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Festival

Funk in Rio: Anitta estreia no Rock in Rio

Por Agência Estado

06 out 2019 às 08:30 • Última atualização 27 abr 2020 às 11:20

Anitta era onipresente. Neste sábado, no penúltimo dia do Rock in Rio, o som da cantora carioca já tocava pela Cidade do Rock antes mesmo de a artista subir ao Palco Mundo, às 18h. Com um Show das Poderosas acompanhado da batida do funk, a cantora avisou que chegou e arrastou um público interessado em dançar e se divertir. Mais do que um show, foi uma festa.

Em Paradinha, ela retomou um passado tão próximo, quando começou a experimentar letras cantadas em espanhol. Colada na coreografia e refrão fácil, a cantora sabe produzir hits. Pabllo Vittar não deu as caras, mas Anitta trouxe o sucesso criado no deserto do Saara, Sua Cara.

Pouco afeita a participar de protestos e campanhas sociais e políticas nas redes, Anitta, ao fim da parceria sensual de Downtown, gravada com J Balvin, transmitiu um vídeo com cenas da Amazônia e a mensagem: ‘Você precisa de ar’. Foi o tempo para a cantora voltar com novo look e a romântica Fica Tudo Bem, de Silva. Zen é outra para cantar com o par, assim como Cobertor, parceria com Projota.

Mas o forte de Anitta não é o amorzinho nem só o funk. No show, teve espaço para a sofrência de Loka, sertanejo de Simone e Simaria, e de misturar Romance com Safadeza, na parceria com Wesley Safadão. Com tantos nomes, fica difícil pensar em artistas nacionais que não tenham encontrado a cantora nos palcos ou no estúdio. “Eu sempre agradeço vocês, mas hoje passou um filme na minha cabeça.” Aplaudida, a cantora chamou o Movimento da Sanfoninha com a famosa frase: ‘Vocês pensaram que eu não ia rebolar minha bunda hoje?’.

Com tanto rebolado, Anitta precisou de algumas pausas, e a base gravada de músicas durante todo show permite que ela entregue uma performance mais pela dança e menos pela voz.

O coro ‘Ôôô, o funk chegou’ vindo da plateia coroou a presença da cantora no Rock in Rio.

História do funk

Mais cedo, com um pot-pourri passando por toda a trajetória do gênero musical, a Funk Orquestra contou uma história da música pop brasileira dos últimos 30 anos, dos criadores do pancadão ao 150 bpm, sua encarnação mais nova. Com convidados como Fernanda Abreu, Buchecha, Cidinho e Doca (dois dos fundadores do gênero, donos do Rap da Felicidade), e Ludmilla – uma rainha que merecia um espaço maior no festival -, os músicos fizeram uma das apresentações mais participativas de todo o festival até com uma lista interminável de sucessos.

“O funk está muito por aqui por causa dos talentos de MC’s como esse cara aqui”, disse Fernanda apontando para Buchecha. “Eu e o mano Claudinho”, respondeu o MC, referindo-se à outra parte de sua dupla, morto em 2002. “Chegamos aqui, meu parceiro!” Fernanda ainda lembrou dos primórdios do funk, em 1989, com DJ Marlboro. “Queria pedir paz na favela e paz no Rio de Janeiro, a gente merece”, disse ela.

Uma homenagem a MC Sapão, morto aos 39 anos em decorrência de uma pneumonia, foi realizada com foto e músicas suas, como o sucesso Vou Desafiar Você.

MC Kevinho estava escalado para participar do show, numa clara reverência à nova geração do funk, mas ele cancelou por motivos de saúde (em nota, a assessoria do festival informou que o artista está com intoxicação alimentar). Mas músicas suas também foram tocadas, bem como de diversos de seus colegas de faixa etária, como MC G15, MC Don Juan, Kekel, Livinho, WM e, claro, Anitta.

A parte final do show ainda recebeu músicas do 150 bpm, subgênero muito popularizado pelos DJs e MCs ligados ao Baile da Gaiola, na zona norte do Rio, cujo idealizador, o DJ Rennan da Penha, está preso sob alegações contestadas de associação ao tráfico.

Aos poucos, o próprio Rock in Rio percebe que o funk tem lugar na Cidade do Rock. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.