‘Estrela de Belém’ mantém viva celebração da Folia de Reis

Já na terceira geração e com mais de 100 anos de existência, grupo realiza apresentações em Santa Bárbara e Americana neste fim de semana


Recados em pedaços de papel enrolados ficam presos por coloridas fitas de Nossa Senhora da Aparecida em uma bandeira que o cabeleireiro Inácio Luís Souto traz do quarto de sua casa, na Rua do Níquel, em Santa Bárbara d’Oeste, antes de contar a longa história que carrega aquele estandarte. Trata-se do símbolo do grupo de Folia de Reis Estrela de Belém, que já tem mais de um século de existência e está em sua terceira geração de membros. E a tradição segue viva. Neste sábado e domingo eles realizam apresentações em Santa Bárbara e Americana para lembrar o Dia dos Santos Reis.

Um dos primeiros moradores da Villa Molon, Inácio conheceu o grupo há 35 anos e hoje é o cantor mestre. “Essa companhia vem da família do senhor Felício José da Silva. O pai dele era da região de Ponta Linda, Dirce Reis, Jales, e tinha essa companhia com esse nome há mais de cem anos, porque o seu Felício era criança de 12, 13, 14 anos e já cantava com o pai dele. E o seu Felício já está com 94 anos”, recorda o cabeleireiro. Hoje, o filho do fundador, Tião Felício, é um dos membros do Estrela de Belém.

Foto: João Carlos Nascimento - O Liberal
Inacio Folia de Reis

Inácio explica que as principais apresentações do grupo estão ligadas a esta época do ano, que para os cristãos marcam o nascimento de Jesus, em 25 de dezembro, e a visita dos três Reis Magos a ele, no dia 6 de janeiro.

“A gente tem alcançado graças com a Companhia de Santos Reis, pedindo para que os Santos Reis sejam a intercessão diante do senhor Jesus Cristo para ele atender aquele pedido que a gente está fazendo”, relata.

Nesse ponto, está a explicação para os recados em papel amarrados na bandeira. “Essas mensagens, eu não sei o que está escrito nelas. Alguém escreveu e amarrou na bandeira durante apresentações do grupo. Isso é pedido que as pessoas fazem. Às vezes, a gente chega em uma casa e tem alguém doente, ou vai fazer uma cirurgia, então eles escrevem um pedido para Santos Reis abençoar ele naquela cirurgia ou tirar alguém que está doente da cama”, explica o folião.

No dia 28, após mais uma apresentação do grupo, eles vão seguir mais uma tradição, levando os pedidos à Sala dos Milagres, em Aparecida do Norte. “E nesse ano, ainda, eu tenho certeza que vamos encontrar pessoas que vão receber a bandeira de joelhos e agradecendo porque alcançou a graça, aquele milagre”, garante.

O grupo é formado por 21 moradores de Santa Bárbara e Americana, que se apresentam em casas das duas cidades com viola, violão, cavaquinho, pandeiro, sanfona e caixa (zabumba).

O mestre “puxa” o vocal das toadas e é acompanhado por coros de quatro, cinco ou seis vozes, além do contramestre e outros integrantes. “É o mestre quem faz a rima. Ele busca a palavra dentro da escritura e em cima daquela palavra forma uma rima. Cada um tem um estilo de cantar”, conta. O grupo mantém apresentações em outros períodos do ano, o que muda o perfil das toadas. “Se eu cantar no mês de junho, eu vou cantar o nascimento de São João, o batismo de São João, vou cantar falando de São Pedro, Santo Antônio. Se eu cantar no mês de agosto, nós vamos cantar falando dos pais, fazendo uma saudação dos pais. Em outubro, nós já cantamos falando de Nossa Senhora da Aparecida”, detalha Inácio.

Próximas apresentações

Dia 5 (sábado)
Concentração às 16h, na Rua do Níquel, 860, Villa Molon, em Santa Bárbara, e visita a oito casas.

Dia 6 (domingo)
Concentração às 8h, na Rua Nacim Elias, 336, Morada do Sol, em Americana. Almoço, às 12h, na Avenida Cillos, 4.223, Parque Novo Mundo, em Americana.

Dia 27
Festa a partir das 16h, na Casa de Maria (Rua Mococa, 180, Planalto do Sol 2, Santa Bárbara), com jantar gratuito aos presentes.

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