Pioneira do feminismo é tema de palestra histórica

Maria Firmina dos Reis é uma das inauguradoras do romance de autoria feminina no Brasil e autora de “Úrsula” (1859), primeiro romance antiescravagista


O projeto Ciclo de Palestras Históricas, realizado pelo grupo Historiadores Independentes de Carioba, apresenta nesta terça-feira, às 19h, a palestra gratuita “Maria Firmina dos Reis, Literatura e Escravidão: Diálogos entre uma escritora maranhense e as cartas de uma escrava da Campinas do 19”.

Foto: Tony Alves - Reprodução
Maria Firmina em quadro pintado em homenagem ao seu pioneirismo histórico no país

O evento tem apoio da Secretaria de Cultura e Turismo e será ministrado pela cientista social e filósofa Luciana Martins Diogo.

Maria Firmina dos Reis (1822-1917) é uma das inauguradoras do romance de autoria feminina no Brasil e autora de “Úrsula” (1859), primeiro romance antiescravagista brasileiro.

Luciana vai analisar a obra de Maria Firmina à luz de textos históricos reais que narram a história de Teodora Dias da Cunha, que nasceu na África, foi conduzida como escrava à zona rural de São Paulo, provavelmente pelas proximidades de Limeira, por volta de 1862, foi negociada em Campinas, vendida e remetida a São Paulo.

Conheceu então Claro Antonio dos Santos, escravo que sabia ler e escrever. A ele, Teodora ditou sete cartas. A partir desse material, serão discutidas as relações entre literatura e escravidão presentes na obra ficcional de Maria Firmina.

“Para pensar a atualidade da obra de Maria Firmina dos Reis, vamos pegar duas falas que expressam a visão de parte da sociedade brasileira: a primeira da ministra da Mulher, Família e dos Direitos Humanos, Damares Alves, que disse que dentro da sua ‘concepção cristã’ a mulher deve ser submissa ao homem no casamento. E a segunda, dita pelo presidente Jair Bolsonaro, que afirmava: ‘o português nem pisava na África. Foram os próprios negros que entregavam os escravos’. Em 1859, Firmina já combatia esse tipo de discurso”, afirma a palestrante.

A pesquisadora aponta que o romance “Úrsula” traz questionamentos com relação ao lugar e ao papel de submissão da mulher na sociedade, denunciando a opressão dos homens sobre elas. “Também confronta essa visão sobre os colonizadores, principalmente na cena em que Susana, uma mulher africana, é sequestrada por brancos ‘bárbaros’ (segundo ela) – e trazida à força, como escrava, para o Brasil. Firmina se apropriou ainda do discurso cristão para questionar o escravismo, o machismo e toda a estrutura social de sua época. Isso é ainda importante, mesmo nos dias de hoje”, acrescenta Luciana.

Acontece. A palestra será apresentada nesta terça-feira, às 19h, no plenarinho da Câmara de Americana (Praça Divino Salvador, Jardim Girassol). A entrada é gratuita e limitada a 60 lugares. Reservas pelo e-mail historiadores carioba@gmail.com.

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