‘Geladeiroteca’ disponibiliza livros gratuitos na Praça Romeu Sturari

Novo projeto, desenvolvido por alunos do Senac com apoio da prefeitura, envolve incentivo à leitura com revitalização de área de lazer


Se “o livro é o alimento da alma”, como disse certa vez o cartunista Ziraldo, o cardápio literário está farto na Praça Romeu Sturari, em Americana. Localizada na Vila Santa Catarina, a área de lazer recebeu no dia 12 de dezembro uma geladeira recheada de romances, crônicas, biografias, entre outras obras. O projeto da “geladeiroteca” foi desenvolvido por alunos do Senac, cuja unidade na cidade fica a duas quadras da praça, e recebeu apoio da prefeitura. O espaço também recebeu revitalização e ganhou uma grafitagem.

Docente da área de Aprendizagem do Senac, Daniela Cristina de Queiroz Pavan explica que a proposta da “geladeiroteca” surgiu em uma turma de 27 alunos de jovens aprendizes, que têm entre 15 e 20 anos. Uma das atividades desenvolvidas por eles é o projeto integrador, no qual optaram por pesquisar e aplicar o conceito de cidadania. “A turma 54 teve a ideia de implantar alguma coisa que estimulasse o intelecto, para que as pessoas pudessem ler mais. Apesar da unidade ser pertinho, as pessoas não vêm até aqui, então eles quiseram levar o hábito da leitura às pessoas, tornar mais acessível”, conta.

Foto: Rodrigo Pereira / O Liberal
Iniciativa cultural fez aumentar movimento na praça nos últimos dias, o que era uma das ideias dos idealizadores

Simultaneamente, outra turma realizou a revitalização da praça. A prefeitura disponibilizou a geladeira e um professor da unidade de ensino, Anderson Cruz, fez a customização do eletrodoméstico, além de um grafite na praça. “Em todo o processo, eles [alunos] estiveram em contato com os moradores no entorno da praça. Fizeram pesquisas sobre o que eles queriam daquele espaço, que estava um pouco esquecido, o que seria necessário para tornar um local de cultura, lazer e qualidade de vida, e a partir dessas pesquisas, aliadas a essas conversas com os moradores, eles foram construindo esse projeto”, acrescenta Daniela. Inicialmente, foram disponibilizadas 30 obras.

E a iniciativa arrancou elogios de moradores do entorno da área. Estudante de Educação Física, Vitor Alexandre, 18, também vê como benefícios o estímulo à “desconexão” tecnológica. “Além de incentivar o pessoal a ler mais, incentiva um pouco a sair de casa também, porque hoje em dia todo mundo está muito fissurado na internet, na tecnologia, lê tudo digital ou lê no próprio ambiente de vivência, e você se distrair um pouco, vir em uma praça, ambiente com ar fresco, sombra, é bem diferente e bom para o emocional”, avalia.

Já o aposentado Sebastião Luiz Teixeira, 81, que mora em frente à área de lazer, relata que o acervo de livros já tem feito sucesso com alguns frequentadores do local. “É uma boa coisa. A turma vem aí, traz livro, leva livro, traz para ler. Tem uns que passam aí, pega um dia, depois traz. Educação, né”, afirma.

Daniela explica que o objetivo também é fazer refletir sobre a preservação de bens coletivos compartilhados. “Dessa forma fica um movimento vivo mesmo. A pessoa pode levar um livro, se ela quiser deixar um ela deixa, ou pode levar espontaneamente, depois que terminar ela devolve. Fica para as pessoas, até para despertar a consciência das pessoas com relação àquilo que é público. Eu posso pegar? É só meu? Qual é a intenção desse espaço? É até para fazer essa provocação”, conclui.

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