Reestruturação do varejo é vista como causa de crise nas livrarias

Para economista, principal motivo do encolhimento do setor foi a investida de grandes redes de outros ramos na área


Um estudo da CNC (Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo), a partir de estatísticas do Ministério do Trabalho, aponta que o número de livrarias e papelarias no Brasil reduziu 29% em 10 anos. Economista da CNC responsável pelo estudo, Fabio Bentes avalia que a principal causa deste cenário negativo para o setor não é a redução no número de leitores, mas uma reestruturação do varejo. Ao contrário do que preveem comerciantes de pequeno e médio porte da região, ele acredita que esta retração favorece os grandes investidores.

Os dados apontam que em 2007 existiam 73,7 mil estabelecimentos do tipo, enquanto em 2017 havia 52,6 mil. A queda é gradativa desde 2008. O Estado de São Paulo teve um encolhimento de 35%, igual ao de Roraima. Os dois só ficam atrás do Rio Grande do Sul, onde a queda foi de 37%. Já de 2016 para 2017 houve uma diminuição de 6% na quantidade de estabelecimentos no País.

Foto: Divulgação
Considerada a maior rede de livrarias do Brasil, a unidade da Nobel de Santa Bárbara trabalha com variados produtos, além dos livros

“A demanda de artigos de livrarias e papelarias está sendo atendida por outros ramos do varejo: lojas de departamentos, grandes portais de comércio eletrônico, lojas de utilidades domésticas, então aquele segmento típico, especializado na venda de livros e artigos de papelarias, está sendo encolhido por outros ramos do varejo”, aponta Fabio.

Ele cita os indicadores nacionais do varejo de janeiro a setembro deste ano, que mostram que as vendas no comércio cresceram 5%. “É um crescimento que a gente pode até colocar como frustrante, mas é um crescimento. O pior segmento do varejo é justamente livraria e papelaria, uma queda de 10%. Em segundo lugar vem o setor de combustíveis e lubrificantes que passou por uma crise bastante severa. Então, livrarias e papelaria é um ponto fora da curva nesse processo de recuperação do varejo”, analisa.

Foto: Divulgação
Estudo do economista Fábio Bentes analisa o problema há vários anos

O estudo da CNC também evidencia que, em âmbito nacional, os microempresários foram os mais afetados entre 2007 e 2017. A redução no número de estabelecimentos deste porte foi de 29%, seguida pelas pequenas empresas (-8%). Já os médios e grandes do setor tiveram um crescimento no número de lojas abertas de 14% e 3%, respectivamente. “Os pequenos estão sendo engolidos pelos grandes de outros segmentos”, observa o economista.

Para ele, também há influências no aumento do acesso à leitura de conteúdo virtual e disseminação de arquivos piratas, como livros escaneados em formato de PDF.

Quanto à crise das grandes redes, como Saraiva e Cultura, Fabio afirma que trata-se de um indício “claríssimo” de que o setor todo está passando por dificuldades. E não vê reversão do quadro se a Amazon passar a investir no mercado brasileiro. “Os ativos no Brasil, não só de livrarias
e papelarias, mas em todo o varejo, estão muito baratos, com o fechamento de lojas. Então, imagina uma empresa no porte da Amazon, ela tem muito fôlego para colocar preços bem atraentes para o consumidor e acentuar a concentração desse mercado”, completa.

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