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Ator

Jonas Bloch, aos 81 anos, uma pausa vital

Destaque na reprise de “Novo Mundo”, ator exalta o amor na maturidade do nobre Wolfgang

Por TV Press

08 Julho 2020, às 08h07

Jonas Bloch usa a idade a seu favor. Aos 81 anos e com mais de cinco décadas de carreira, ele aprendeu, entre altos e baixos, a importância de garantir a autonomia artística. Depois de anos contratado por emissoras, o ator vive, desde 2015, a liberdade de fazer apenas o que quer.

Trafegando com desenvoltura pelo cinema, teatro e tevê, ele foi surpreendido pela pausa forçada promovida pela pandemia de coronavírus. Dentro de casa e com tempo de sobra, Jonas tem se dedicado às Artes Plásticas e se divertindo com a reprise de “Novo Mundo”, novela exibida originalmente em 2017, onde vive o nobre Wolfgang.

Jonas estreou na tevê em “Algemas de Ouro”, sucesso exibido pela extinta Tupi, em 1969 – Foto: Divulgação

“Tenho ótimas lembranças dos bastidores da novela e agora estou tendo a oportunidade de realmente acompanhar a trama. É uma bela produção que acerta ao abordar nossa história de forma aventureira e cheia de grandes paixões”, analisa.

Mineiro de Belo Horizonte, Jonas estreou na tevê em “Algemas de Ouro”, sucesso exibido pela extinta Tupi, em 1969. Com passagens pela Manchete, Band e SBT, foi na Globo e na Record que o ator desenvolveu grande parte de sua carreira. Na primeira, ganhou popularidade a partir de novelas como “Sem Lenço e Sem Documento”, “Pai Herói” e “Top Model”.

Aos poucos, viu os bons personagens minguarem e resolveu assinar com a Record, em 2006, onde atuou em tramas como “Bela, a Feia” e “José do Egito”.

“Contrato é como um casamento. A gente faz trabalhos legais e outros nem tanto”, ressalta, entre risos. De volta à Globo em “Sete Vidas”, Jonas tem se surpreendido com os convites que vem recebendo na emissora. “Acho que nunca trabalhei tão feliz na Globo. E ainda tenho tempo para fazer outras coisas fora sem qualquer pressão. Então, está tudo certo”, celebra.

Desde que voltou para a Globo, em 2015, você está sempre envolvido com alguma produção. Como tem encarado essa pausa nos trabalhos provocada pela pandemia?

A emissora tomou a melhor decisão. Realmente, não faria muito sentido trabalhar com medo. Tenho 81 anos e sou total grupo de risco (risos). Estou isolado em casa, mas mantendo a mente produtiva. Tenho desenhado muito, ajudado bastante nas tarefas domésticas, praticado exercícios, lendo, conversado com a família e amigos por chamadas de vídeo e assistindo diversas séries e filmes, além da reprise de “Novo Mundo”.

Como você recebeu a notícia da volta do folhetim ao horário das seis

Acho que a novela veio em uma boa hora. “Novo Mundo” aborda temas atuais, como o respeito aos direitos indígenas, a questão ambiental, racismo e representatividade feminina. Além disso, traz informações sobre a história do nosso país com uma dramaturgia muito bem construída. Foi um trabalho realmente especial.

Seu par romântico com a Sheron Menezzes foi um dos pontos altos da trama. Como foi essa parceria?

Sheron é uma grande parceira. Ela se entrega ao papel, compartilha a cena de forma generosa, além de ser encantadora. Se descobriu grávida no início da trama, então convivi com a gestação do Benjamin e pude sentir os diversos chutes que ele dava dentro da barriga dela. A dupla formada por Wolfgang e Diara teve um lado emocional muito forte, acho que foi isso que encantou o público.

Em que sentido?

Tem muita gente preconceituosa que não admite que um idoso possa amar uma pessoa mais jovem e ser verdadeiramente correspondido. Acham que é sempre uma questão financeira. É triste saber que muita gente pensa que o fato de uma pessoa envelhecer a torna inútil e inválida. Além disso, era uma relação interracial em um período escravista. O contexto histórico pesava contra eles, mas o sentimento era autêntico.

Do alto de seus 81 anos, você acredita que a tevê tem valorizado mais os talentos veteranos?

O mercado está mais aquecido. Tudo isso por conta dos investimentos em teledramaturgia na tevê fechada e no “streaming”. Com isso, Globo, Record e SBT tiveram de se mexer para não perder todo mundo. Acredito que o elenco mais maduro tem mais espaço nas tramas atuais. O idoso parou de ser apenas alguém invisível e secundário dentro da trama e agora tem histórias próprias para contar. Estou cheio de convites para depois da quarentena e isso é realmente estimulante.

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