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Literatura

Autores de Americana lançam livros infantis produzidos durante o isolamento

Andréia, Ronaldo e Aline aproveitaram as mudanças impostas pela pandemia para tirar da gaveta ideias para seus livros autorais

Por Isabella Holouka

28 fev 2021 às 08:59

Em meio à pandemia da Covid-19 e com tantas perdas, três profissionais de Americana atuantes na cultura e na educação aproveitaram as oportunidades para tirar sonhos da gaveta e colocar as ideias no papel.

São esperados neste mês de março lançamentos independentes dos livros de literatura infantil “A menina e o porco Chicó”, de Ronaldo Britto, “Viajando na leitura com Godô”, de Andréia Celegato, e “Gaiolas abertas, asas libertas“, de Aline Silva.

Ao LIBERAL, os autores contam que as mudanças na rotina, os sentimentos trazidos pelo período de crise e o benefício concedido pela Lei Federal Aldir Blanc em Americana foram fundamentais para que as obras tivessem andamento.

Aline Silva, Ronaldo Brito e Andréia Celegato, escritores de Americana, aproveitaram o período de isolamento para escrever novos livros – Foto: Ernesto Rodrigues / O Liberal

“Esse período me ajudou a pensar no que de fato eu vim fazer aqui. Foi a hora de colocar em prática os projetos, não deixá-los parados, aproveitar o agora e se realizar, levar a mensagem ao mundo”, reflete Aline Silva, de 39 anos, atriz, contadora de histórias e estudante de pedagogia.

O livro de Aline aborda a manutenção de pássaros em cativeiro. “Eu trago essa reflexão sobre por que até hoje prendemos os pássaros. Eles são livres, e quem somos nós para prendê-los?”, afirma.

Apesar de toda a negatividade vivida neste período de pandemia, Andréia concorda que o ano passado foi um bom momento para rever conceitos. Psicopedagoga, professora e contadora de histórias de 44 anos, ela mudou drasticamente a rotina em 2020, quando começou a trabalhar de casa.

Além do livro “Viajando na leitura com Godô”, ela também aguarda o lançamento de outras duas obras, em que é coautora. “A rotina mudou muito, acabamos ficando mais em casa, e tivemos que nos adaptar em tudo. Eu fiquei nas aulas online, e escrevi muito, gravei muito, criei um canal no YouTube, foi um ano de muito aprendizado pela adaptação”, conta Andréia.

“Na correria do dia-a-dia acabamos deixando tudo na gaveta. Mas foi um ano atípico, então acabamos colocando em prática todos os sonhos que deixávamos ali, guardadinhos”, complementa.

A história contada no livro por Andréia foi escrita em 2019 e já foi apresentada no programa “Quintal da Cultura”, da TV Cultura de São Paulo, uma experiência que ela descreve como “o sonho de todo contador de histórias”. Inspiraram os personagens duas pessoas reais e incentivadoras da cultura em Americana, o senhor Elias Francisco de Moraes e a estudante e booktuber Alyssa Tomiyama.

“Esse livro fala sobre a importância de ler, estar com um livro na mão, e viajar sem sair do lugar. É a história de uma garotinha que sonhou com um livro, foi até a biblioteca e fez muitas viagens em sua imaginação. E agora na pandemia, sem poder sair de casa, temos que viajar na leitura mesmo”, revela a autora.

Mesmo que indiretamente, o livro escrito por Ronaldo Britto, produtor cultural de 44 anos, também conversa com a pandemia. Na narrativa de “A menina e o porco Chicó”, o animal explica a importância da alimentação baseada em frutas e legumes, evitando o fast food.

O livro, que tem lançamento previsto na próxima semana, nasceu de um espetáculo que será apresentado em português e inglês e também gerou um videoclipe em que a principal mensagem é “lave bem as mãos”.

“Todos os anos eu monto um espetáculo e levo as crianças ao teatro, sempre com temas relacionados à saúde e educação, um entretenimento educativo e lúdico. Quando chegou 2020 eu pensei ‘e agora?’. Fiquei com o texto parado, esperando uma brecha, e não foi possível, mas eu também queria muito levar a história para um livro”, conta ele.

No caso de Ronaldo e de Aline também foi determinante a concessão do benefício, em Americana, da lei federal Aldir Blanc, de auxílio emergencial a artistas e profissionais da área cultural, além de espaços, empresas e projetos.

“O livro é um sonho que se tornou realidade, graças também a este benefício”, afirma Ronaldo. “Foi um grande incentivo. Esperamos que a pandemia termine e a gente possa voltar aos palcos, às ruas, ao mundo do entretenimento, pois estamos com sede de mostrar esse trabalho. Muitos artistas que estavam apagados tiveram essa ajuda”, conclui.

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