Banda moderniza as bases do frevo clássico

Com roupagem mais progressiva ao ritmo tradicional, “Frevo Maligno” será a primeira faixa do novo disco do grupo Silibrinas, que será lançado em 2019


Depois de um giro pelo exterior em 2018, com uma temporada norte-americana nas cidades de Austin e Nova York e uma turnê europeia com passagem por Portugal e Espanha, a banda de música instrumental brasileira Silibrina lança o single “Frevo Maligno”, a primeira faixa do novo disco, intitulado “Estandarte”. A faixa está disponível em todas as plataformas de streaming.

Dando continuidade ao álbum de estreia “O Raio”, o septeto vai lançar o disco “Estandarte” no início de 2019. A brasilidade continua aflorada, o que pode ser visto no primeiro single, a faixa “Frevo Maligno”.

Foto: Divulgação
Amigos buscam diversão na hora das apresentações

Pianista e compositor do grupo, Gabriel Nóbrega explica que apesar da Silibrina já ter gravado diversos frevos, foi a primeira vez que ele próprio criou uma música no estilo típico de Pernambuco. “O desafio foi trazer o aspecto progressivo, uma vez que o frevo é tradicionalmente uma música de duas partes. A ideia era criar outros momentos e texturas”, conta. A música criada, além de ter três partes, traz improvisos distribuídos para piano, trompete e baixo. Esse último tem o solo principal, cuja a base é um jongo.

“O frevo já por si só é um gênero com muitas características semelhantes ao jazz, ele exige muita habilidade do músico, os temas são curtos, e por mais que normalmente sejam escritos, existe nele a tradição do improviso. Por esses e outros motivos eu enxergo o ‘Frevo Maligno’ muito mais como um frevo tradicional de roupa nova, do que um frevo misturado com jazz”, aponta ele, ao ser questionado sobre a presença de elementos deste segundo estilo na canção. Elementos do jazz são usados para transformar os ritmos tradicionais e criar a possibilidade de improvisos dentro do arranjo, explica o compositor. O músico ressalta que a virtuosidade não é uma premissa da banda e revela que em suas composições prioriza duas coisas: um arranjo que conte uma história e o prazer de tocar.

Para ele, seria impossível traduzir as notas de suas criações em palavras. “Para mim, a beleza da música instrumental é trazer sentimentos e sensações indescritíveis ou intraduzíveis em palavras. Obviamente, nas composições existe uma matriz que vem da cultura popular brasileira, mas o que me agrada é a ideia de transcender essa temática, usar isso como forma para um conteúdo que comunica com ouvintes de diferentes partes do mundo”, explica.

Com influências de jazz, pop e de ritmos da cultura popular brasileira, como frevo, maracatu e baião, o novo disco mostra, também, o processo criativo da banda, com a brasilidade aflorada, mais madura, explorando o que foi construído durante o primeiro ano de estrada. Piano, baixo, guitarra e metais se juntam a instrumentos de percussão muito presentes na música popular do Brasil, como o caracaxá, ganzá, timbal, alfaia, gonguê e o pandeiro. Também compõem o Silibrina Ricardinho Paraíso (baixo), Jabes Felipe (bateria), Matheus Prado (percussão), Wagner Barbosa (saxofone), Reynaldo Izeppi (trompete) e Gileno Foinquinos (guitarra), artistas de referências diversas e vindos de Belém do Pará, Pernambuco e São Paulo.

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