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Cultura

‘Doutores do Samba’ fazem live para arrecadar EPIs

Por Agência Estado

27 Maio 2020 às 16:34 • Última atualização 27 Maio 2020 às 19:42

Cardiologistas, urologistas, cirurgiões plásticos, oftalmologistas e ortopedistas juntos em um grupo musical, tocando pandeiro, cuíca, conga, afoxé, tamborim, surdo e toda a sorte de instrumentos musicais para uma roda de samba. Intitulado Doutores do Samba, o grupo fará uma live no próximo dia 31, às 16h, no YouTube, para arrecadar equipamentos de proteção individual (EPI) para funcionários do Hospital São Paulo, onde eles iniciaram a vida acadêmica, e onde atuam na linha de frente no combate ao coronavírus.

“Na Escola Paulista de Medicina, sempre nos juntávamos depois das aulas na Atlética, não só para treinar, mas também para se divertir. O grupo começou assim, nesses pequenos eventos com amigos de diferentes turmas após as aulas. Sempre tocamos para o público do hospital São Paulo”, lembra o cirurgião plástico Fernando Amato, que toca cuíca e pandeiro no grupo.

O ortopedista Eduardo Suñe Christiano, que toca chimbal e caixa, afirma que a ideia do grupo surgiu em 2002 e a paixão pelo ritmo uniu os colegas. “A maioria do grupo sempre gostou muito de samba. Os encontros de sexta-feira viraram tradição e, aos poucos, começamos a tocar também nos bares em torno da faculdade”, diz.

Para alguns, o gosto pelo samba veio de família, como o urologista Rodrigo Perrella. “Sempre gostei de samba, influência do meu pai. Com 15 anos, comecei a frequentar a escola de samba Mocidade Alegre, onde toquei na bateria por 10 anos”, conta. O cardiologista Fábio Leite divide a mesma paixão: “Sempre gostei de samba enredo. E gostava de rock, percussão e bateria. Daí, entrei na Bateria 51 da Atlética e, depois da convivência com o pessoal, fui migrando para o pagode”. Até o ortopedista Renato Radeli, que nunca se imaginou em tocando em uma roda de samba, foi acolhido pelo grupo. “Nunca tive talento para instrumentos musicais. No grupo, temos músicos excepcionais que me permitiram aprender um instrumento simples, o afoxé, para poder participar dos sambas”, ressalta.

Esse cenário de alegria e descontração que uniu os jovens médicos há anos não é nada parecido com a atual rotina dentro de um hospital, diante da pandemia do novo coronavírus. A maioria atua na linha de frente no combate à covid-19.

Renato Radaeli mora em Porto Velho, Rondônia, desde 2010. Pela prefeitura, os profissionais foram colocados para atendimento de casos suspeitos, com quadros leves a moderados. “Quando o paciente apresenta parâmetros respiratórios ruins, são encaminhados ao hospital de referência para tratamento de covid-19”, afirma o ortopedista que, desta vez, não participará da live com os colegas. O urologista Rodrigo Perrella atua como cirurgião no Pronto Socorro do Hospital São Paulo, também com pacientes contaminados pelo vírus, assim como o cirurgião plástico Fernando Amato. “Trato diretamente com pacientes ambulatoriais com covid-19 e aqueles com internação prolongada em UTI que acabaram desenvolvendo úlceras por pressão”, diz.

Fazer a transmissão ao vivo no YouTube com o Doutores do Samba para arrecadar fundos para a compra de EPIs é uma forma de devolver o que a universidade ofereceu para os profissionais, como explica Eduardo Suñe Christiano: “Acreditamos que isso seria uma forma de tentarmos retribuir a gratidão e o carinho que temos pela Escola Paulista de Medicina e o Hospital São Paulo que, por muitos anos, foi a nossa casa. Ao mesmo tempo, em meio a esse período tão conturbado e sensível, teríamos uma ótima oportunidade de revivermos memórias de um bom samba ao lado de amigos e familiares”.

“No meio de tanta agonia e sofrimento que estamos passando com essa pandemia, queremos trazer um pouco de alegria, numa corrente do bem, valorizando todos os profissionais de saúde, não só do hospital São Paulo, mas todos que estão na linha de frente. Live de gente famosa tem todos os dias. A nossa é única, de médicos, para ajudar um hospital que é o berço da nossa formação, e que sabemos o que está enfrentando e o que poderá ser pior”, conclui.

Além de Fernando Amato e Eduardo Suñe Christiano, o Doutores do Samba é composto pelo urologista Rodrigo Perrella, que toca repique de mão e faz voz secundária, Fábio Leite, que é cardiologista e toca tamborim e surdo, o ortopedista Renato Radaeli, no afoxé, e os oftalmologistas Rodrigo Viana, voz, e Mauro Leite, no violão.

Serviço:

Live do ‘Doutores do Samba’

Quando: Domingo, 31 de maio

Horário: 16h

Onde: No YouTube