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Cultura

Com a mão na massa

Na reta final de “Salve-se Quem Puder”, Thiago Fragoso valoriza retorno ao trabalho após meses de paralisações

Por Caroline Borges - Tv Press

03 jun 2021 às 17:25

Foi a partir de sua participação no programa “Popstar”, que foi ao ar em 2017, que Thiago decidiu voltar a se dedicar à carreira musical - Foto: Divulgação - Globo

A rotina de Thiago Fragoso sempre foi muito intensa. Há mais de duas décadas na Globo, o ator é um dos nomes mais requisitados do “casting” da emissora. Geralmente acostumado a emplacar papéis centrais nas novelas, Thiago encara atribulados e intensos cronogramas de gravação. E estava sendo exatamente assim durante as gravações de “Salve-se Quem Puder” até março do ano passado.

Com a chegada repentina da pandemia de Covid-19, os trabalhos do folhetim foram paralisados e retomados apenas quase seis meses depois. “Fico muito agoniado quando não trabalho. Amo meu trabalho. Estávamos em um ritmo muito bom e a história estava começando a engrenar de vez. Nunca imaginei algo assim. Essa linha de produção da Globo sempre foi sagrada e intocável. Mas nunca perdi a certeza de que voltaríamos aos estúdios para finalizar o projeto”, explica o ator, que vive o advogado Alan na trama de Daniel Ortiz.

Na história, Alan é um viúvo, pai de três filhos adotivos: Tarantino, Queen e Mosquito, interpretados por Daniel Rangel, Alice Palmar e Ygor Marçal. Advogado workaholic, ele é ético e correto, mas absorto pelo trabalho não lhe sobra tempo para suas crias, apesar de ser um pai amoroso.

A situação muda, no entanto, quando Kyra/Clyde, papel de Vitória Strada, vai trabalhar como babá de seus filhos. “Não há nenhuma dúvida sobre o amor que ele sente pelos filhos. Mas ele tem uma incomunicabilidade com as crianças. Ele precisa trabalhar e sozinho não dá conta de tudo”, defende.

Como você recebeu a notícia sobre a paralisação dos trabalhos de “Salve-se Quem Puder”?
Thiago Fragoso Fiquei muito surpreso. Essa linha de produção da Globo sempre foi sagrada. Estou na emissora há muitos anos e sempre ouvimos: “novela não sai do ar”. E realmente nunca havia saído. Pode esticar ou reduzir, mas não sai do ar. Em todos os meus anos de Globo, nunca tinha visto uma situação semelhante. Foi um susto muito forte. Fiquei aliviado quando fomos chamados novamente para gravar.

De que forma você lidou com esse período em casa?
Thiago Eu fico muito agoniado quando não estou trabalhando. Eu amo trabalhar e não gravar me deixa muito angustiado. Fomos todos pegos de surpresa por essa pandemia. Eu tive um certo receio na hora de voltar sob dois aspectos. Primeiramente, estávamos trabalhando com um protocolo totalmente novo e criado especificamente para voltarmos aos estúdios. Então, ninguém sabia se funcionaria ou não. Além disso, eu não sabia como seria o ritmo de gravações. Se a gente conseguiria gravar em um ritmo satisfatório. Mas acabei surpreendido positivamente em ambos os casos.

Como assim?
Thiago O protocolo realmente deixou a gente muito seguro. Nós sentíamos segurança total dentro dos estúdios. Estávamos fazendo da melhor forma possível e com segurança para que ninguém fosse contaminado. Não perdemos nenhum ritmo também. A gente conseguia fechar o cronograma de gravação sempre. Era raro ter alguma cena que a gente não conseguia gravar ao final do dia. Foi um ótimo trabalho em equipe. Estávamos todos juntos para não perder esse ritmo.

Em algum momento, você acreditou que os trabalhos não voltariam?
Thiago Não, acho que essa dúvida ninguém teve. Sou um cara muito confiante e sempre acreditei que esse projeto seria retomado. Nunca duvidei. A gente estava amparado pela capacidade de produção da Globo. Isso faz uma diferença enorme. Já fiz cinema com a Carla Camurati e, quando a filmagem para no meio, ninguém sabe se vai voltar, se será retomado um dia. Cinema dá esse desespero de voltar ou não voltar. Teatro, quando você interrompe, não tem como saber se vai voltar. Sabia que as novelas iriam voltar, mas só não sabia quando nem como.

Como foi recriar o Alan após tantos meses de paralisação?
Thiago O Alan, naturalmente, já não era um personagem de grande composição. Inclusive, meu próprio método de trabalho é um método de contaminação. Ao chegar no local, ver aqueles cenários, vestir o figurino, encontrar colegas e ler o texto do Daniel, o Alan já voltou automaticamente. Mas tivemos algumas mudanças no nosso dia a dia que foram significativas.

Quais?
Thiago O processo de ensaio antes de ir para o estúdio mudou totalmente. Eu e a Juliana (Paiva), por exemplo, ficávamos batendo o texto de porta a porta, cada um em seu camarim.

Como ficará a disputa pela Kyra/Clyde entre o Alan e o Rafael (Bruno Ferrari) nessa reta final?
Thiago Tem de ver como isso vai desenrolar. São dois caras legais, mas temos de ver para onde o público vai levar, né? O Daniel é que sabe, apesar do Daniel também não ser muito conhecido por fazer exatamente aquilo que o público quer (risos).

Antes de “Salve-se Quem Puder”, você estava de folga dos folhetins desde 2017, quando participou de “O Outro Lado do Paraíso”. Como foi esse período distante do vídeo?
Thiago Eu não fiquei parado. Às vezes, como a gente não está fazendo novela, as pessoas têm a sensação de que estávamos só descansando. Mas me dediquei bastante ao meu lado mais musical naquele período. É bom dar um tempo do vídeo também. Dar um respiro para não começar a se repetir. Pude ver coisas diferentes e criar uma bagagem mais fértil.

Mais humor no personagem
Há mais de 20 anos na Globo, Thiago Fragoso sustenta uma trajetória intensa e variada. Com vilões, mocinhos e protagonistas na carreira, ele ainda tinha uma lacuna para preencher na emissora. “Salve-se Quem Puder” marcou a estreia de Thiago no horário das sete. “Eu nunca tinha feito novela das sete. Dá para acreditar? Então, foi como uma estreia para mim. Foi um trabalho muito feliz e o texto do Daniel é muito divertido”, valoriza.

Desde o início do convite para integrar o elenco do folhetim, Thiago ficou encantado com o roteiro cômico de Ortiz. “Me diverti muito com o Alan. É uma comédia mais de dia a dia, de situação. O Alan não é um personagem cômico. Ele é mais um herói meio romântico, mas o entorno dele é bastante engraçado”, aponta.

AMOR DE PAI
Aos 39 anos, Thiago levou seu lado paternal para o vídeo durante as gravações de “Salve-se Quem Puder”. O ator é pai do pequeno Benjamin, de 10 anos, e de Martin, de 1 ano, que nasceu ainda durante o período de isolamento social. “Na novela, sou pai de três de crianças. Foi a primeira vez que fui pai de crianças grandes na ficção. Pude levar um pouco da minha experiência em casa para esse trabalho”, explica.

Em casa, Thiago busca ser um pai presente nos mais variados momentos das vidas dos filhos. “As coisas têm mudado nos últimos anos. Sou um pai muito participativo. Dou banho, troco fralda, corto unha… Me identifico muito com essa figura paternal”, ressalta.

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