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Cultura

‘Gênesis’ ganha densidade e ritmo com fases mais longas

Por Márcio Maio / TV Press

29 abr 2021 às 07:31 • Última atualização 29 abr 2021 às 07:32

Desde que a produção de “Gênesis” foi anunciada na Record, houve uma preocupação intensa em afirmar que se tratava de uma superprodução, em função do exagerado número de fases e, com isso, de cenários, produção de arte e elenco envolvidos.

No entanto, com a estreia, veio um problema para a trama: as primeiras fases, curtas demais, não prendiam a atenção dos telespectadores. Afinal, bastava perder uns três ou quatro capítulos para que tudo já estivesse diferente ali.

Zécarlos Machado e Adriana Garambone, que vivem o casal Abraão e Sara, são os grandes destaques neste momento da trama – Foto: Divulgação

Quando “Ur dos Caldeus” começou a ser exibida, isso foi mudando. E agora que a “Jornada de Abraão” está no ar, o clima de série ficou para trás, resgatando as características típicas das novelas e, assim, conseguindo fidelizar melhor o público.

Para isso, um ponto parece ter sido importante. Assim que a quarta fase começou, ainda em fevereiro, já foi apresentada a grande estrela da leva seguinte de capítulos, Abraão, papel interpretado pelo jovem Vitor Novello ali e, hoje, por Zécarlos Machado. Ou seja, houve uma mudança no foco da trama entre uma etapa e outra, sem dúvidas, mas que foi acompanhada por uma sensação de continuidade. A correria das primeiras três fases – que duraram apenas 13 capítulos no total – também evidenciou alguns pontos negativos que, agora, ficaram para trás.

Talvez pelo pouco tempo em que ficariam no ar, as primeiras fases abusavam de efeitos especiais e pecavam um pouco na produção de arte. O que aparentava era uma preocupação maior com a religião do que com a dramaturgia. Agora, porém, os cenários são mais caprichados, assim como os figurinos.

Até a escolha do elenco se revela mais interessante – se bem que, com tão poucas cenas, ficava mais complicado se apegar aos personagens do início de “Gênesis”. Zécarlos Machado e Adriana Garambone, por exemplo, que vivem o casal Abraão e Sara, são os grandes destaques neste momento. A atriz, que também se dá bem quando solta a voz em seus trabalhos, coleciona uma série de papeis em espetáculos musicais, como em “Cole Porter – Ele Nunca Disse Que Me Amava”, de Charles Möeller e Cláudio Botelho, e na montagem brasileira de “Chicago”, no qual deu vida a Roxie Hart. Em “Gênesis”, ela também aparece cantando em algumas sequências. A estratégia, porém, não chega a ser tão arrebatadora no folhetim – apesar do inquestionável talento da carioca para a música.

Outros nomes do elenco chamam atenção. Caso de Emilio Orciollo Netto e Elisa Pinheiro, que interpretam o casal Ló e Ayla. Para ele, aliás, cenas polêmicas estão previstas no próximo mês. Carla Marins e Marcos Winter também são artistas que, quando aparecem, roubam a atenção de quem assiste. Adália e Massá, papéis da dupla, têm um embate instigante e a química entre os dois é nítida. O mercenário é apaixonado por ela, mas ela não consegue esquecer que foi ele quem colocou fogo na casa de Terá, então vivido por Julio Braga, na fase “Ur dos Caldeus”.

MAIOR CUIDADO

Na quarta fase, muitas cenas se mostravam desnecessárias – o que destoava demais do primeiro momento de “Gênesis”, em que tudo acontecia de forma bem acelerada. Já em “Jornada de Abraão”, isso não é tão comum. Nas sequências mais demoradas, há a chance de se apreciar o cuidado com a direção de arte e com a cenografia.

Vez ou outra, é possível identificar o efeito de “chroma key” sendo adotado. Porém, sem que isso comprometa o material – mesmo porque essa foi uma das alternativas para dar mais segurança às gravações em tempos de pandemia.

Em relação à audiência, “Gênesis” se estabeleceu mesmo na faixa dos 12 pontos de média. Já é mais do que os 10 pontos registrados pela reta final de “Amor Sem Igual”, que se encerrou com 8,5 de média geral. Sem um folhetim inédito para concorrer no mesmo horário na Globo, a trama bíblica pode, inclusive, ter dias melhores no futuro, nas fases “Jacó” e “José do Egito”, ainda sem data definida para serem exibidas.

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