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Cultura

Em nova série, Bruno Mazzeo transforma própria experiência em material criativo

Diário de Um Confinado já estava com seis episódios disponíveis no Globo Play

Por Agência Estado

03 jul 2020 às 13:24 • Última atualização 03 jul 2020 às 14:23

O Diário surgiu como contribuição ao humor em tempos de pandemia – Foto: Globo – Glauco Firpo

É estranho, mas o que não é estranho nesses tempos? A pergunta não surge de cara na nova série Diário de Um Confinado, escrita e interpretada por Bruno Mazzeo e dirigida pela mulher dele, Joana Jabace. Diário de Um Confinado já estava com seis episódios disponíveis no Globo Play. A partir desta sexta, 3, chegam mais seis e no sábado, 4, na TV aberta, a Globo apresenta três episódios, como se formassem um especial de meia hora, logo após a novela Fina Estampa.

O primeiro lote inicia-se com Vizinha e apresenta também Pizza e Análise. O Diário surgiu como contribuição ao humor em tempos de pandemia.

Muitos cômicos, e não apenas eles, estão tentando romper o isolamento na segurança da criatividade remota. Gregório Duvivier, Marcelo Adnet investem numa linha de sátira política. Bruno Mazzeo é mais intimista.

Joana estava dirigindo a série Segunda Chamada. A interrupção das gravações confinou-a em casa com o marido, Bruno, e os filhos gêmeos do casal.

A ideia surgiu, e tudo ocorreu rapidamente. Por que não transformar a própria experiência em material criativo? Entre o click inicial e a chegada ao Globo Play, na sexta da semana passada, foi cerca de um mês e meio. “Foi tudo feito na segurança, dentro de casa. A emissora aprovou, enviou uma câmera muito prática, a F7. Gravamos em casa mesmo, buscando dar um testemunho sobre esse momento tão difícil e, ao mesmo tempo, exercitando a criatividade para nos mantermos ativos, enfrentando os desafios e restrições do momento”, Joana historia o processo. “Moramos num apartamento amplo, mas criamos, na nossa sala, o que seria o do Murilo. Um cara solteiro, que vive sozinho, bem diferente de nós, que temos os gêmeos. A princípio, pensamos que teríamos de gravar de madrugada, depois que eles dormissem, mas logo o trabalho se integrou à rotina. Havia a preocupação de gravar e resguardar tudo, garantir a continuidade. Mas o acaso terminou ajudando. Um dia, brincando no set, os meninos deixaram o patinho deles, que terminou incorporado ao personagem. Murilo, nesse período tão estranho, dorme abraçado ao seu patinho.”

Por que Murilo? “Foi uma ideia do Bruno, acho que inspirado num primo meu, muito engraçado e de quem o Bruno gosta muito.”

Escrever, gravar, manter o set, tudo isso demanda tempo, cuidado. “Todo set, o da série que estava gravando em São Paulo e interrompemos, é sempre um ambiente ruidoso, de grupo. Reúne muita gente, umas 30 pessoas. E agora, aqui, somos só nós. É uma outra experiência. Tem também a finalização, toda remota. Tudo é muito novo para nós, para mim.”

Vizinha não foi concebido para ser o primeiro, mas vai abrir a primeira série de três. A vizinha é Débora Bloch.

Algum motivo especial para isso? “Todo!”, ela ri. “A Débora é nossa vizinha, a gente interage muito. Em plena pandemia, a troca continua, mas agora com todos esses protocolos que nos unem à distância. Era muito natural que ela virasse personagem.”

Também na série, Renata Sorrah faz a mãe. No episódio Pizza, Murilo aciona o delivery. Mamãe surta – ‘Cuidado com a caixa, tem de higienizar!”

Renata é uma atriz extraordinária. O repórter comenta com Joana cenas da atriz na novela Fina Estampa – nas melhores, ela nem fala. Uma certa cena de sedução, em que o amante chega por trás. A doutora não se vira, mas expressa tudo – a proximidade, a excitação, tudo só com o rosto, os olhos, a boca úmida. “Sei bem do que Renata é capaz. Ela sempre surpreende.”

O melhor de toda essa série – uma joia de dez minutos – é Análise, que já teve como título provisório Terapia. Murilo segue com a terapia à distância. Fernanda Torres faz a analista. Grava da casa dela.

É nesse episódio que Murilo comenta como as coisas estão estranhas. A sessão de terapia é interrompida por interferências dentro da casa dela. A analista descontrola-se. Murilo olha cúmplice para a câmera. Ela liga de madrugada para seu paciente, e está bêbada. Murilo olha de novo para a câmera – o tempo todo ele está rompendo a quarta parede.

Bruno Mazzeo empresta ao personagem uma melancolia que é dele. Na tradição dos grandes artistas, é um palhaço triste. “Era importante para nós fazermos essa dosagem. Não dá para ficar rindo dessa tragédia imensa, que enluta tanta gente.”

O tom é tudo. Bruno e a mulher, Joana e o marido, acertaram.

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