Filme conta tragédia real com toques fantasiosos

Longa ‘Branco Sai, Preto Fica’ explora as sequelas de uma ação violenta da polícia em um baile nos anos 1980


É da frase segregacionista de um dos policiais que invadiram um baile de música black dos anos 1980 que vem o nome do filme: “Branco Sai, Preto Fica”. Dos que ficaram, dois tiveram sequelas permanentes da violência militar que sofreram naquela noite: Marquim ficou paraplégico e Sartana teve uma perna amputada.

Essa é a base para o longa-metragem dirigido por Adirley Queirós, que será exibido gratuitamente no MAC (Museu de Arte Contemporânea) de Americana nesta terça-feira, a partir das 19h30, pelo Programa Pontos MIS, parceria entre a Secretaria de Cultura e Turismo e o Museu da Imagem e do Som de São Paulo.

“Branco Sai, Preto Fica” é vanguarda no cinema nacional ao fundir formatos. Não apenas faz remissão crítica a um apartheid brasileiro, simbolizado pela tragédia que atravessou a vida dos protagonistas, mas o funde com um gênero incomum ao cinema nacional: a ficção-científica.

Foto: Divulgação
Filme discute o racismo através de um fato real, mas apela para a ficção cientifica como narrativa

Em meio às filmagens das restritas rotinas da dupla de personagens em Brasília, acompanhamos a história ficcional de Cravalanças, que é enviado do futuro para colher provas em relação à fatídica noite da intervenção policial no baile para que o Estado seja processado por crimes contra a população negra. A ficção de Adirley, no entanto, quer apenas justiça social e não que o passado seja alterado. E para o futuro quer deixar apenas as raízes positivas. Em seu envolvimento com o enredo fantasioso, Marquim produz uma espécie de cápsula do tempo com músicas de sua época para as futuras gerações.

Apesar de ser humilde em seus recursos, o filme é minucioso em sua estética ao mesclar o futurismo com o ambiente periférico que explora. A casa cheia de plataformas improvisadas para a cadeira de rodas de Marquim e a perna mecânica de Sartana apresentam um mundo que progrediu tecnologicamente, mas não evoluiu em questões essenciais em relação ao humano, como na aceitação do outro, independente de raça, sexualidade e religião.

Durante novembro, a programação de cinema do MAC Americana vai exibir filmes dedicados ao mês da consciência negra. Ainda nas próximas semanas estão programadas as exibições dos filmes “Sintonizah – A Extensão das Ondas do Rádio”, sobre a cena do reggae no maranhão, também pelo Programa Pontos MIS; “Estrelas Além do Tempo”, que narra a história de três afro-americanas que ultrapassam todos os limites de gênero, raça e profissionais e se tornam peças fundamentais numa das maiores operações da história dos Estados Unidos; e “Triunfo”, documentário sobre Nelson Triunfo, pioneiro da dança de rua no Brasil. Os dois últimos estão programados pelo Cineclube Estação.

ACONTECE: Exibição gratuita de “Branco Sai, Preto Fica” vai ocorrer a partir das 19h30. O MAC Americana fica no CCL (Centro de Cultura e Lazer), localizado na Avenida Brasil, 1.293, Jardim São Paulo.

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