Conhecer para preservar: SB capacita sobre patrimônios históricos

No ano de seu bicentenário, Santa Bárbara ganha em sua rede ensino um suporte para que gerações mais jovens aprendam a proteger o patrimônio histórico


Em um ano icônico em sua história, quando comemora seu bicentenário, Santa Bárbara d’Oeste ganhou em sua rede municipal de ensino um suporte para que as gerações mais jovens aprendam a preservar os legados patrimoniais desde cedo. Um curso ministrado pela primeira vez em 2018 para cerca de 80 profissionais, entre professores do 5º ano do Ensino Fundamental e coordenadores pedagógicos, os capacitou para fazer com que os estudantes conheçam o patrimônio histórico da cidade e aprendam a preservá-lo por motivos culturais, científicos e éticos.

Denominada “Panorama Histórico, Cultural e Social de Santa Bárbara d’Oeste: Diretrizes para Educação Patrimonial”, a capacitação é inédita e foi ministrada por André Frota Contreras Faraco, arquiteto e urbanista graduado pela Unimep (Universidade Metodista de Piracicaba), com experiência e pesquisas realizadas sobre preservação cultural.

Foto: Ricardo Pereira Martins
Visão noturna da Igreja Matriz de Santa Bárbara, um dos patrimônios históricos da cidade

A base do curso são os resultados de uma pesquisa de iniciação científica realizada por ele em 2016, com auxílio de uma bolsa do Fundo de Auxílio à Pesquisa da universidade. “Foram investigados os patrimônios culturais materiais da cidade, permitindo o diagnóstico de que há um desconhecimento por parte da população sobre esses patrimônios e a importância e relevância cultural que eles têm como testemunhos históricos”, conta o pesquisador.

Com os profissionais de educação capacitados, os conteúdos foram agregados à grade curricular das disciplinas de história e geografia. O objetivo é ampliar o debate e os conhecimentos sobre a história da cidade e seus aspectos culturais, econômicos e sociais, utilizando-se de diferentes fontes de pesquisa além dos livros, como jornais e publicações locais, fotografias, mapas, registros de memórias, entrevistas e outros documentos.

Para André, “conhecer é uma das maneiras mais eficientes de se preservar” e a consciência de preservação permite “o olhar crítico ao redor dos espaços da vida”.

“Tudo o que é testemunho do fazer humano é digno de preservação – desde uma pequena praça de bairro, uma caixa d’água até um palácio ou um museu. Assim, há uma compreensão de que além de se preservar por razões culturais – pelos aspectos documentais, simbólicos e memoriais -, razões científicas – pelo fato de os bens culturais portarem conhecimentos nos variados campos do saber -, a preservação é uma atitude ética, uma vez que não se tem o direito de apagar os traços das gerações passadas e privar as gerações presentes e futuras da possibilidade de conhecimento que esses bens são portadores, como defende Beatriz Mugayar Kühl”, ressalta.

LIBERAL VIRTUAL Acesse agora