Lançamento de livro coroa ativismo cultural no Romano

Com livro de poesias sobre a mulher negra, estudante Júlia Ferreira Motta dá prosseguimento ao ativismo iniciado pelos pais em Santa Bárbara


Na família Motta, o ativismo cultural passa de geração para geração, por décadas, e se dissemina pela comunidade onde vivem, no Conjunto Habitacional Roberto Romano, em Santa Bárbara d’Oeste. Dança afro, capoeira, maracatu, literatura africana e poesia marginal são algumas das atividades desenvolvidas por eles no Centro Cultural Edgard Tricânico D’Elboux, gratuitamente. E o mais novo fruto do trabalho artístico na comunidade é o livro de poesias “Resistir Para Existir”, que Júlia Ferreira Motta acaba de lançar, aos 16 anos.

“Eu sempre gostei de ler e buscava nas livrarias, nas bibliotecas, a poesia que me representava. E eram poucas. E aí foi que eu comecei a escrever aos poucos. Escrevia versos e comecei a descobrir que a poesia estava dentro de mim. Aos meus 11 anos foi quando eu consegui colocar para fora o que eu estava
sentindo”, conta Júlia.

Foto: Marcelo Rocha / O Liberal
A estudante Júlia mostra seu livro de poesia ao lado da mãe, a também ativista barbarense Silvia Motta

Os 62 textos de seu lançamento mostram que o que mais sente é a necessidade de despertar e compartilhar o empoderamento das mulheres. “O que mais tem me inspirado nos últimos tempos são mulheres negras, por toda a luta. Têm me inspirado muito as mulheres do meu meio cultural, até mesmo a minha mãe, e é onde eu tenho buscado muita bagagem poética”, explica.

Para ela, a poesia tem capacidade de transformar o mundo e as pessoas. “Tem um dos meus versos que eu falo que eu faço da minha luta, poesia. E eu acredito que através dos meus versos eu consiga escrever grandes coisas sobre o direito da mulher negra e a liberdade de expressão”, avalia a autora, que pratica capoeira, maracatu e dança afro no centro cultural, todas atividades gratuitas e desenvolvidas por sua família.

Ela também integra o Grêmio Voz Ativa, na Escola Estadual Luiza Baruque Kirche. “O objetivo com essas iniciativas é mostrar que na nossa realidade existem várias coisas boas, ao contrário do que é pontuado muitas vezes, sobre a realidade de uma periferia”, ressalta Silvia Motta, mãe de Júlia.

“Resistir Para Existir” foi produzido de forma independente, mas a família busca apoio para publicar uma tiragem maior. O exemplar custa R$ 25 e pode ser comprado pelos contatos https://www.facebook.com/julia.motta.3998 e (19) 99432-5041.

ENTRE GERAÇÕES

A atuação da família com a cultura vem de décadas atrás. Há quase 40 anos, mestre Motta atua na Associação de Capoeira Motta e Cultura Afro, que também desenvolve atividades em Americana, com a Apam (Associação de Promoção e Assistência de Americana). “Esse trabalho de transformação aconteceu comigo e a gente foi passando através de nossos filhos e depois começou a aparecer os alunos e aí começou a associação, que leva o sobrenome da gente”, conta mestre Motta.

O Centro Cultural, que fica na Rua Padre Arthur Sampaio, 76, recebe uma atividade por dia. De terça a sexta a programação inclui oficina de teatro, iniciação rítmica com instrumentos, dança afro e literatura, respectivamente, a partir das 19h30. No sábado, é a vez do maracatu, às 14h. Às segundas, ocorrem aulas de capoeira na Escola Municipal Professora Maria Martiniano Gouvea Valente (Dona Bininha), localizada na Rua Padre Arthur Sampaio, 571.

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