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Cinema para todos

Cinemas têm até sexta-feira para garantir acessibilidade auditiva e visual

Salas em Santa Bárbara e Campinas têm estrutura para receber pessoas com deficiência auditiva e visual

Por Isabella Holouka

30 dez 2020 às 09:16 • Última atualização 30 dez 2020 às 09:54

Até o dia 1º de janeiro de 2021, todos os cinemas do País devem ter suas salas de exibição adequadas para receberem as pessoas com deficiência auditiva e visual. É o que prevê a Lei 14.009, de 2020, que muda o Estatuto da Pessoa com Deficiência (Lei 13.146, de 2015).

De acordo com o texto, os cinemas devem contar com espaços livres e assentos para a pessoa com deficiência, em locais de boa visibilidade, em todos os setores, próximos aos corredores e devidamente sinalizados. Os espaços devem garantir a acomodação de um acompanhante.

O estatuto prevê ainda recursos de acessibilidade como a subtitulação por meio de legenda oculta, a janela com intérprete de Libras (Língua Brasileira de Sinais) e a audiodescrição.

O Moviecom Cinemas, do Tivoli Shopping, em Santa Bárbara d’Oeste, está entre os exibidores da região com estrutura de acessibilidade completa – Foto: Ernesto Rodrigues / O Liberal

O Moviecom Cinemas, do Tivoli Shopping, em Santa Bárbara d’Oeste, está entre os exibidores da região com estrutura de acessibilidade completa, desde o início de 2020, preparado para receber todos os tipos de público, inclusive espectadores cegos, surdos e pessoas com capacidades reduzidas.

Para isso, o cinema possui aparelhos celulares com o aplicativo CineAssista, resultado de uma parceria entre as empresas Dolby e Assista Tecnologia, dedicado para visualização e áudio, que integra Libras, com suporte de tradução automática, descrição de áudio e legendas em tempo real.

“Como o aparelho é móvel e tem conexões sem fio, pode ser utilizado em qualquer poltrona da sala de exibição e em qualquer sessão e filme que conte com a liberação do recurso”, explica Marcela Ribeiro, gerente do Moviecom do Tivoli Shopping, ressaltando que hoje em dia, o uso do equipamento já está liberado para a maioria dos filmes em cartaz.

Os recursos de legendagem, legendagem descritiva, audiodescrição e Libras facilitam a compreensão do conteúdo dos filmes por parte das pessoas com deficiências. O usuário é quem escolhe que recursos quer utilizar e o conteúdo do CineAssista é sincronizado à exibição do filme na telona.

A audiodescrição ambienta o espectador cego ou deficiente visual da linguagem corporal, estado emocional dos personagens e descrição dos figurinos e cenários, além de informar a origem dos sons – essencial para o entendimento da trama do filme.

Já a legendagem descritiva consiste na transcrição do texto oral para texto escrito ou para a Libras, no caso de filmes brasileiros sem legenda. Além das falas dos personagens, a legendagem deve conter informações sobre efeitos sonoros como explosões, música, som ambiente, silêncios e pontuar situações como riso ou choro.

Para utilizar o CineAssista, basta fazer a solicitação do equipamento na bilheteria do cinema. O Moviecom possui atualmente dez aparelhos móveis para suas quatro salas de exibição.

Eles acompanham fone de ouvido e suporte para fixação nas poltronas. O cliente recebe a orientação sobre o uso da tecnologia e a ajuda necessária de um funcionário. Não há custos pelo uso do equipamento.

“Nosso objetivo é que todos se sintam acolhidos e igualmente respeitados. Queremos possibilitar o acesso ao cinema para todos”, conclui Marcela.
O gerente geral do Tivoli Shopping, Gustavo Salvagnini, destaca a importância da oferta dos recursos de acessibilidade por parte do cinema.

“Pessoas com deficiência até então eram impedidas de frequentar cinemas, devido à inacessibilidade. Agora, o cinema pode cumprir o seu papel de levar entretenimento a todos”, observa.

O Moviecom Cinemas também conta com acessibilidade física em seu espaço e disponibiliza poltronas especiais para obesos, lugares reservados para cadeirantes e banheiros adaptados, de uso exclusivo para pessoas com deficiência.

Outros
Em Campinas, o Kinoplex Dom Pedro, no Parque Dom Pedro Shopping, é adaptado para pessoas com deficiência, informou a assessoria de imprensa. Todas as salas da rede no Brasil contam com a mesma tecnologia utilizada no Moviecom, o aplicativo CineAssista.

Há assentos para pessoas obesas, salas com acessibilidade para cadeirantes, e também sessões “Azul”, voltadas para autistas, que estão temporariamente suspensas por conta da pandemia.

Aplicativo dá acessibilidade para deficientes auditivos e visual – Foto: Ernesto Rodrigues / O Liberal

No caso do cinema Multiplex, na Villa Multimall, em Santa Bárbara d’Oeste, as salas possuem assentos destinados a pessoas obesas e espaço para deficientes físicos, bem como acesso adaptado com rampas, informou a gerência ao LIBERAL.

Quanto à estrutura para deficientes auditivos e visuais, o gerente disse que aguarda informações do Sindicato Empresas Exibidoras Cinematográficas Estado São Paulo quanto à possibilidade de uma nova prorrogação do prazo.

“Ainda não temos uma resposta porque o sindicato está vendo se vai prorrogar o prazo. Temos orçamento para isso, mas estamos esperando entrar em vigor. Para tentar contornar a situação, pensando no deficiente auditivo, tentamos manter uma sessão legendada”, disse.

A reportagem procurou as administrações e assessorias do Cineflix, no Shopping ParkCity Sumaré; do Cinesystem, no Shopping Hortolândia; e do Cine Araújo, em Piracicaba, mas não obteve respostas até a publicação desta reportagem.

*Com informações da Agência Senado

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