Mamonas assassinas: ascensão e queda

Há 20 anos morria em um acidente trágico, o último fenômeno musical brasileiro


No início de junho de 1995, crianças e adultos começaram a cantar uma música que fazia sátira ao vira, ritmo tradicional de Portugal. A letra, bem humorada, contava a história de um português que acabava sendo convidado inocentemente para uma sessão de sexo grupal. Não era algo que os pais gostariam de ver suas crianças cantando, mas muitos deles também caíram na farra e se divertiam com a canção, que citava o sucesso do cantor luso Roberto Leal.

Foi assim que o Brasil ficou sabendo da existência de um quinteto de Guarulhos, que naquele mês lançava seu primeiro e único disco, que levava o nome do próprio grupo: Mamonas Assassinas. Pelos dez meses seguintes, os jovens músicos se transformariam em um fenômeno, vendendo mais de 2 milhões de cópias do disco e aparecendo em todos os programas televisivos. Tudo acabaria no dia 2 de março de 1996, há exatos 20 anos, quando o avião em que o grupo voltava de um show na cidade de Brasília bateria contra a Serra da Cantareira, definindo de forma trágica a meteórica carreira de Dinho (vocal), Bento Hinoto (guitarra), Samuel Reoli (baixo), Sérgio Reoli (bateria) e Júlio Rasec (teclados).

O escritor Chérry Filho, morador de Americana, é responsável por uma das primeiras biografias da banda, lançada ainda em 2006 e intitulada “Mamonas Assassinas – O Show Deve Continuar”.

Consegui na época ouvir vários familiares e até o áudio dos pilotos durante a queda. A obra ganhou um bom destaque e até hoje é citada por ai”, frisa o escritor.

Filho reforça o poder de comunicação do grupo, que conseguiu fazer humor sem concessões e não encontrar residência. “Meu filho tinha, na época, 3 anos de idade e cantava aquilo tudo. Isso mostra o poder comunicativo do Mamonas, que tinha uma inocência que não deixava espaço para críticas”, defende.

Em poucos meses, os hits foram se sucedendo: “Pelados em Santos”, “Robocop Gay”, “Lá Vem o Alemão” e quase todo o álbum.

Os jovens músicos já estavam se preparando para entrar no estúdio no segundo semestre de 1996 para gravar seu segundo trabalho, mas isso não foi possível. Na madrugada do dia 2 de março, quando entraram em uma aeronave modelo Learjet 25D, prefixo PT-LDS, não mais desceriam para aproveitar aquele momento de megassucesso.

Foto: Divulgação
Os jovens músicos se transformariam em um fenômeno, vendendo mais de 2 milhões de cópias do disco

Musical

Na próxima semana estreia em São Paulo um musical sobre o grupo. O projeto conta a formação do quinteto, o megassucesso de mídia e a trágica morte. No papel do cantor Dinho, estará o ator Ruy Brissac. “Tanto tempo depois ver alguém imitando eles, alegres como eles eram, pra gente é muito gratificante “, declarou a mãe de Dinho, Célia Alves, ao conhecer o rapaz que dará vida ao seu filho sob o palco. Além de Brissac, integram o elenco, Arthur Ienzura (Sérgio), Elcio Bonazzi (Samuel), Yudi Tamashiro (Bento) e Adriano Tunes (Júlio).

O espetáculo será encenado entre 10 de março e 29 de maio no Teatro Raul Cortez, que fica na rua Dr. Plínio Barreto, 285, na Bela Vista, em São Paulo. Os ingressos custam R$ 120. Mais informações pelo telefone (011) 2771-3062.
50 anos em 5

Sucesso e fim do grupo aconteceu em pouco tempo

1991: O grupo surge na cidade de Guarulhos, na Grande São Paulo, com o nome de Utopia

1992: Gravam a primeira Demo, influenciados por grupos de rock como Legião Urbana

1995: Lançam seu primeiro disco, com o som modificado para um lado bem humorado.

1996: No auge do sucesso, o grupo sofre um acidente aéreo, onde morre todos os integrantes da banda

 

 

 

 

 

 

 

 

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