Festa em Santa Bárbara será alvo de manifestação

Movimentos sociais da região lançam manifesto e planejam protesto contra uso de símbolo dos confederados em festa típica


Foto: Arquivo - O Liberal
Como já vem se tornando comum nos últimos anos, Festa dos Confederados volta a causar polêmica

Movimentos sociais da região divulgaram um manifesto e anunciaram um protesto contra a Festa Confederada, que vai ocorrer em Santa Bárbara d’Oeste, no dia 28 de abril. Eles afirmam que a bandeira dos confederados, utilizada no evento, “foi o símbolo dos escravagistas dos EUA e representava uma economia baseada na escravidão”.

A festa é realizada anualmente desde 1986, com comidas típicas, danças e músicas. Segundo a organização, busca manter viva a memória dos primeiros imigrantes estadunidenses, que estão enterrados no Cemitério do Campo, onde é realizado o encontro, além de angariar fundos para a manutenção do espaço e de duas ONGs (Organizações Não Governamentais).

O manifesto é assinado pela Unegro (União dos Negros e Negras Pela Igualdade), Comissão de Promoção da Igualdade Racial de Americana, Associação de Capoeira Motta e Cultura Afro, Coletivo Dança Afro e Expressões e Câmara Cultura Popular e Urbana. No documento, eles afirmam que a festa ostenta símbolos que “agridem a trajetória do povo negro”.

“A Festa dos Confederados está ligada com o fim da Guerra Civil. Alguns sulistas brancos escravocratas se sentiram humilhados com a derrota imposta pelo norte abolicionista, acreditando que não havia mais condições de permanecerem no país e vieram procurar abrigo no Brasil, onde ainda havia escravidão”, afirma um trecho do documento.

E contextualizam que estes povoamentos de imigrantes deram origem às cidades de Americana e Santa Bárbara. “Santa Bárbara d’Oeste, única cidade brasileira a manter as tradições e a carga de opressão representadas pela bandeira dos confederados, caminha a contrapeso da história e demonstra a falta de dimensão histórica e indiferença com a trajetória do outro”, criticam os movimentos.

O grupo planeja realizar o protesto em frente ao local da festa.

Outro lado. Presidente da Fraternidade Descendência Americana, que organiza a festa, João Leopoldo Padoveze defende que os símbolos da bandeira são relacionados ao cristianismo. “Somos uma entidade de descendentes de norte-americanos que vieram para o Brasil após a Guerra Civil. Grande parte destes imigrantes eram do sul dos Estados Unidos. Devido ao resultado da Guerra Civil, descontentes com o resultado, eles vieram para o Brasil, aceitando convite de Dom Pedro. Até onde a gente sabe, pouquíssimos vieram para cá por causa de escravidão, até porque a escravidão estava acabando no Brasil”, argumenta.

Ele sustenta ainda que a guerra teve maior ligação com imposições do governo aos sulistas, como o aumento de impostos para alguns estados norte-americanos.

“Sou descendente de um confederado, de uma mulher negra, tenho avô que é filho de português e meu pai é neto de italiano, então eu sou uma beleza de uma mistura e eu tenho orgulho de todas elas”, acrescenta.

Ele reforça que está aberto ao diálogo com os grupos sociais que se sentirem ofendidos.

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