Órgão vai mapear impactos da suspensão de repasses ao cinema

Câmara Temática de Campinas vai mapear possíveis reflexos de “congelamento da Ancine” na produção de filmes e séries da região


Foto: Divulgação
Equipe de cinema formada por profissionais da região filmam em Americana cenas do suspense “Máscaras”, no início deste ano

A CTAv (Câmara Temática do Audiovisual) de Campinas vai mapear possíveis impactos da suspensão do repasse de verbas públicas por meio da Ancine (Agência Nacional de Cinema) em produções de filmes e séries da região.

No último dia 27, o TCU (Tribunal de Contas da União) determinou a suspensão por 60 dias na destinação dos recursos financeiros até que a entidade comprove que tem condições de analisar e fiscalizar toda prestação de contas dos projetos que aprova.

“Nos canais de comunicação da CTAv os produtores reclamaram bastante, ficaram bastante preocupados com a situação, e aí a gente está propondo de fazer um mapeamento para ver se aqui na região teve algum impacto, o que aconteceu, como aconteceu, se tem gente com edital aprovado ou em prestação de contas”, explica Ramiro Rodrigues, membro da Câmara Temática.

Ele cita um caso da TAO Produções, de Campinas, que enviou um projeto para digitalização de um acervo da Universidade do Mar que ficou “congelado” devido à decisão do TCU. “Fizeram um projeto de uma série para o Sesc que filmou várias culturas tradicionais praianas, culturas do mar, e cada episódio era em um lugar diferente do Brasil, e aí a proposta dela é de digitalização desse acervo”, exemplifica.

Produtor, diretor e ator de cinema e teatro de Americana, Andre Camargo tem produzido filmes de forma colaborativa (quem participa recebe a partir dos retornos financeiros da produção) e vê impacto mesmo para quem atua nessas condições. “Se eu precisar de um estúdio que faça um chroma key ou uma animação digital, ou mesmo os trabalhos de pós-produção, que envolvem equipamentos de alta tecnologia, a gente tem muita dificuldade e para isso os editais ajudariam muito. Então, acaba refletindo, não na realização, mas na qualidade dessa realização, diretamente”, explica.

“Para mim, pelo menos, que sempre fui independente, não vai afetar nada. Hoje acho que tem que ocorrer uma reformulação das regras e sobretudo da fiscalização de aplicação destas verbas”, opina Wendell Stein, cineasta sumareense.

FESTIVAIS. Já na segunda-feira, a Petrobras decidiu não renovar o patrocínio de 13 eventos culturais, incluindo a Mostra de Cinema de São Paulo, Festival do Rio, Festival de Brasília e o Anima Mundi. Uma das justificativas é que a estatal vai focar incentivos a projetos de ciência, tecnologia e educação.

“Quando o governo atual diz que ele tem mais prioridades eu até concordo com a frase, mas não na intenção. Cultura reflete na educação, que reflete na tecnologia de ponta. Então, é tudo um aglomerado só”, acrescenta Andre.

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