Escritor Luiz Biajoni está na programação da Flima

Com nova participação em feira confirmada, escritor americanense critica falta de apoio local


O escritor americanense Luiz Biajoni confirmou presença na FLIMA (Festa Literária Internacional da Mantiqueira), que vai ocorrer entre esta sexta-feira e domingo, em Santo Antônio do Pinhal. Autor do recém-lançado “Quatro Velhos” (editora Penalux), o autor critica a falta de apoio local e revela já estar escrevendo um novo romance.

O evento, que está em sua segunda edição, reúne autores nacionais e de outros países, jornalistas, intelectuais, artistas e leitores para debates e atividades que celebram a literatura viva. A edição deste ano vai homenagear o autor mineiro Luiz Vilela, um dos maiores contistas do país, e tem como convidada especial Ana Maria Machado que, neste ano, celebra 50 anos de literatura.

Foto: Gustavo Sartori / Divulgação
Escritor Luiz Biajoni recebe destaque com histórias inspiradas por fatos locais

Entre os escritores participantes estão Lilia Schwarcz, Luiz Ruffato, Mário Magalhães, Tiago Ferro, Aline Bei, Josélia Aguiar, além de Biajoni.

Além de “Quatro Velhos”, Biajoni escreveu “Elvis & Madona”, “A Comédia Mundana”, “A Viagem de James Amaro” e “Virgínia Berlim – Uma Experiência”. Os romances “A Viagem de James Amaro” e “Quatro Velhos” têm ambientação na cidade de Americana e partem de histórias reais. “Quatro Velhos” é desenvolvido a partir de um boato sobre um filho bastardo do ditador Benito Mussolini na cidade.

“Durante muito tempo houve a ideia de que literatura podia ser feita apenas nos grandes centros, Rio de Janeiro e São Paulo, eventualmente Porto Alegre, ou a literatura tinha que ser regional, a literatura do Norte e Nordeste ou de Minas, e, finalmente, estamos mostrando que boa literatura pode vir de qualquer lugar: das cidades pequenas e médias, das periferias, de locais até degradados – onde há o cidadão e a imaginação, grande arte pode surgir”, diz ele.

Segundo o autor, a FLIMA e outras festas e festivais literários estão conectados com essa realidade. Alguns dos convidados mais importantes desses festivais vêm de pequenos países africanos ou lusófonos, fora do grande eixo literário EUA-Inglaterra-França. Neste ano, a FLIMA recebe a escritora cubana Idalia Morejón Arnaiz, por exemplo.

“Enquanto há o reconhecimento de autores afastados dos grandes centros, as cidades pequenas e médias não prestigiam os artistas, infelizmente, salvo raríssimas exceções”, lamenta ele. “Há incentivo para festas estranhas e populares, das mais abjetas, mas apoiar um escritor é algo quase inexistente”.

NOVA OBRA

A falta de apoio não desanima o escritor americanense: Luiz Biajoni está escrevendo seu novo romance, “Algum Amor”, cuja trama também se passa na cidade de Americana e também tem como base uma história real.

“Enquanto por aqui não há grande interesse pelo trabalho literário, vou para os festivais e eventos onde sou chamado. Em abril participei de duas mesas na Flipoços – Feira Literária de Poços de Caldas e em maio estive na FLIG – Feira Literária de Guaratinguetá, levando o nome da cidade. Em agosto, vou à FLIMA, sempre divulgando minha literatura”, complementa.

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