo ‘faça você mesmo’”, acrescenta Leonardo.

Gostar de assistir gravações dos bastidores de outras bandas também motivou a banda Organa a optar por este tipo de produção durante as gravações de seu primeiro EP, “Pigmento”, dividida em teasers que lançou nas redes sociais. “Achamos muito interessante assistir estes processos de gravação das nossas músicas. Mas, principalmente, hoje em dia, em que o audiovisual chama bastante atenção, todo material referente a banda é uma ferramenta importante. Nos vídeos, nós mostramos trechos da gravação das músicas e pequenos depoimentos da nossa primeira experiência em estúdio com a Organa”, contam o guitarrista Caio Negro e o baixista Bruno Nazo.

E a Organa vai repetir a dose. Neste mês, vai lançar um novo EP, com três músicas gravadas ao vivo no estúdio El Rocha, em São Paulo. Simultaneamente, vai apresentar um pequeno documentário, falando sobre as músicas e as gravações ao longo de janeiro.

LIBERAL VIRTUAL Acesse agora

Receba nossa newsletter!