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Patrimônio

Restauro da Estação Cultura de Americana chega à fase final

Confira curiosidades técnicas sobre a obra, que retoma características de 1912

Por Isabella Holouka

13 jun 2021 às 08:37 • Última atualização 13 jun 2021 às 10:34

A população está a poucos passos de reconhecer a Estação Cultura, antiga estação ferroviária de Americana, na movimentada Avenida Doutor Antônio Alvares Lobo, no Centro da cidade.

O prédio passa pelo primeiro restauro desde a sua inauguração em 1912, e agora chega à pintura, que além de devolver o tom ocre amarelado original do patrimônio tombado pelo Condepham (Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico de Americana), também representa o final do processo.

Prospecção artística possibilitou estudos de colorimetria para a pintura da Estação com sua cor original – Foto:

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Nesta semana a reportagem visitou a obra, que não parou apesar das chuvas, acompanhada pelo secretário de Cultura e Turismo Fernando Giuliani e do engenheiro e diretor técnico Herbert Carvente Faustino, que compartilharam curiosidades sobre o restauro.

O processo iniciou em 2019, promovido pela empresa Pavicamp e custeado pela Rumo Logística, concessionária responsável pela linha férrea, com orçamento que ultrapassa R$ 800 mil. Os detalhes finais da obra devem demorar mais três meses, dentro da expectativa de entrega à população ainda neste ano.

O LIBERAL já mostrou o projeto de restauro, em fevereiro do ano passado, quando detalhes históricos da construção eram revelados pelas equipes técnicas. A restauração arquitetônica é baseada em um diagnóstico de toda a fachada, do prédio e do entorno, seguido de pesquisa histórica, que guiaram a equipe técnica pela concepção e realização do restauro.

Pintura é considerada um marco na da fase final do restauro – Foto:

Neste sentido, as prospecções arquitetônica e artística são pontos de partida para os trabalhos. A prospecção arquitetônica, através de diversos estudos, possibilita a investigação de aspectos físicos, mecânicos, biológicos e químicos envolvendo a estrutura, e a fundamentação da história do edifício.

Tanto telhado quanto ripamento da Estação foram refeitos, assim como os sistemas elétrico e hidráulico, com mecanismos que aumentam a segurança do prédio contra incêndios e ajudam reparos em caso de vazamentos. Esquadrias foram refeitas e todas as janelas e portas que estavam estragadas ou vandalizadas foram substituídas, ou recuperadas.

Já a prospecção artística consiste na remoção de camadas de tintas sobrepostas, com bisturi, espátula e solventes. A este processo se somam análises laboratoriais e estudos no local, que permitiram à equipe técnica chegar ao tom de amarelado das paredes da Estação, que vem ganhando demãos de tinta após os devidos tratamentos. As molduras e arabescos brancos, e o brasão original da Companhia Paulista de Estradas de Ferro da fachada já foram refeitos.

Seguindo os padrões arquitetônicos de 1800, as paredes são impermeabilizadas com cal que esteve descansando por 6 anos. “Um sistema de composição química que, além de ser bactericida, deixa a estrutura respirar”, explicou o diretor técnico. A pintura é feita com matéria-prima fabricada na Itália, que tem o mesmo efeito: permitir que as paredes sequem rápido e sofram o mínimo possível com a umidade, resultando em ótima durabilidade.

Diretor técnico Herbert Carvente Faustino e Secretário de Cultura e Turismo Fernando Giuliani – Foto: Ernesto Rodrigues – O Liberal.JPG

Terminando a pintura, será finalizado o projeto elétrico, colocado o forro e instalado o projeto luminotécnico no interior e no exterior da Estação. O piso, inclusive nas salas em que ladrilhos originais foram preservados, também será tratado. O relógio original da época será recolocado, bem como as placas de Americana.

A Secretaria também prevê um projeto de paisagismo ao redor da Estação. Os portões serão mantidos, e sistemas de segurança digitais, com câmeras e cercas elétricas serão instalados, até para tentar impedir o vandalismo, segundo Giuliani.

Com mais de 25 anos de experiência, tendo na bagagem obras de restauro como a Estação Júlio Prestes, a Estação da Luz e a Pinacoteca, na capital paulista, o diretor técnico da Pavicamp citou como dificuldade na Estação Cultura o estado de deterioração em que o prédio estava, “mesmo com as intervenções feitas pela Secretaria”.

Outro contratempo, além dos materiais importados para a obra, foi com os trabalhadores, já que grande parte dos profissionais da área de restauro tem idade avançada e precisaram seguir à risca as recomendações de isolamento social impostas pela pandemia da Covid-19.

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História da Estação e da fundação de Americana se misturam

O prédio que passa por restauro, em alvenaria em estilo inglês, foi construído para substituir a antiga sede, de dois andares e construção em madeira, onde foi inaugurada a Estação Santa Bárbara, em 27 de agosto de 1875.

À época da primeira inauguração, nas terras da Fazenda Machadinho, pertencente a Basílio Bueno Rangel, a estação tinha o objetivo de facilitar o escoamento de produtos agrícolas da futura Americana. Os dizeres “Villa Americana” foram acrescentados à construção em 1900, com o objetivo de evitar extravios, sob a iniciativa de Ignácio Corrêa Pacheco, junto à Companhia Paulista de Estradas de Ferro.

A nova Estação foi inaugurada em 1912 – data imortalizada na fachada do prédio. A villa foi emancipada em 12 de novembro de 1924, tornando-se município.

A Estação foi reformada pela Secretaria de Cultura e Turismo em 2005, e recebeu eventos culturais. Após o restauro, a intenção da pasta é aproveitar a localização central para promover cultura, turismo, entretenimento e geração de renda. Há planos para a instalação de um museu ferroviário, de ponto para atendimento ao turista, feira de artesanato, e promoção de oficinas e atrações culturais.

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