Pesquisador reúne imagens raras de Limeira em livro

Partindo retratos de escravos e primeiro desenho do povoado, obra de José Eduardo Heflinger Júnior compila mais de 200 arquivos


Pesquisador da história da imigração europeia há 35 anos, o limeirense José Eduardo Heflinger Júnior reuniu ao longo desse período um vasto acervo de fotos e documentos históricos, levantados em arquivos brasileiros e europeus, já publicados em 26 volumes e usados como referência pelo mundo.

Em sua nova obra, “Retratos de Limeira”, que vai ser lançada na cidade no dia 18, Heflinger Júnior se debruça sobre imagens. A publicação reúne mais de 200 delas, entre fotos, quadros e ilustrações, dos séculos 19 e 20, para traçar uma cronologia do desenvolvimento e mudanças de Limeira ao longo do tempo. No material estão raridades, como retratos de escravos no século 19, além de um trabalho de comparação entre fotos antigas e atuais de conhecidos locais da cidade.

Foto: Ceneviva / Reprodução
Vista área da Paróquia de São Sebastião, localizada no bairro Boa Vista

Um dos pontos de partida do pesquisador é o único retrato dos anos iniciais do povoado que origem a Limeira: um desenho a lápis, de 1839, de autoria de Hercules Florence, que ilustrava a “Freguezia de Nossa Senhora das Dores de Tatuhiby”. Hoje, passa pelo local a Rua Dr. Trajano de Barros Camargo, a principal via da cidade.

“E ela passa atrás da Matriz, que era a Capela Antiga. E o largo que aparece em frente à Capela é a Praça Luciano Esteves, onde está o marco zero da cidade e algumas ruas adjacentes. E aí, eu iniciei mostrando a evolução da área que ele desenhou. Depois, eu passo para outros logradouros importantes, como a Praça Principal, a Praça da Boa Morte, a Estação Ferroviária”, conta.

Do total de imagens, cerca de 170 são inéditas. Os arquivos originais de parte delas, inclusive, não existe mais. “Como fui diretor do Museu [Histórico e Pedagógico Major José Levy Sobrinho] e secretário adjunto de Cultura, tive acesso às imagens do museu, mesmo antes de se perder muita coisa dele”, explica o autor.

Foto: Marcelo Rocha / O Liberal
Segundo Jose Eduardo Heflinger Junior, muitas das imagens são inéditas

ESCRAVIDÃO

Há arquivos que vieram do exterior, como é o caso de fotografias de escravos na Fazenda Ibicaba, considerada a célula mater de Limeira. O álbum com estas imagens foi levado para a cidade alemã de Munique por uma neta adotiva do Senador Nicolau Pereira de Campos Vergueiro,
proprietário da terra.

“Ela era presidente de uma fundação em Munique e começou a me bancar para ir à Europa, para eu poder ir atrás dos documentações da imigração. Eu tinha os documentos brasileiros e fui cruzando com os europeus. Aí, antes de morrer, ela me deu as imagens digitalizadas do álbum e toda autorização para usar tudo. São raríssimas e muitos peritos dizem que, dentro do contexto nacional, com o roubo daquelas fotos da Biblioteca Nacional, são as mais raras em resolução dessa época”, revela Heflinger Júnior.

O lançamento é fruto da Lei de Incentivo à Cultura (Lei Rouanet), Pronac 184271, em ação administrada pelo Ministério da Cidadania com patrocínio da Cirúrgica Fernandes Ltda. e da Usina Santa Lúcia.

Acontece

“Retratos de Limeira” será lançado no dia 18 de setembro, às 19h30, no Palacete Levy (Largo da Boa Morte, 11, Limeira, SP) com entrada franca. Os livros poderão ser adquiridos pelo Disk Livro (19) 3034-0115 e (19) 99643-2855 ou na banca de jornais e revistas IV Centenário, na Praça Toledo de Barros.

Obra traz comparação entre passado e presente

Em seu trabalho de resgate, o pesquisador José Eduardo Heflinger Júnior também se dedicou a fazer um cruzamento entre passado e presente.

Foto: Marcelo Rocha / O Liberal
Em novo livro, autor mostra transformações em Limeira no decorrer das décadas

Em páginas sequenciais, lado a lado, dispõe à esquerda uma imagem antiga de determinado local ou prédio tradicional de Limeira e à direita uma fotografia atual do mesmo ponto, sob o mesmo ângulo de visão. Essas comparações são realizadas com o Casarão do Bairro do Tatu, Catedral de Nossa Senhora das Dores, Igreja Matriz, Praça Dr. Luciano Esteves, Pharmácia Fanelli, Praça Toledo de Barros, Cine Teatro Vitória, Rua Dr. Trajano de Barros Camargo, Museu Major José Levy Sobrinho, Rua Barão de Cascalho, portal da cidade no acesso pela Rodovia Anhanguera, entre outros.

Outro resgate raro na publicação é o de vistas aéreas captadas pelo fotógrafo João Carlos Baptista Levy a bordo do Caudron, em 1922.

Alguns dos capítulos também destacam segmentos específicos, como a indústria, o ciclo da laranja, a educação, comércio e serviços. “Quis construir uma viagem visual onde o leitor possa observar as grandes transformações e adaptações da cidade, decorrentes dos diversos ciclos da natureza econômica; o desenvolvimento agrícola e industrial, os aparelhos públicos e sociais e os sistemas de ensino, por exemplo”, explica Heflinger Júnior.

LIBERAL VIRTUAL Acesse agora