Karaokê: hobby ou sonho?

Cantores cativos dão fôlego aos karaokês da região, universo que une desconhecidos, revela talentos e tem até competição internacional


Tony recebe bilhetes da plateia com pedidos de músicas e tem participações especiais em suas apresentações. Odair tem sete anos de “carreira” e costuma pegar estrada para subir no palco. Na plateia, várias histórias. Namoros começaram e terminaram. Amizades constituídas, famílias formadas.

Você pode chamar esse ambiente de show. Tony também chama de “segunda casa”. Mas, na forma direta de denominação, é uma casa de karaokê, como muitas outras. Os artistas só precisam chegar e ocupar uma mesa. Públicos cativos dão fôlego para esse universo, que une desconhecidos, revela talentos e tem até uma competição internacional oficial.

Para o vendedor Tony Osés, 53, essa história começou há seis anos, quando se mudou de São Paulo para Americana e não conhecia ninguém na cidade. Como no passado teve uma banda de rock por dois anos, que tocava em bares, adotou uma casa de karaokê como o lugar para se distrair. De Elvis Presley e Beatles a Scorpions e U2, transportou um pouco de suas preferências para as caixas de som do local.

Foto: João Carlos Nascimento - O Liberal
Tony canta em karaokês de Americana há seis anos

Não demorou e já havia pessoas de outras mesas fazendo pedidos a ele. Abriu até exceções dentro de seu estilo. “Um cara de outra mesa veio e perguntou: ‘você canta música do Frank Sinatra?’”. Cantou. E não ganhou uma ou duas amizades na nova cidade. Vieram várias. “Tem o Odair, Miguel, Vagner, Rodrigo. Se alguém não vai, a gente já fala: ‘você não veio semana passada. Vou pedir pra descontar da sua folha de pagamento’”, brinca. Hoje, já há duetos e setlists previamente planejados. Tony leva a mulher e os dois filhos pequenos, que também assumem microfones.

Já Odair Solentino, 56, varia de sertanejo a Frank Sinatra, e de Tim Maia a Roberto Carlos, após viajar de Limeira a Americana para suas apresentações. Antes, fazia o percurso semanalmente, mas reduziu a frequência por causa do trabalho recentemente. “Antes eu até pensava (em ter banda), mas agora é mais por hobby. Agora passou dos 50 (anos) né”, conta ele, acrescentando que também fez várias amizades na “cena”.

COMPETIÇÃO

E o intercâmbio não ocorre apenas entre mesas quando o assunto é karaokê. Americana já recebeu até etapas nacionais do KWC, que é o campeonato mundial de karaokês. Tony e Odair, claro, participaram. Não se classificaram para representar o Brasil em outro país, mas continuam recebendo merecidas palmas e conquistando públicos em seus respectivos redutos.

Proprietária do Babuchi Karaokê, em Americana, Cristiane Oliveira conta que recebe público e cantores de Cosmópolis, Araras, Limeira, Campinas, Sumaré, Sorocaba, São Paulo, entre outras cidades. “Tem um pessoal frequente, que vai toda semana, que vem de outras cidades, que gostam, vão de casa em casa só para cantar, pessoas que participam de campeonatos”, relata.

Em seu estabelecimento, assim como em outros, o hobby atrai desconhecidos, que estão sentados em diferentes mesas e acabam interagindo. “Já teve namoro, já teve separação. São várias histórias”.

LIBERAL VIRTUAL Acesse agora

Receba nossa newsletter!