Biblioteca teve menos empréstimos de livros em 2018

Número de livros retirados para leitura foi 7,19% menor no ano passado, na comparação com 2017


Apesar de 2018 ter sido um período no qual ficou evidente a crise de grandes redes de livrarias, como a Cultura e Saraiva, a quantidade de público na Biblioteca Municipal de Americana se manteve praticamente estável. O espaço literário divulgou que teve um total de 47.165 usuários nos 243 dias de atendimento do ano passado, o que representa uma média de 194 por dia. Em 2017, o número total foi de 47.136. Por outro lado, a quantidade de empréstimos teve redução de 29.698 para 27.562, uma queda de 7,19%.

Coordenador cultural do ponto cultural, Leonardo Luciano aponta que a frequência fica acima da média de outras cidades de mesmo porte, que ainda há resistência à leitura nas telas eletrônicas por parte do público, mas que o acesso virtual a obras, melhorias em bibliotecas acadêmicas e falta de descentralização do acervo municipal influenciam nas estatísticas.

Foto: João Carlos Nascimento - O Liberal
Alunos do projeto Raízes visitam a Biblioteca de Americana no início do ano passado

“Tem a questão da leitura de entretenimento com a internet. Tem uma quantidade muito grande de livros pirateados. Mas como muita gente reclama do desconforto da leitura na tela, o livro de papel ainda continua indo muito bem. Recentemente, nós tivemos no mercado editorial uma gangorra. Tiveram alguns anos de uma explosão em que nunca se tinha publicado e vendido tanto. E nos últimos dois anos teve uma recessão mais pesada. E isso tudo a gente percebe”, aponta.

Em 2018, o número de novos cadastros foi de 1.253. Já em 2017, o total foi de 1.322. As trocas em feiras tiveram redução de 2.942 para 2.436, e as doações variaram de 14.588 para 12.457. “De forma geral, aqui em Americana, pelo tamanho da população nós temos uma frequência muito boa. Essa quantidade de empréstimos no ano de 2018, mesmo sendo um pouco menor que em 2017, ela vem nos últimos anos decrescendo, mas de maneira muito sutil. É uma queda sutil. Ela acontece também por conta das escolas estarem melhorando suas bibliotecas. A gente percebe que as bibliotecas das escolas, pelo menos nos livros obrigatórios, elas vão se equipando”, avalia o coordenador cultural.

Segundo ele, pessoas que moram em bairros distantes do Centro, onde fica a biblioteca, relatam que dependendo do livro que procuram compensa mais comprá-lo do que pagar ônibus para ir até o espaço cultural buscar um exemplar. Para ele, o aumento do público seria estimulado pela criação de bibliotecas em bairros.

“Poderíamos ter na região do Zanaga ou da Praia Azul, na Cidade Jardim e no Parque Gramado, para fazer esse acesso ao livro ficar mais fácil. Poderia até repercutir outras prestações de livros que nós fazemos, como ter um centro cultural, eventos, exposições, quem sabe sessões de cinema. Acho que auxiliaria tanto a população como as escolas. Só que, claro, demandaria um investimento pesado. Eu acredito na força da cultura de mobilizar e melhorar a qualidade de vida da população”, acrescenta.

Lista

Best sellers e livros de leitura obrigatórias para o vestibular e de autoajuda compõem a lista das dez obras mais lidas pela Biblioteca Municipal de Americana. Alguns estão tanto no ranking de 2018 quanto no de 2017, o que é o caso de edições da franquia “Harry Potter”, “Como Eu Era Antes de Você”, “Minha Vida de Menina” e “Vidas Secas”.

Entre os livros infanto-juvenis que têm sido presenças frequentes nas listas dos mais procurados ao longo dos últimos anos, o coordenador cultural do espaço, Leonardo Luciano, cita “O Diário de Um Banana” (Jeff Kinney), “Harry Potter” (J. K. Rowling), e obras de Kiera Cass, autora de “A Seleção”. No segmento da autoajuda empresarial, outro cativo no ranking é “Pai Rico, Pai Pobre”, de Robert Kiyosaki e Sharon Lechter.

“Se pegar a lista dos 100 mais, você vê forte essa linha de autoajuda, trabalho empresarial, autoajuda financeira, esses filósofos mais modernos, o (Luiz Felipe) Pondé, (Leandro) Karnal, (Mário Sérgio) Cortella, Clóvis (de Barros). Temos livros de todos eles e têm saídas interessantes. Além dos livros de leitura obrigatórias de vários vestibulares”, enumera.

Livros mais emprestados:

Em 2017:

1º Como eu era antes de você (Jojo Moyes)
2º A Cabana (William P. Young)
3º Vidas Secas (Graciliano Ramos)
4º Depois de você (Jojo Moyes)
5º Coração, Cabeça e Estômago (Camilo Castelo Branco)
6º Harry Potter e o Cálice De Fogo (J. K. Rowling)
7º Harry Potter e a Pedra Filosofal (J. K. Rowling)
8º Como fazer amigos e influenciar pessoas ( Dale Carnegie)
9º Minha Vida De Menina (Helena Morley)
10º O Orfanato Da Srta. Peregrine para Crianças Peculiares (Ransom Riggs)

Em 2018:

1º Capitães da Areia (Jorge Amado)
2º Harry Potter e a Pedra Filosofal (J. K. Rowling)
3º Pai Rico, Pai Pobre (Robert T. Kiyosaki)
4º A Gota d’Água (Chico Buarque)
5º Diário de um Banana, v.01 (Jeff Kinney)
6º Vidas Secas (Graciliano Ramos)
7º O Mundo de Sofia (Jostein Gaarder)
8º A Seleção (Kiera Cass)
9º Minha Vida de Menina (Helena Morley)
10º Como Eu Era Antes de Você (Jojo Moyes)

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