Cine Biblioteca exibe o premiado ‘Infiltrado na Klan’, de Spike Lee

Sarcástico e objetivo, Lee expõe um mundo onde afinidades são construídas por meio de ódios em comum


Foto: Divulgação
Longa de Spike Lee foi um dos mais elogiados do ano passado

O que acontece quando um dos principais ativistas da causa racial no cinema hollywoodiano da atualidade encontra uma das grandes referências desta luta na sétima arte? O resultado é “Infiltrado na Klan”, dirigido por Spike Lee e produzido por Jordan Peele, que será exibido no Cine Biblioteca, na Biblioteca Municipal de Americana, às 14h desta quarta-feira.

Baseada em uma história real, a trama se passa em 1978. Quando Ron Stallworth, um policial negro do Colorado, consegue se infiltrar na Ku Klux Klan local. A tática era simples: fazia os contatos com o grupo que prega a supremacia racial branca apenas por telefone, simulando ser um branco interessado em entrar para o grupo, e os encontros pessoais eram feitos por um colega judeu.

Sarcástico e objetivo, Lee expõe um mundo onde afinidades são construídas por meio de ódios em comum, um discurso assustadoramente contemporâneo. E essa dialética que mostra o presente repetindo o passado é, certamente, a crítica mais eficaz da obra.

Ao mesmo tempo em que o roteiro (vencedor nesta categoria no Oscar 2019) traz a atuação do Partido dos Panteras Negras no final da década de 1970, ou o uso do filme “O Nascimento de Uma Nação” (1915) como uma bandeira de grupos racistas, mais à frente invade a atualidade ao lembrar dos conflitos em Charlottesville em agosto de 2017. Um fim com gosto amargo, exatamente o que faltou a “Green Book”, que venceu o Oscar de melhor filme deste ano ao apostar em num clima “feeling good” em meio à sua crítica à segregação.

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