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Cultura

João Lara Mesquita é novo membro da APL

Por Agência Estado

15 jan 2021 às 07:21 • Última atualização 15 jan 2021 às 10:59

O músico, jornalista e fotógrafo João Lara Mesquita foi eleito para a Academia Paulista de Letras na tarde desta quinta-feira, 14. Somando 34 votos, Mesquita se tornou o acadêmico da cadeira de número 17, que era ocupada pelo musicólogo, jornalista e crítico musical Zuza Homem de Mello, morto aos 87 anos em outubro de 2020. A eleição transcorreu em uma cerimônia conduzida por meio de uma sessão virtual entre os integrantes da instituição, com votação eletrônica e a presença de 22 acadêmicos.

João Lara Mesquita é músico de formação, tendo estudado em Nova York, mas também fez carreira na comunicação. Foi diretor das rádios Eldorado AM e FM e do estúdio Eldorado, pertencentes ao Grupo Estado, entre 1982 e 2003. No entanto, sempre esteve ligado às causas ambientais e trilhou boa parte de sua carreira voltado a defender essas pautas.

“O João Lara Mesquita, além de ter feito um trabalho extraordinário na rádio Eldorado e ter iniciado a segunda fase do Concurso Eldorado, realmente significa o nome do jornalismo, das artes e da cultura”, afirmou o maestro João Carlos Martins, integrante da APL. “Eu, pessoalmente, posso dizer que o João Lara Mesquita, em momentos difíceis da minha vida, foi uma das pessoas mais importantes que me ajudaram a construir o meu futuro”, acrescentou o músico.

Mesquita fundou o Núcleo União Pró-Tietê, organização não governamental ligada à SOS Mata Atlântica que se dedica a promover a despoluição do Rio Tietê. Além disso, João Lara foi conselheiro do Greenpeace entre 2001 e 2004 e da Conservation International de 2014 a 2016. Desde 2015, Mesquita edita o site Mar Sem Fim, hospedado no portal do Estadão, no qual cobre assuntos ligados à ciência e ao meio ambiente, especialmente os temas marinhos.

A escritora e integrante da Academia Paulista de Letras Maria Adelaide Amaral justificou seu voto em Mesquita afirmando o seguinte: “Pela longa e incansável militância a favor do meio ambiente, ele merece meu apreço e meu voto”.

Unindo a comunicação e a defesa ambiental com sua paixão pelo mar – Mesquita se diz um capitão amador, tendo navegado mais de 60 mil milhas ao todo -, ele foi responsável por reunir em seu site um acervo de mais de 70 horas de documentários sobre o litoral brasileiro, fruto de uma expedição empreendida por ele de 2005 a 2007, cobrindo toda a costa do País, do Oiapoque, no Amapá, ao Chuí, na fronteira do Rio Grande do Sul com o Uruguai.

Essa experiência de dois anos resultou também no livro O Brasil Visto do Mar Sem Fim, publicado pela Editora Terceiro Nome e indicado ao prêmio Jabuti na categoria Reportagem, em 2008. A obra conta com cerca de 600 fotos clicadas por João Lara durante a viagem (algumas das quais já foram objeto de exposições), além do texto integral de seu diário de bordo, registrado ao longo da aventura.

João Lara publicou outros livros sobre o oceano. Um deles é Embarcações Típicas da Costa Brasileira (editora Terceiro Nome), que documenta em imagens e texto alguns dos tipos de barcos que navegam pelo litoral do Brasil, muitos dos quais produzidos com mão de obra praticamente artesanal, descendentes de um legado de séculos das navegações indígenas, europeias, africanas e asiáticas. Já Saga do Mar Sem Fim (Editora Escrituras) é talvez sua obra mais intimista, quase uma autobiografia contada a partir da paixão pelo mar. Nesse livro, o jornalista narra o desenvolvimento de sua atração pelas águas desde a infância até suas grandes expedições, incluindo as viagens para a Antártida, que lhe renderam algumas histórias de sobrevivência: em 2012, sua embarcação Mar Sem Fim naufragou na Ilha Rei George, no continente antártico.

Fundada em 1909, a Academia Paulista de Letras, localizada no Largo do Arouche, no centro da capital paulista, tem o objetivo de promover a escrita e a língua portuguesa e disseminar a cultura no Estado de São Paulo. Assim como na Academia Brasileira de Letras, apenas pessoas ligadas diretamente à literatura tomam posse de suas cadeiras.

A Academia conta com 40 cadeiras e tem, entre os seus integrantes, escritores de peso como Ignácio de Loyola Brandão, Lygia Fagundes Telles e Ruth Rocha, além de personalidades ligadas a outras áreas da cultura e do conhecimento, como o dramaturgo e apresentador Jô Soares, o quadrinista Maurício de Sousa e o arquiteto Ruy Ohtake.
As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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