Banda Verde Vale traz décadas de história

Encabeçada por Jeová Pereira, que tem trajetória ligada ao cenário musical americanense, banda lança novo disco e remasterização do primeiro


O nome de Jeová Pereira está inevitavelmente ligado à história da música em Americana nas últimas décadas. Entre as provas disso estão a participação na primeira edição do Feca (Festival Estudantil da Canção de Americana), há 34 anos, evento no qual já venceu com a melhor composição; a parceria com o Trio Virgulino quando o grupo chegou do nordeste a Americana, no começo da década de 1980; e aulas de música que deu aos primeiros membros da banda do cantor Rodrigo José.

E o artista segue escrevendo novos capítulos desta trajetória, aos 65 anos. No último sábado, foi lançado nas plataformas digitais o segundo disco da Verde Vale, banda que encabeça como vocalista, guitarrista e compositor. Na mesma data, também foi disponibilizada uma versão remasterizada do primeiro álbum do grupo, que traz um rock mergulhado em uma época que Jeová conhece bem: os anos 1980.

Foto: Marcelo Rocha / O Liberal
O músico Jeová Pereira ensaia em sua casa para o novo disco que ele e sua banda devem lançar em 2019

O primeiro álbum, “O Som do Verde Vale”, tem sete músicas e foi produzido em 2013 no antigo Banana Estúdios. Além de Jeová, formavam a banda Glauco Campestre (baixo e voz) e Rodrigo Barros (bateria e voz). Um dos destaques do disco é a faixa título, que ficou conhecida como o hino do festival oitentista “O Som do Verde Vale”, que se tornou um marco na cidade.

O segundo álbum, “Sonhar”, também com sete músicas, foi produzido em 2018 no Pepper Studio. A banda teve alterações: Rafael Francischangelis fez arranjos e gravações dos baixos e Glauco Campestre fez participação especial em duas faixas nos teclados. “O Jeová tem uma relevância para a música em Americana que quase ninguém tem”, aponta Rodrigo Barros.

Sentado ao lado de sua inseparável Fender Stratocaster 1970 preta e branca na varanda de sua casa, na Rua Abolição, no Vila Santa Catarina, onde segue dando aulas de música, Jeová conta que cresceu ouvindo Yes, Jimi Hendrix, Led Zeppelin e O Terço.

“A gente faz isso pelo sonho, pelo prazer que você tem, de criança”, revela, sobre ter conseguido lançar dois discos com a Verde Vale. Do mais atual, fala com orgulho da faixa “Não Há Inocentes”, que traz uma crítica à guerra. “Na guerra, você sai com seus próprios amigos e vai lá se matar. E são os jovens que fazem isso, porque os mais velhos, que são os sargentos, estão lá sentados mandando fazer”, reflete.

E foi quando ele também era jovem que começou sua história com a Verde Vale, entre 1982 e 83, mas com outra formação. “Era eu, Marcelo, Edmilson, Teco”, recorda Jeová.

Mas entre esse início e as mudanças de formações e gravações, o músico integrou outras bandas de destaque no cenário local, como a Sol Laranja, com Beto Franco (guitarrista e vocalista), Sergio Kina (baixo) e Rubão (bateria); a Raiz Quadrada e a Tropa de Choque.

“Eu toquei no [festival] Verde Vale a primeira vez em 82 e quebrou a corda da minha guitarra. Fiquei preocupado, passou um amigo meu e ele falou: ‘eu sei de uns caras de Santa Bárbara que têm essa corda’. E aí eram o Kina e o Sergio Franco”, conta.

Professor de música há mais de 40 anos, ele aponta como um dos seus méritos a possibilidade de passar seu aprendizado adiante. “Eu tive muito aluno aqui que hoje eu vejo os moleques tocando e falo: ‘esse cara toca melhor do que eu’. É legal fazer parte de uma coisa que você impulsionou”.

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