Compositor faz versão musicada de ‘Os Sertões’

Cantor Roberto Bach transformou “Os Sertões”, de Euclides da Cunha, em uma composição que une elementos popular e erudito


Foto: Marcelo Rocha - O Liberal
Roberto Bach canta na Praça Comendador Müller, em Americana

Uma das obras mais importantes da literatura brasileira, “Os Sertões”, livro escrito por Euclides da Cunha e lançado em 1902, narra os acontecimentos da Guerra de Canudos, realizada no interior da Bahia durante 1896 e 1897 sob a liderança de Antônio Conselheiro. Para tentar aproximar o texto das novas gerações e de possíveis novos leitores, o músico baiano Roberto Antônio Bach realizou um profundo trabalho de pesquisa e musicalização da obra.

O resultado desse trabalho é a ópera “Bahia Banhada em Sangue”, composta por 13 peças e que contou com a participação de músicos importantes, como Pepeu Gomes, e da Orquestra Sinfônica de Campinas. Disponível gratuitamente no YouTube, a obra abrange todas as três partes nas quais o livro é dividido – a terra, o homem e a guerra – e serve como um “resumo” do trabalho de Euclides da Cunha.

“Li o livro diversas vezes para condensar toda a história dentro dessa ópera”, afirmou o músico. “Infelizmente, o brasileiro é um povo que lê muito pouco, por isso, tive a ideia de fazer essas peças e tentar fazer as pessoas conhecerem e se interessarem mais pelo livro, que é uma obra fantástica e muito importante para nossa literatura”, ressaltou Bach, que acredita que, pela música, seja mais fácil absorver o trabalho realizado por Euclides.

Para tentar emular o ambiente e reforçar o valor histórico da Guerra de Canudos, “Bahia Banhada em Sangue” conta com instrumentos da época, como flauta de bambu, pífano e marimbau. Mesmo assim, Bach traz para a ópera elementos do rock progressivo, como a guitarra elétrica “a lá Pink Floyd”, diz o músico, para atrair o público mais moderno. “Disponibilizei esse disco online justamente para mais pessoas terem acesso”, complementou.

Roberto Bach tem viajado pelo Brasil divulgando a obra que julga um dos seus trabalhos mais intensos e passou nesta semana por Americana. Formado em violão e flauta pelo conservatório Dr. Carlos de Campos, é considerado um dos últimos trovadores modernos do Brasil. Possui diversos discos gravados – um deles, em homenagem ao cineasta Glauber Rocha –, disponíveis tanto no YouTube quanto no Spotify.

LIBERAL VIRTUAL Acesse agora