Apesar da crise, livrarias de menor porte tem oportunidade de crescimento

Na contramão da crise das grandes redes e do mercado encolhido na região, livrarias e sebos enxergam oportunidade ao focar nos “amantes da literatura”


O epílogo do mercado das grandes redes de livrarias do Brasil em 2018 foi melancólico. A Livraria Cultura fechou unidades no Rio de Janeiro e Recife e todas as lojas da Fnac no Brasil também baixaram suas portas. Já a Saraiva fechou 19 livrarias em outubro. Na sequência, ambas entraram com pedido de recuperação judicial.

Um estudo da CNC (Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo), a partir de estatísticas do Ministério do Trabalho, aponta que o número de livrarias e papelarias no Brasil reduziu 29% em 10 anos. Na contramão deste diagnóstico negativo, no entanto, livreiros de menor porte da região veem oportunidade de crescimento e relatam já sentir melhorias nas vendas.

Jociele Victoriano, gerente da unidade da Livraria Nobel localizada no Tivoli Shopping, em Santa Bárbara d’Oeste, avalia que foi um ano bom para a unidade, mas também por influência de outros produtos disponíveis, da área de papelaria. “Se depender só livro, infelizmente não sobrevive”.

Foto: João Carlos Nascimento - O Liberal
Sebo no Centro de Americana tem bom público e não sente a forte crise no setor, ao contrário das grandes livrarias

Ela atribui a crise editorial geral a uma mudança de perfil dos leitores. “Cada vez as pessoas estão lendo mais virtualmente. Essa geração nova está super digital. Mas, assim mesmo, o livro ainda não é substituído. Tem muita gente ainda que gosta do livro físico”, pondera.

A influência do conteúdo acessado na internet é tamanha, segundo ela, que um dos livros mais vendidos na loja ganhou repercussão por causa da indicação da youtuber Adriana Santana. “Está super vendido e é por conta da indicação. Chama ‘O Milagre do Amanhã’. Eu acho que rede social e a mídia têm sido fundamental. Eles influenciam bastante”, avalia. Em relação à crise, ela vê oportunidade. “Acho que nesse próximo ano talvez a gente consiga crescer um pouco mais porque as grandes livrarias entraram em crise”, acrescenta.

Em Americana, segundo a Acia (Associação Comercial e Industrial de Americana), não há comércio específico do gênero, mas somente estabelecimentos que agregam livros ao seu catálogo de produtos. Entre estes, está o Sebo Sapiente, que também vende instrumentos, musicais, CDs, entre outros artigos.

Proprietário da loja, Luiz Carlos Sanajotti segue o discurso de Jociele e aponta melhorias nas vendas de livros. “Acho que é em decorrência dessa retração das livrarias grandes. A gente acabou se beneficiando”, aponta. E lembra da ascensão da tecnologia móvel como um grande concorrente. “O mercado livreiro é um ramo muito difícil, não tem a sedução de lojas de produtos de moda. É celular pra tudo quanto é lugar, tem mil lugares disso aí, e tem uma livraria, duas livrarias. Estamos na contramão da história”, reflete.

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