Morador de Americana fez história na MPB

Compositor, produtor e diretor artístico de grandes nomes da música brasileira foi homenageado pela Câmara de Americana


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Em cada lugar onde os olhos de Antonio Carlos Carvalho pousam há uma história aguardando para ser contada – uma foto, um disco, um prêmio. O americanense de 73 anos foi homenageado pela Câmara Municipal por seus serviços prestados à cidade, mas, na verdade, sua contribuição ultrapassou os limites do município e alcançou a história da música brasileira. Carvalho conversou com a reportagem do LIBERAL na tarde de quarta-feira e contou alguns episódios que marcaram sua trajetória, e que têm como personagens músicos como Almir Sater, Elis Regina e Vinícius de Moraes.

Foto: João Carlos Nascimento - O Liberal.JPG
Carvalho atuou como produtor e diretor artístico de cinco gravadoras durante 35 anos

Ele começou sua carreira como jornalista e colunista no jornal LIBERAL na década de 1960. O passo seguinte de sua trajetória foi trabalhar na Rádio Difusora, em São Paulo, escrevendo pequenos textos para serem gravados pelos locutores. Apesar de ter começado na comunicação, a música sempre esteve presente em sua vida, seja nos programas de rádio que ouvia, seja nas apresentações que fazia em festas na cidade.

Foi por meio de seus ouvidos que ele conseguiu alçar voos mais altos. Carvalho atuou como produtor e diretor artístico de cinco gravadoras durante 35 anos. Nesse período, ajudou a lançar nomes como Belchior, Sylvio Brito, Amado Batista, Eduardo Gudin e Almir Sater – este Carvalho descobriu por acaso durante a apresentação de um outro artista. Contudo, ele teve que esperar um ano para que o músico finalmente conseguisse encontrar seu estilo e estar preparado gravar um álbum.

Um dos momentos mais importantes de sua carreira foi o lançamento do primeiro CD grupo Raça Negra. Ele precisou enfrentar todo o departamento de vendas da gravadora, que apostava no sertanejo naquele momento e não queria nem ouvir falar em samba e pagode. Sua teimosia fez com que o pagode dominasse a década de 1990 nas rádios de todo o Brasil, já que após o Raça Negra diversos outros grupos encontraram espaço.

Foto: João Carlos Nascimento - O Liberal.JPG
Carvalho teve mais de 100 músicas gravadas por vários artistas, como Tim Maia, Wilson Simona, Leonardo e Chitãozinho & Xororó

Intuição. Ele garante que sabia quando um artista faria sucesso antes mesmo de lançar um disco. Questionado como conseguia prever isso, ele respondeu que acredita em um certo misticismo, em alguma intuição. Ou, talvez, seja apenas um conhecimento profundo e um amor de uma vida toda à música. “O último gênero que aprendi a gostar foi a ópera, a gente aprende a ouvir de tudo”, conta.

Compositor, teve mais de 100 músicas gravadas por vários artistas, como Tim Maia, Wilson Simonal, Rolando Boldrin, Fafá de Belém, Paula Toller, Originais do Samba, Leonardo e Chitãozinho & Xororó.

“A música me levou para o mundo, sai navegando com a música, mas nunca deixei de lembrar de Americana, aqui é meu berço, o lugar onde me faz feliz”, disse Carvalho durante a cerimônia de entrega do título de cidadão emérito na Câmara.

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